Ano passado escrevi vários cordéis com estas temáticas que seguem atuantes, tendo em vista que a humanidade caminha a passos lentos para superar conceitos retrógrados e arraigados. Por deletérios que sejam, o processo de conscientização é demorado. Vivo me reinventando na condição de escritor, fruto de um mundo patriarcal e, que por essa razão forma seres machistas, porque ninguém escapa desta herança maldita, tendo em vista que ele é estrutural, tornando ainda mais fácil estender suas garras maléficas em todos os cantos.
Escanchado nestes versos
Procurarei ser ousado.
Faça do seu coração
Um recanto desarmado:
Aberto para aprender,
Como quero responder
O que é patriarcado?
Estrutura antiquíssima
Feita de dominação,
Usando a virilidade
Pela força do grilhão,
A partir da sua lavra
A derradeira palavra
Em qualquer situação.
Convencionou-se que o homem
Exercerá o domínio,
As posições ocupadas
Da ascensão ao declínio.
Fiel a perspectiva,
A planta nasce nociva
Destinada ao extermínio.
Abraçar temas como este, desagrada
parte considerável da sociedade, que no geral e em todos os países, não quer
reconhecer o seu atraso neste campo. Todavia prefiro pagar o preço que isso
tem, a continuar conivente com opressão que violenta, silencia e mata as
mulheres. Cinco todos os dias são mortas neste país, só pela condição de serem
mulher. Isto não pode continuar, devemos usar todas as armas, inclusive a
escrita, seja em prosa ou verso, para dissipar essa maldade da face da terra. O
cordel é um poderoso instrumento de conscientização, que usada adequadamente
levará leitoras e leitores a um novo patamar. Experimente!

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