domingo, 10 de maio de 2026

RESISTIR E PERSISTIR

 










Ao longo de um quartel de século, trabalhando no mundo literário, tenho visto como é complexo construir uma carreira literária e, sei que isto se aplica a qualquer outro meio artístico. Há uma série de movimento em torno de um livro para que ele possa alcançar relevância, entregar algo que mude a vida dos leitores para depois transformar também a do autor, pela autoridade do que escreveu, e que a obra nas mãos de milhares, concede a ele.

Considero-me feliz por ter vários livros publicados, ter editoras que acreditaram no meu trabalho, sem contar as milhares de leitoras e leitores que apreciam nosso trabalho e fazem dele um instrumento para educação, por exemplo, pois as educadoras e educadores usam o cordel como uma ferramenta didática transformadora. Muitas vezes encontramos o respaldo nas falas de quem conhece a nossa obra e tem alguma coisa transformada por ela.

Gerenciar uma carreira literária é uma tarefa árdua, muitas pessoas com talento na escrita, às vezes, desistem porque apesar de escreverem bem, vendem mal. Não somos preparados para cuidar da carreira, e encontrar quem faça este trabalho é uma tarefa difícil. Nem sempre temos o talento para tudo. Escrever, publicar e vender é uma tríade que pode frustrar a quem apenas sabe escrever, por isso que resistir se faz necessário. O caminho pode ficar mais comprido, mas valerá persistir.

sábado, 9 de maio de 2026

FESTA DAS MÃES NA ONG INTERFERÊNCIA

 





Ontem também foi dia das crianças da @interferencia.ong homenagear as mães, numa festa cheia de alegria e afeto. Tem sido encontros de muito aprendizado e troca de experiências, pois cada criança traz consigo as suas histórias e de suas famílias. Volto renovado com a esperança de um mundo melhor porque vejo nesta criançada um futuro deslumbrante para nosso país. Ser abraçado por eles é receber o afeto mais verdadeiro, porque desprovido de qualquer interesse, a não ser o do amor recíproco.

As mães estavam radiantes vendo os filhos apresentarem músicas, poesias, enfim, foi a noite da beleza, “porque a beleza salvará o mundo”, segundo disse Dostoievski. Que a vida continue enchendo essas pessoas de boas surpresas. Viva o amor, viva a igualdade e todas as mães que são mães sozinhas e dão o melhor de si aos seus filhos.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

HOMENAGEM ÀS MÃES NO CEI

 










 Mais uma vez, a convite de @patybizarria, diretora do CEI Nossa Senhora Aparecida tive a possibilidade de me apresentar ao lado do poeta @moreiradeacopiara e dos repentistas @poetamatheusferreira e @fabianeribeiro onde fizemos uma homenagem às mães e familiares dos educandos que estavam presentes. Um encontro para falar de leitura e colocar a educação das crianças acima de qualquer coisa.

Um momento ímpar marcado pela poesia de cordel e repente, levando uma mensagem que reforça a educação e o compromisso com a proteção das crianças. O CEI Nossa Senhora Aparecida tem uma postura altiva de valorização da cultura e da leitura entre seus educadores e educandos. Neste espaço educacional, o cordel tem um lugar privilegiado porque é destacado como instrumento paradidático e pedagógico, tendo em vista promover a formação das professoras com a leitura compartilhada para as crianças.

Moreira de Acopiara e eu somos parceiros desta unidade que tem o compromisso de compartilhar tanto a forma poética do cordel, quanto às suas histórias que trazem os ensinamentos primorosos para a formação do ser humano integral. Agradecemos a todo o corpo docente por acolher o cordel e a nós poetas, através das belezas que o cordel traduz em rima e poesia. Homenagear as mães é uma alegria e nos faz pensar em qual sociedade estamos construindo. Viva as mães e a educação.

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

CORDEL CONQUISTANDO CORAÇÕES

 




Há 25 anos caminho na senda do cordel e neste roçado encantador, tenho a possibilidade de lançar as sementes cordelísticas em terra fértil, cuidada com apreço pelos pais, como um tesouro que são, pois serão os futuros condutores desta nave chamada Terra. Sou de uma geração que aprendeu muita coisa colonizada, com a marca europeia arraigada, porque a presença do colonizador fez questão que assim o fosse. Nem o cordel escapou disso, muitas gerações engoliram sua paternidade eivada de eurocentrismo, mas que felizmente, nos últimos anos essa revisão começou a ser feita com a decolonização do conhecimento.

Estes meses estou fazendo um trabalho na @interferencia.ong que realmente faz jus ao nome, porque interfere positivamente na vida de crianças e pré-adolescentes. O aprendizado é recíproco numa via de mão dupla, e as experiencias são partilhadas. Com eles, tenho a possibilidade de repassar um conhecimento desprovido da tutela colonizada, um pensamento livre, agora claro, como tudo, relacional, porque as culturas dialogam e se influem. As crianças são criativas e basta serem provocadas que mostram o seu melhor e a poesia ganha asas em suas mentes. Tem sido um privilégio aprender com vocês.

 

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

A MÃE ABANDONADA

 


Estamos no mês de maio e domingo que vem será o dia dedicado as mães, mulheres imprescindíveis em nossas existências, as primeiras que sentem tudo em dose dupla pelos filhos. Infelizmente nem seu amor mais puro impede passar por agruras existenciais. Pensando nisto escrevi o drama vivido por uma MÃE ABANDONADA, sim porque vivemos tempos sombrios em que “se coloca as crianças na creche, os pais no asilo e se sai para passear com os animais de estimação.” Esta história nos remete a reflexão sobre uma dura realidade, a que muitas delas são relegadas pelos filhos, a dor do abandono:

 

O valor de uma mãe

Presente caro não paga

Ouro nenhum lhe compensa

Ferrugem jamais estraga,

O amor de dez mulheres

Não preenche a sua vaga.

 

O carinho dessa figura

É algo tão valioso

Que salva um filho perdido

Acalma o outro nervoso

Abranda o filho valente

E transforma o orgulhoso.

 

Mas a história que eu

Resolvi contar ao mundo,

É algo que nos revela

Como um filho iracundo,

Pode ser para uma mãe

Tão abjeto e imundo.

 

Após ler este exemplo

Espero que cada filho,

Repense duzentas vezes

Antes de pôr empecilho

Na vida de quem cantou

Pra você um estribilho.

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026


Mamãe já são cinco anos

Que vivo sem a presença

Da senhora em nosso meio,

Faz enorme diferença

Que a saudade não passa,

Nesta data fica imensa.

 

Vivi diversos momentos

Que se a senhora estivesse

Do meu lado, o meu lamento

Se tornaria uma prece

Que todo fardo pesado,

A mãe tocando, enternece.

 

Cinco anos da partida

Da mulher batalhadora

Que lutou pra nos criar,

Foi além de genitora

Mamãe este é o seu dia

Porque foi trabalhadora.

 

Com a lacuna da ausência,

Pelejo e não me acostumo.

Filho quando perde a mãe

Se perde um pouco no prumo,

Às vezes, tem sérias dúvidas

Se está perdendo o rumo.

 

Quando isto me acontece

Falo com Deus e me queixo.

Relembro de seus conselhos,

De lado, nenhum eu deixo

E o rumo desaprumado

Finda voltando ao seu eixo.

 

Minha primeira leitora,

Sigo na literatura

Já são trezentos mil livros

Na minha semeadura

Quando eu chegar por aí

Seguiremos na leitura.

 

Sou grato sempre a senhora

Em cada coisa que faço.

Irei seguir por aqui

Na busca do meu espaço.

Mamãe até qualquer dia,

Vai um beijo e um abraço.


segunda-feira, 27 de abril de 2026

1ª FESTA DO LIVRO DE HELIÓPOLIS

 












Devemos celebrar o surgimento de festas e feiras para a promoção do livro, um objeto sagrado para quem ama o conhecimento. Este instrumento inventado há centenas de anos, é o mais eficiente e necessário, quando o assunto é a democratização do saber, por isso rendemos homenagens aqueles e aquelas que se esforçam para possibilitar que o livro chegue em todos os recantos deste país, tendo em vista, que é uma possibilidade de se ampliar horizontes, e de se abrir as portas para se viver novas possibilidades com pessoas politizadas e críticas a respeito da sociedade que os cerca.

Participei com alegria da @fehelipa um momento celebrativo que reuniu autoras e autores periféricos, além de dezenas de editoras levaram em seus catálogos uma produção pujante e literaturas potentes que enfrentam os temas mais espinhosos, que a dita literatura oficial não abraça, ou quando o faz, é superficialmente, porque vive distante deles.

O cordel desde o seu nascimento é uma forma poética quebradora de paradigmas, desde seu pai Leandro Gomes de Barros, aos dias atuais, os cordelistas nunca se furtaram discutir temas considerados tabus. Além das narrativas encantadoras, é capaz de denunciar injustiças e cobrar respeito para as pessoas excluídas de uma vida digna.

Ver o nascimento da festa do livro em Heliópolis, nome que homenageia a cidade de Heliópolis, minha vizinha na Bahia, realizar sua primeira edição, é um sinal de esperança e motivo de inspiração para continuarmos acreditando no poder do livro, que a literatura é um direito de todos.

Agradecido a acolhida do @saraudobinho e a todos os demais amigos e amigas que prestigiaram o nosso trabalho. Também o encerramento foi primoroso com uma mesa potente com @ferrezoficial @toni_c_literarua mediada por @tamires_sabotage e além da possibilidade de encontrar amigos e amigas que tornaram o evento, uma verdadeira festa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

CORDEL CABE EM TODO CANTO

 












 O cordel cabe desde a história mais singela a narrativa mais acirrada sobre política e direitos sociais, por isso que seu criador, Leandro Gomes de Barros nunca se furtou de abordar temas complexos a época e denunciar os desmandos de políticos e empresas estrangeiras, que já exploravam os trabalhadores e trabalhadoras que davam suor e sangue e quase nada recebiam por isso.

Partindo deste princípio leandrino, junto com @nandopoeta e outros poetas e poetisas acompanhei mais uma vez o Congresso da CSP-Conlutas que reuniu várias entidades Sindicais que para mim se tornou um momento especial de aprendizado, para beber em fontes seguras, e avançar para águas mais profundas. Conhecer histórias de pessoas que renunciaram suas vidas para se entregar a causa do bem comum.

Conversei com sindicalistas que poderiam estar em suas casas tranquilas, mas preferiram viajar mil, dois, três, quatro mil quilômetros para alimentar a alma e fortalecer a luta pela terra, moradia, educação e tantas coisas de qualidade para todos.

A literatura terá sempre um lugar para ajudar na peleja por direitos e igualdade, instrumento importante para oxigenar a batalha árdua e mostrar que a cultura é parte essencial na construção de um mundo melhor. Quem escreve deve sempre se perguntar a quem serve a sua escrita? E posso dizer convictamente, que nestes 25 anos completados agora em abril, em que escolhi o ofício de escritor-poeta, a minha obra não serve aos exploradores deste mundo, porque não se senta na roda dos malfeitores, como diz o Salmo primeiro.

O congresso foi encerrado ontem e com o cordel fazendo parte desta luta da @cspconlutas

terça-feira, 14 de abril de 2026

A QUEM SERVE A SUA ESCRITA?

 


É importante cada profissional ter a verdadeira dimensão daquilo que faz e da contribuição oferecida a sociedade, bem como do alcance conseguido dentro do propósito que seu trabalho se propõe. Ser escritor é viver se perguntando se está no caminho certo e fazendo o possível para o seu livro chegar às mãos das pessoas. É preciso tomar cuidado para não medir a carreira literária apenas pelo sucesso financeiro, pois é uma vereda perigosa, pois temos escritores milionários, porém se a obra for avaliada, não deixa uma grande contribuição à humanidade.

É necessário vigilância para não se tornar medíocre, tampouco um doente vaidoso, achando-se o melhor do mundo e, que mesmo assim a obra não tem o alcance merecido. É uma linha tênue, com a qual todos nós da escrita temos de aprender a administrar em vista do ofício de escritor ser vivido de maneira satisfatória.

Vivo há um quartel de literatura, e me faço essas perguntas para descobrir a real dimensão daquilo que sou, bem como a quem minha obra serve na sociedade? Sempre me pergunto se os holofotes são tão importantes, qual preço estou disposto a pagar? E se conseguir, tais holofotes o que deixei de ser para aparecer aquilo que não sou? O ofício do literato é precioso e, quem zela por ele, toma as precauções para não se perder na estrada. Em minha obra quero servir as causas que realmente importam, como esta contra o racismo, não podemos continuar calados diante da tragédia do preconceito. O amor realmente vence o racismo? Pensemos!