sábado, 20 de julho de 2024

A REVOLTA CONTINUA...


Meus leitores e leitoras estão acompanhando há dias a revolta dos livros querendo ir embora de casa, porém acho ruim que estejam colocando a culpa em mim, pelo fato de não estarem viajando pelo mundo. Hoje, para acabar de completar, quatro livros amanheceram fazendo o motim dentro do motim. A BRANCA DE NEVE liderou a rebelião convocando outros três, Diálogo de Santa Rosa com Varneci pelo WhatsApp, O encontro dos diferentes e A lenda do Cobra-Norato, alegando serem os mais importantes. A Branca de Neve se intitulou a líder porque, segundo ela, só para o Ministério da Educação foram vendidos trinta mil exemplares e, assim, chegou ao país inteiro, enquanto os três, apesar de terem sido comprados alguns milhares pela maior prefeitura do Brasil, a de São Paulo, não são nacionais iguais a ela. Liderança legitima é aquela escolhida pela maioria, mas como os demais aceitaram, estou aqui, apenas para negociar a viagem dessas obras que estão me aperreando, se colocando como as mais significativas entre meus quase cem títulos publicados. Estão me chantageado porque querem ser libertos e viajar para outras paragens. Me obrigaram a fazer promoção: quem levar os quatros, não paga a passagem, segundo eles fica por minha conta e risco. Paciência, como eu sozinho vou conter tamanho movimento?

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domingo, 14 de julho de 2024

A REVOLTA DESTES MEUS LIVROS

 


A REVOLTA DESTES MEUS LIVROS, tem sido uma coisa interessante, porque estão sendo adotados por pessoas maravilhosas, algumas delas, pasmem vocês, também são poetas cordelistas, que devem padecer o mesmo que eu, com os cordéis fazendo motim e querendo se picar no mundo. Estre eles está meu amigo @poetaciroveras um alagoano arretado que criou a @solaio_editora junto com a poeta @alexandra.lacerda.corodelista e vem publicando cordéis de alta qualidade, gráfica e poeticamente falando. Ciro é destes bardos, que igual as leitoras e leitores, sabe prestigiar o trabalho de um confrade. Por isso segura em duas obras minhas em suas mãos, ele muito alegre e eu também, porém morrendo de medo porque aí tem as manhas e sabe se o cordel presta ou não, se foi feito por quem é profissional. Brincadeiras à parte, autarquia, agradeço pelo seu olhar sempre respeitoso e acolhedor com meu trabalho e saiba da minha felicidade em saber que minhas obras alcançam leitores excepcionais. Obrigado por prestigiar o cordel brasileiro e só posso lhe desejar sucesso, tanto na escrita como na condução da editora Soslaio.

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quinta-feira, 11 de julho de 2024

O MEU LIVRO EM BOAS MÃOS

 

Participar da coleção Clássicos em cordel, da @editoranovaalexandria foi uma alegria, porque é uma coleção de sucesso. Acertou em cheio ao verter para a linguagem cordelística, obras de alcance nacional e até universal. O primeiro que escrevi foi A Escrava Isaura, porém Memórias Póstumas de Brás Cubas foi lançado na frente, por conta dos cem anos da morte de Machado de Assis, em 2008. Só em 2011 a Nova Alexandria lançou a Escrava Isaura e, desde então, este livro tem sido vendido, adotado em vários colégios, comprado em programas governamentais de leitura. Isso deixa o autor feliz, ver que sua obra chegando às mãos dos leitores e leitoras. Este exemplar está nas mãos do poeta Henrique José lá do Rio Grande do Norte. Agradeço por prestigiar meu trabalho e por ver a Escrava Isaura chegando em tantas mãos como as suas. Ser lido por outro poeta, é ao mesmo tempo uma honra, mas também um risco, porque estamos sendo julgados “por quem tem as manhas e não entra sem a ajuda de um profissional”. Agradeço as minhas leitoras e leitores que tem adotado meus livros e os levado para suas casas. Assim é um filho a menos para eu cuidar.

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segunda-feira, 8 de julho de 2024

A REVOLTA DOS LIVROS


 

Hoje estes meus livros amanheceram arretados comigo, dizendo que se cansaram de ficar trancados nesse apartamento, esperando a traça chegar. Logo cedo, me falaram: “Faça uma promoção com a gente, bote nas redes sociais, que quem comprar a partir de dois exemplares, não paga o frete, pois preferimos que você não cobre o frete, a ficar aqui dentro de casa”. Como o cordel é quem manda, não tive outra alternativa a não ser obedecer e fazer o que eles me ordenaram. Portanto você que ama literatura, aproveite e peça aqui o seu exemplar. E ainda ordenaram para aceitar qualquer forma de pagamento, cartão, boleto, promissória, depósito bancário, pix, fiado, pense nuns livros chatos, agora quem não quer mais eles aqui morando comigo sou eu. Se continuarem me pressionando deste jeito, vou mandar todos pro Brás, qualquer dia que eu amanhecer também azoretado.

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segunda-feira, 10 de junho de 2024

MOSTRA NORDESTINA ELES E ELAS

No dia 8 de junho de 2024, participei da mostra cultural Eles e Elas que Decantam o Nordeste, em Mogi das Cruzes - SP, na Escola Estadual Maria Isabel de Santos Mello, localizada na Av. Presidente Altino Arantes, 100, no bairro de Jundiapeba.

O ritmo musical do forró e a arte da xilogravura, feita por @nireudalongobardi a presença do cordel, juntamente com a embolada, nortearam o evento multidisciplinar pedagógico. Além de uma bela apresentação feita pelos alunos, aconteceram oficinas, para aquela escola que pela primeira vez recebeu um evento daquela envergadura. O @saraubodegadobrasil se fez presente com música e poesia. Foi uma tarde marcante, porque eventos assim, criam ainda mais laços e reforçam a presença de nossa cultura entre os estudantes e educadores.

Agradeço a produtora @elielma.carvallho que produziu juntamente com sua esquipe, aquele evento. Esperamos voltar mais vezes.

 

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

POLICIAIS AMEAÇAM DE APREENDER CORDÉIS

 







Ontem, no aniversário de São Paulo, um grupo de cordelista foi expor suas obras na Avenida Paulista, para celebrar a existência desta cidade. Como a manhã estava chuvosa, pedimos ao @sescavpaulista para ficarmos embaixo de sua marquise, solicitação atendida prontamente, graças a gentileza do Zacarias, a quem agradecemos a acolhida.

De repente fomos abordados por policias, perguntando se tínhamos autorização para estarmos com nossos livros e folhetos de cordel, respondi-lhes, que não precisávamos da bendita autorização, porque a lei já garantia nossa presença no local. Mas não quiseram saber, insistiram com tantas perguntas, tínhamos um advogado no grupo @jprezek que se apresentou nos representando, mas nem assim adiantou.

A poeta @grazielabarduco apresentou a Lei 15776 que vige sobre o assunto, porém a intransigência persistiu. Enquanto um policial educado conversava, um outro engrossou a voz me intimidando, se eu estava resistindo? Falei-lhe não se tratar de resistência, mas de uma questão de lei. Eles chamaram os fiscais que chegaram com carros de recolhimento e guarda civil metropolitana, no intuito de nos intimidar, porém foram embora sem fazer a apreensão, porque “o rapa” deveria saber da existência da lei. Zacarias do @sescavpaulista permitiu que colocássemos nossas banquinhas no hall do Sesc, e questão por ontem foi resolvida assim. No entanto exigimos um posicionamento da @smculturasp @prefeitoricardonunes @alinetorressp porque esta é a segunda vez que acontece com os poetas de cordel.

Não podemos ser constrangidos desta forma, porque existe uma lei de maio de 2013 garantindo a nossa presença como estávamos ontem. O cordel é um Patrimônio Imaterial do Brasil, reconhecido pelo @iphangovbr desde 2018. É urgente que isto seja solucionado para não sermos molestados como fomos em pleno aniversário da Pauliceia Desvairada.

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sexta-feira, 7 de abril de 2023



SEXTA FEIRA DA PAIXÃO de Jesus de Nazaré, é uma data importante para refletirmos a quem nossa religiosidade serve: se aos poderosos que mataram Jesus, ou se ao seu reino de amor, justiça, igualdade e respeito. Jesus não foi assassinado porque rezava, e sim por defender os pequeninos de seu tempo, que continua a defendê-los nos dias atuais. Toda política que agride e mata os pequenos, serve aos mesmos interesses que levaram Jesus a morte, daí porque este livro CORDEL PARA ESPANTAR O ASSOMBRO BOLSONARENTO, afim de nunca mais se repetir em nosso Brasil a tragédia dos últimos quatro anos. As charges são de Paulo Batista. Basta clicar no link na bio para saber mais. https://pag.ae/7Zh1gqZX9

E se preferir pix aqui está varneci@gmail.com O valor é 43,00 + 9,00 do frete.

O livro já está pronto e enviamos para todo o Brasil e fora dele, inclusive.

 

quinta-feira, 30 de março de 2023



PINTA CLIMA, TUDO JOIA?

O Brasil teve o seu pior governo até o dia 31 de dezembro de 2022. A tragédia bolsonarenta não poderia passar despercebida na seara do cordel brasileiro. Durante o quadriênio do Pinta Clima escrevi muito cordel sobre os desmandos cometidos e como diz o filósofo Michel Foucault, as coisas precisam ser nominadas, daí porque este novo livro ilustrado pelas charges de @paulobatista, um poeta dos desenhos. Juntos lançamos este grito por justiça, que haja punição pelos crimes cometidos, o desleixo para com a vida humana, a zombaria contra os povos originários, tudo isto clama aos céus. Uma obra inédita misturando duas linguagens e nos “convida ao exercício da política como forma de fazer um novo tempo de muito mais solidariedade e justiça. Para esperançar, construir possibilidades e superar o desencanto”.

Você já pode encomendar o seu exemplar.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

VIVER DE LITERATURA


 

VIVER DE LITERATURA é o sonho almejado por muitas pessoas que fazem da palavra, seu material de trabalho, mas nem sempre isto é possível, a barriga clama por uma resposta financeira rápida e o mundo editorial demora a oferecer isto. Considero-me feliz viver de literatura há 21 anos, apesar das dificuldades, é uma profissão exigente, é preciso se antenar com aquilo que o povo quer ler e as vezes não se acerta. Um título mal colocado pode frustrar o brilho de um livro potente. Enfim se você deseja trabalhar com as palavras se prepare que a luta será árdua. A literatura brasileira é potente, agora viver dela é outros quinhentos. Segue abaixo os nomes de alguns títulos que escrevi.

 

Jesus: a experiência humana

https://pag.ae/7YBDxnom3

 

Do fascínio ao fascismo

https://pag.ae/7YBDyWucR

 

Para refletir e gargalhar

https://pag.ae/7YBDA5j4v

 

Diálogo de Santa com Varneci

https://pag.ae/7YBDCkUSa

 

Entre lágrimas e sorrisos

https://pag.ae/7YBDBoapp

 

O pequeno polegar

https://pag.ae/7YBDFrWb4

 

A branca de neve

https://pag.ae/7YBDGeNG8

 

O encontro dos diferentes

https://pag.ae/7YBDHtd4q

 

O massacre de Canudos

https://pag.ae/7YBVSYfnL

 

Paulo Freire: um educador diferente

https://pag.ae/7YBVUPa2R

 

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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

ENTRE LÁGRIMAS E SORRISOS GANHA NOVA EDIÇÃO


 

Apresentação

 Descobri o poeta Varneci Nascimento, a “Autarquia do Cordel”, na internet, graças ao meu interesse pelo cordel. Me divertia com seu bom humor. Para refletir e gargalhar foi o seu primeiro livro que li. Seguindo o mesmo caminho, o presente livro também traz poemas que passeiam por entre a dor e o humor, a reflexão e a alegria.

Circula por diversos cenários, onde tragédias, dramas e comédias se alternam, dialogando com temas como: ecologia, preconceito ou cenas do cotidiano das grandes cidades. Questionei-o se este paralelo era recorrente em sua obra. Respondeu-me que não. Mas ao iniciar a leitura do cordel de sua autoria, chamado O martírio de uma mãe pelo filho drogado, de 2011, qual não foi a minha surpresa ao ler a primeira estrofe:

 Nossa vida é um teatro

Com espetáculo diverso

É drama de riso e lágrima

Onde o ser humano, imerso

Neste palco fascinante,

Desenha seu universo.

 No terceiro verso se lê: “É drama de riso e lágrima”. Aqui se anunciava um caminho que ainda estaria por vir, embora ele ainda nem soubesse disso.

Neste livro, ele trata de assuntos atualíssimos que lhe ferem fundo na alma, como o fato de ser “migrante”. Aqui ele se posiciona em lados opostos: ora, fala do preconceito, neste caso, contra o nordestino oriundo da zona rural, na cidade grande; ora fala da aculturação deste mesmo indivíduo que apaga sua própria história, na vã tentativa de ser aceito nessa terra estranha e rude, inclusive num mesmo poema, como poderemos ver em A rudeza terrível da cidade, que diz:

 

Carregava o mais simples coração,

Mas, assim que notaram meu sotaque,

Padeci como vítima de achaque

Pelos membros da nova região.

Inclusive, pessoas do meu chão,

Por vergonha, escondem sua cultura,

Pois abraçam a péssima postura

De negar sua própria identidade.

A rudeza terrível da cidade

Tem tirado meu resto de ternura.

 Também nos mostra homenagens a pessoas que lhe foram e são especialmente caras, uma delas, sua própria mãe, nos dando conta da corajosa batalha frente a doenças, descrita no poema Da fortaleza ao declínio e as perdas de Gregório Nicoló, proprietário da Editora Luzeiro que, enxergando seu talento como cordelista, lhe estendeu a mão, levando-o para trabalhar a seu lado, e por fim, seu querido Tio Belo, com quem mantinha uma relação filial e que perdeu a luta para a covid 19. São poemas escritos com a tinta do afeto e da gratidão.

Caminha com desenvoltura por temáticas de cunho político-social e ecológicas (nas quais alterna reflexões e humor, inclusive num mesmo poema, como é o caso de Pare de chupar e aqui não darei nenhuma dica do que está por vir. Leia e tire suas próprias conclusões). Trata dos desastres ambientais de Mariana e Brumadinho (ambos em Minas Gerais), como de fato o são: crimes ambientais, e não acidentes como a grande mídia entendeu de chamar.

No humor, em dados momentos, me remeteu às chanchadas brasileiras ou aos espetáculos de circo que passavam na minha, outrora, pequena cidade sertaneja. Um humor sem amarras ou qualquer compromisso com o politicamente correto. Como é o caso dos poemas Sexo segundo as profissões e Todo velho quando mija. Mas é na crítica social que sua poesia se mostra grande, certeira. Um discurso forte, politizado, ao lado do oprimido e contra toda ordem de repressão e autoritarismo.

Em dados momentos, os poemas se travestem em denúncias, como é o caso de Feminicídio, Invisíveis do mundo e Filmem mesmo os professores. São 30 poemas escritos em linguagem cordelística. O autor presenteia os estudiosos e pesquisadores do cordel com uma rica e agradável aula, mostrando diversas formas estróficas: sextilhas, setilhas, oitavas, nonas, décimas, em redondilhas maiores ou decassílabos, com ou sem mote (se apropriando de formas usuais da cantoria de viola), como podemos ver de modo específico numa setilha com mote no primeiro verso e numa forma irregular com 12 versos, contendo um mote de 4 linhas, satisfazendo o mais exigente dos leitores.

Destaco mais dois poemas: o que dá título à obra, Entre lágrimas e sorrisos, cujo cenário principal são as salas e enfermarias dos hospitais lotados; e as redes de solidariedade que levam o pão do corpo e da alma a tantos esquecidos pela sociedade. Onde poderemos ler:

 (...)

Vê-se em local de tristeza,

Gente doando alegria.

Levando o pão para a mesa

De quem não tem, todo dia.

 E O tempo, que nem fala de lágrimas nem de sorrisos. A palavra “tempo” se repete em praticamente todas as linhas, imprimindo ritmo ao poema. O ritmo do relógio. O ritmo do tempo. O poeta faz uso da anáfora de modo a nos prender a estes versos, nos dando vontade imediata de decorá-los, para sair declamando e fazendo bonito pelos saraus da vida. Leiam, se possível, em voz alta:

 O tempo finge dar tempo,

O próprio tempo lhe toma.

Seu tempo é subtraído

Na conta que o tempo soma.

O tempo bota o tempero,

No mínimo ou no exagero.

O tempo põe seu aroma.

 É um poema forte como uma pedra de amolar e leve como uma pluma de rosa-cera, levada pelo vento quente neste sertão de meu Deus.

Desejo que o leitor viva bons momentos na companhia destes poemas.

 

Anita Alves

Arquiteta, nordestina e sertaneja, amante dos livros, dos cordéis e de toda manifestação cultural vinda do povo.

Caicó, RN, São João de 2020


Capa de Rodrigo Eli