A partir desta quarta-feira, 05/08 a 09/08/26 estarei na Flipei, uma feira potente que reúne várias editoras, autores, autoras para espalhar livros para todos os gostos. Participarei deste evento ao lado das cordelistas Maria Rosa, Genilda, Lu Vieira e Graziela Barduco. Prestigie o cordel brasileiro, uma poesia potente que há mais de cem anos encanta leitoras e leitores por todo o nosso país.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
sexta-feira, 24 de julho de 2026
2. ALÉM DE MUSKA, ALGUNS PERSONAGENS E IMAGENS
Abaixo segue um artigo escrito por Maria Clara de Freitas Pereira e José Edilson de Amorim
No primeiro
capítulo (Lázaro), já há indícios interessantes na segunda e terceira
estrofe do que nos espera:
A poesia
contou-me/ Uma história detalhada./ Aconselhou-me baixinho:/ “Escrever é empreitada/
De pensamento profundo;/ De letra bem trabalhada.// Tenha clareza na escrita/
Para construir seu nome./ Capriche nos argumentos,/ Esqueça um pouco, retome./
Trate o cordel com carinho,/ Não lhe deixo morrer de fome.” (NASCIMENTO, 2023,
p. 9-10)
Na
Antiguidade, era comum invocar as musas para se fazer poesia, no cordel é
habitual pedir o auxílio de Deus, mas, no caso em questão, o auxiliar é a
própria poesia. Além disso, é uma poesia que considera a tradição escrita, o
que podemos notar a partir de “escrever é uma empreitada”, “letra bem
trabalhada”, “clareza na escrita”. Os poetas de bancada costumam associar
aspectos da escrita e da oralidade ao se dirigirem ao público no início de seus
textos. Segundo Márcia Abreu (1997, S.I), eles abarcam as duas possibilidades
de recepção da literatura de cordel, então no mundo do cordel “escrever e
falar, ler e ouvir” deixam de ser recepções distintas para serem equivalentes.
Todavia, nesse primeiro momento, não há uma menção direta à oralidade; em vez
disso, há uma ênfase no trabalho de escrita do cordelista, que entra na
“empreitada de pensamento profundo” da poesia, precisando caprichar nos
argumentos, esquecer e retomar, o que expressa de maneira mais clara o trabalho
que esses artistas sempre tiveram ao mesmo tempo que mantém a ideia de uma
entidade inspiradora.
Essa poesia,
então, revela os personagens ao poeta. Assim, conhecemos Lázaro, psicólogo
paulista, que “afinou talento com engenho cerebral”, de modo que alcançou
excelência na profissão. Ele montou um consultório, ganhou muito dinheiro,
conseguiu ficar famoso e até atendeu ao governador (p. 10-12). O capítulo 2 (Alice),
conta como ele conheceu sua namorada na faculdade e, num “ímpeto juvenil”,
casaram-se. Alice é descrita como moça, meiga e sonhadora, iria formar-se
historiadora e, com o desejo de mudar o mundo, professora, porém esses planos
são frustrados por uma gravidez inesperada (p. 14).
Nesse
contexto, ela começa a ser oprimida pelo marido, que é descrito como leviano,
egoísta, dominador, desumano, além disso, por pagar as contas “se julgava
suserano”. Há um fato interessante nisso: tradicionalmente, os protagonistas
masculinos apresentam uma caracterização oposta a essa. Para Abreu (1997, S.I),
eles são “valentes, honestos, inteligentes, justos e fiéis às suas amadas”;
como não há tanta menção ao físico, o aspecto fundamental é o caráter, mas
nesse caso Lázaro não é um homem benevolente.
Sua misoginia
e machismo, ao insistir que Alice esquecesse de vez a vida profissional,
concorriam para “sepultar o jovem dos tempos da faculdade” (p. 16). É dito que
houve abusos, pressão psicológica, ameaças, coações mais ousadas, inexistência
de afagos e comportamentos hostis. É interessante lembrar que os vilões também
são descritos a partir de atributos morais e, em muitos casos, a característica
decisiva para o homem mau é a riqueza, “ser muito rico já é um indício de mau
comportamento, deixando clara a relação estabelecida entre ser ‘rico’ e ser
‘malvado de profissão’” (Abreu, 1997, S.I). Para Lázaro, “o seu deus era o
dinheiro”. Uma das particularidades desse texto está aqui: a caracterização
tradicional de um vilão e o protagonismo encontram-se em Lázaro. Em meio ao
choro e à dor, Alice foge, abdicando de seu filho, Lucas.
No capítulo 3
(Lucas), tomamos conhecimento que Lázaro vinga-se de Alice ao tentar
fazer com que o filho esquecesse a mãe. O menino, aos seis anos, adoeceu e em
pouco tempo morreu de câncer, o que gerou revolta. O pai diz ao médico: “Se
Lucas perdeu a vida,/ Javé também faleceu./ Jesus não ressuscitou./ Aliás,
sequer nasceu./ A alma é uma invenção,/ Segundo diz todo ateu.”, o que
demonstra sua desesperança.
Mesmo assim,
no capítulo seguinte (As ruas), ele questiona esse destino a Deus e
encontra “o seu fundo do poço”. A sua mansão no Morumbi tinha uma “pirâmide de
tristeza”, seu jardim, varanda e piscina perderam a graça, então ele começa a
vagar pelas ruas. Apesar da tentativa de
ajuda de empregados, amigos e conhecidos, muitos não se importaram e fingiam
não vê-lo. Lázaro:
Abandonado
de si,/ Imerso em sua amargura./ Uma inquietação mental/ Desembocou na ruptura/
Com a vida luxuosa./ Consolidou-se a fratura.// Conheceu, da mendicância,/ A
realidade crua./ Provou do fel do desprezo/ Que desagrada e tumultua./ Três
meses depois estava em situação de rua (NASCIMENTO, 2023, p. 26).
Nesse sentido,
o dicionário Michaelis traz três significados para a palavra Lázaro, sendo um
deles figurativo. O primeiro é “indivíduo que tem lepra; leproso, morfético”; o
segundo, “indivíduo coberto de chagas ou pústulas”. Já no sentido conotativo,
“diz-se de ou indivíduo que vive à margem da sociedade; excluído, miserável,
pária”, sendo esse o estado do nosso personagem. Podemos lembrar-nos do pobre
leproso do Novo Testamento com mesmo nome (Lucas 16, 19-29), mas também do
Lázaro irmão de Marta e Maria, e ressuscitado por Jesus após quatro dias de
sepultamento (João 11, 11-44). Lázaro é o nome em português de Lazarus, que por
sua vez é uma latinização do grego Eleázaros (Λαζαρος).
No hebraico, El’azar (אלעזר),
El (אל) significa Deus e ezer (עזר) quer dizer ajuda, auxílio, socorro. No Antigo Testamento,
Eliezer (אֱלִיעֶזֶר)
– “O outro se chamava Eliezer, pois Moisés havia dito: ‘O Deus de meu pai veio
em meu socorro e livrou-me da espada do faraó’” (Êxodo 18, 4).
Nesse caminho,
temos indício de sofrimento, mas também de auxílio. Nas ruas, Lázaro “Lembrava
de coisas cruéis:/ Doença, morte, sepulcro,/Separação e revés./ Nisso
chegou-lhe um cachorro,/ Deitou-se sobre os seus pés.” (Nascimento, 2023, p.
27, destaques nossos). A partir daqui, já que o personagem está nas ruas, não
há apenas as ilustrações para abrir e fechar os capítulos, mas fotografias de
São Paulo. Esta é a primeira, que aparece entre o capítulo 4 (As ruas) e
o capítulo 5 (Lázaro e Muska):
De acordo com
Marinho e Pinheiro (2012, p. 46), nos cordéis, “os desenhos acompanham os
conteúdos”. A foto em preto e branco, assim, transparece a solidão e o abandono
na selva de pedras, o que é reforçado pelo que parece ser um morador de rua.
Nota-se também que há uma ilustração por cima da fotografia, o que se repete em
todas as fotos; nesse caso, é um pássaro, o mesmo que aparece pela primeira vez
no capítulo 1 (Lázaro), mas na cor preta (figura 6).
O capítulo 5 (Muska
e Lázaro) mostra o início dessa amizade, entre o homem e o cachorro, um
golden retriever inteligente, e os percalços pelos quais passaram, como morar
na Cracolândia, ter rivais, escapar de revólver, esconder-se de inimigos e
enfrentar marginais. Um aspecto
interessante é como a sensação angustiante de viver numa grande metrópole é
expressa tanto por esses versos quanto pelas fotografias. Ayala (1997, p. 162)
defende que, mesmo em casos de adaptações de histórias europeias, o leitor
popular recebe as histórias “como se estivessem acontecendo em algum tempo no
Nordeste, apesar das referências a locais europeus contidas no texto. Esta
aclimatação não se faz apenas pela paisagem, mas principalmente pela
linguagem”. Mesmo assim, nessa história em específico, somos constantemente
lembrados de São Paulo, é a “cartografia social da cidade” dita acima por
Aderaldo Luciano. A abertura do capítulo é esta:
Quem quiser ler o resto do artigo
acesse:
https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/r15o/article/view/7229
domingo, 12 de julho de 2026
SEMEANDO CORDEL
Quem decide viver de determinada arte, precisa se abrir para apreciar as demais artes para não se fechar apenas em seu mundo, pois o diálogo frequente irriga os rios de sua arte e pode tornar o seu jardim poético mais colorido. Um escritor deve frequentar o teatro, escutar música e ler outros autores para enriquecer seu vocabulário, e ter o que dizer as pessoas que investem em seu trabalho. No caso do cordel não basta apenas rimar, é necessário harmonizar para que se torne um poema cheio de encantamento e poesia. Rimar é a parte mais fácil, porém embelezar as estrofes com poesia, será o trabalho mais ardoroso a ser enfrentado.
Nestes 25 anos atuando como
cordelista, percebo que a cada dia estou aprendendo algo sobre a cultura do
cordel. A cada texto escrito, vem a seguinte pergunta: isto vai me conectar com
as leitoras e leitores? É uma pergunta que nenhum autor tem a resposta, por
isso que escrever é uma experimentação constante. Para nos conectarmos com as
pessoas, um dos caminhos a seguir é o da emoção, pois ela vive a espreita e é o
que realmente nos move, claro que se a emoção estiver desordenada, a razão dará
o seu toque de equilíbrio.
Outra coisa que o capital fala
muito é sobre a autoridade conquistada a respeito do que faz, mas esta espécie de
“privilégio” será dada à medida que seus leitores forem reconhecendo seu
trabalho e o tornando relevante. Muitos conquistam isto através de polêmicas,
mas não sei quanto isso é bom para uma carreira. Baseado em minha experiência, digo
a qualquer pessoa que está dando os passos iniciais em uma arte, que continue
em frente, que semeie, mesmo que ninguém dê importância, porque não é pelo
comportamento dos outros que você mudará o seu. Quem está convicto de uma
coisa, basta a sua convicção, o resto é se lhe ajuda a crescer neste caminho de
semeadura. Eu sigo plantando. Tenho colhido, perdido, irrigado, mas continuo
semeando. Quem não desiste sairá da escassez para a fartura.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
NO SERTÕES DE MINHA SOLIDÃO
Acabo de ler esta obra poética do autor Juamis Tomaz que se assina como O Peregrino da Paz. De nascimento é juazeirense, porém é cidadão de Petrolina, ambas incrustadas no chão nordestino. Possui um coração que vibra com a nossa poesia e cultura pujantes. Funcionário público dedicado e poeta apaixonado pelas pegadas do profeta Jesus de Nazaré, levará quem se aventurar a ler esta obra, ao encontro de uma poética prenha de igualdade, de amor, carregada de utopia pela construção de uma sociedade sem explorador, muito menos exploradores.
A poesia do Peregrino da Paz é um
grito que ecoa a quem está se acostumando com a indiferença, a ser guiado pelo
hedonismo, onde o prazer pelo prazer tem se tornado mais importante do que se
estender a mão para quem sofre. Um poeta corajoso que não tem medo de criticar os
padrões doentios estabelecidos neste mundo, de denunciar a corrupção que rouba
o sonho de milhões. A poética de Juamis é ao mesmo tempo denúncia e bálsamo, que
sacode os que dormem em berço esplêndido, e não veem o sofrimento daqueles e
daquelas que caem ao seu lado, jogados pelo capitalismo selvagem com sua ânsia desenfreada
de lucro.
NOS SERTÕES DE MINHA SOLIDÃO é um
convite ao mergulho em pensamentos e na luta pelo pão para quem tem fome e água
para quem tem sede. É chamado singular a sermos pontes onde os muros foram
erguidos. É um grito que ecoa da divisa da Bahia e Pernambuco para o resto do
Brasil, que olhe os trabalhadoras e trabalhadores que ainda vivem espoliadas por
uma escala 6x1 que o Congresso teima em não resolver. Que a poesia vinda das fímbrias
do coração Do Peregrino da Paz possa calar fundo em nossa alma e nos impelir a arregaçar
as mangas na luta pela justiça e fraternidade.
domingo, 5 de julho de 2026
O MISTERIOSO DRAGÃO DA ENCRUZILHADA
O não nascido Varneci Nascimento, que se batizou nas ruas com o sobrenome Cordel, é extremamente irritante para quem não gosta da literatura autêntica brasileira.
Sim! Vai ser nesse tom que vou falar dele.
Com a auto estima que tantos estranham quando falamos da nossa arte.
O kit de invisibilidade não funcionou mais
uma vez. De vez em quando eles deixam o filtro dos sonhos de alguns dos nossos
funcionar.
A altura dos seus textos, são para poucos
inocentes, mas não vamos falar mais de medidas por aqui. O autor em questão tem
síndrome do túnel do carpo, porque gosta de rascunhar no papel, coisa da década
passada pelo jeito.
Se você não conhece essa autarquia das
palavras, saiba que sempre está trajado de camiseta leve e com algo estampado
do cordel, chega até a irritar.
Não fosse o bastante, prefere usar
chinelo, gosta de um pirão, e tem saudade dos bifes que sua mãe fazia.
A meta desse escrevinhador é que sua
biblioteca fosse invadida, seus livros contaminados, pois os panfletos
cresceram enquanto você dormia.
O Brasil é grande, mas não conhece sua
grandeza.
Varneci é um invasor de cérebros, sua
escrita conduz cadáveres, sua cólera é permanente e não vai ser difícil ver sua
resistência em estações de metrô, em praças públicas, muitas vezes aglomerado
com os seus.
Varneci, tem um defeito de fabricação, o S
que faltou no seu primeiro nome, múltiplo para poder resistir a invisibilidade,
nunca foi um. O plural é uma palavra tatuada em seu coração.
Aceitar dói muito menos, mas com os erros,
entre eventos onde lhe cortavam o tempo, ou o estigmatizavam, Varneci foi
aprendendo até chegar ao dobro dele mesmo. Um talento só nunca foi o bastante
para nossa pequena gente grande, colecionadora de dinheiro
Não ler, muitas vezes nos faz sentir menos
livres, mas também não sabemos o que direito é a tal liberdade, até folhear um
cordel.
Petulante, salta de assuntos que você
espera. Sim! Você espera algo de tudo. Mas dele só tem surpresa quando a rima
finaliza.
Varneci Cordel, tira das eras dos dragões
as questões climáticas, tudo é uma desculpa para corromper o HD que o sistema
definiu para os leitores.
Ferréz - Oceano Atlântico, abril de 2024.
O restante está no livro
saiba mais em:
https://varnecicordel-com-br.lojaintegrada.com.br/o-misterioso-dragao-da-encruzilhada
sexta-feira, 3 de julho de 2026
LIVRO, INFELIZMENTE ATUAL
Quando publiquei este livro achei
que logo deixaria de ser atual, mas infelizmente quatro anos depois, seguimos lutando
para espantar o assombro que ainda nos ameaça. A força da maldade é poderosa, o
extremismo deste grupo continua cada vez pior, ainda que seu líder esteja preso.
A coisa tem se agravado tanto, ao ponto do Brasil ser punido com o tarifaço
absurdo a pedido deles, o filhote de cobra, no lugar do pai, pediu que o Brasil
fosse bombardeado, que nossa nação seja punida. E milhares acreditando que isto
é patriotismo.
Saímos do mapa da fome, o país
voltou a ser respeitado no cenário internacional, mas tem milhares que gostam
de miséria e de lamber as botas do imperialismo estadunidense. São entreguistas,
não sabem o que é soberania, enfim, a canalhice nos ameaça, e por isso, infelizmente
meu livro, ilustrado com as brilhantes charges de Paulo Batista continua atual.
Uma obra com quase duzentas páginas
que aborda vários aspectos da tragédia que vivemos durante o desgoverno passado,
todavia não consegue esgotar, porque o mal tem um poder devastador. Precisamos continuar
resistindo, defendendo a democracia, a soberania, a inclusão, a educação,
nossas terras raras, nosso petróleo, enfim protegendo nosso país. Para isso, a
literatura, a poesia são excelentes companheiros. Vá atrás, apoie e divulgue
esta e outras obras que nos armam para enfrentar toda espécie de retrocesso,
para que continuemos com o cordel, ESPANTANDO O ASSOMBRO BOLSONARENTO.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
DECOLONIALIDADE O QUE É?
Em um mundo cheio de polarizações políticas e ideológicas, é interessante aprendermos a pensar, guiados pelos bons livros, mas sem perder o velho e bom costume de criticar tudo aquilo que é posto como verdade, sobretudo quando estas supostas verdades estão enfeitadas pelos interesses escusos do mercado e do imperialismo. Fomos colonizados pela Europa, e demorou para conseguirmos a liberdade política, como está demorando a conseguirmos a liberdade no pensamento, porque nada pior e mais prejudicial do que um conhecimento colonizado, porém infelizmente é o que temos visto nos últimos tempos.
O império estadunidense está cada vez mais querendo impor
a canga no pescoço de muitos países, e isto acontece por meio do conhecimento,
do idioma imposto, da moeda que dominava o comércio mundial e que felizmente
vem perdendo força. Tomar consciência disso, requer levantar a cabeça e se
colocar contra aquilo que está posto como verdade. Quem foi que disse que temos
que viver subjugado ao desejo de ninguém? Quem foi que disse que a América
Latina é o quintal do império estadunidense? Quem foi que disse que o nosso
petróleo tem que ser roubado e entregue aos estadunidenses? Eles mesmos disseram,
porém não somos obrigados a obedecer.
Ser uma pessoa que pensa a decolonialidade é se colocar
no seu lugar de agente da história e saber que a honra é inegociável, que
ninguém, por mais forte que seja militarmente falando, vai dominar a sua cabeça.
Alimentar essa convicção é algo que precisamos fazer conscientemente. No que
escrevo sempre aponto nesta direção. Mas aí algum entreguista pode me dizer: do
que adianta se uma andorinha sozinha não faz verão? Adianta sim, porque como
dizia o indiano Mahatma Ghandi: “eles podem até me matar, e aí terão o meu
corpo, mas não a minha obediência.”
Por essa razão escrevi este cordel sobre decolonialidade,
precisamos repensar o modelo de sociedade que queremos, se soberana ou
subserviente.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
O AMOR VENCE O RACISMO?
Escrever e viver de literatura é uma tarefa prazerosa, mas árdua, sobretudo se depende dela para pagar as contas. Nestes 25 anos dedicados ao cordel, não posso reclamar de nada, porque só tenho a celebrar, mais de 100 obras publicadas, livros comprados pelo Ministério da Educação, premiado duas vezes pelo Ministério da Cultura, premiado como mestre da cultura, livros adotados pela prefeitura de São Paulo e Rio de Janeiro, escolas particulares, 300 mil exemplares vendidos, enfim são várias conquistas, mas ainda assim, às vezes, é complicado financeiramente.
Infelizmente “boa parte dos brasileiros não gostam de
artista, gostam de famoso” isto quer dizer que se você não estiver na mídia,
estará fora de tudo o que se faz em torno da arte que produz. E se fizer uma
literatura que toca em coisas espinhosas, e aqui é meu caso, poderá entrar nos
cortes, porque determinado tema incomoda. Quando publiquei este livro sabia do
risco que corria, mas precisamos ser coerentes, ou do contrário, cairemos no
velho mal da hipocrisia. Ou nossa literatura mexe em feridas abertas, ou não veremos
mudanças, e o racismo que permanece estruturado continuará excluindo, os racistas
continuarão na posição de privilegiados e quem o sofre o racismo, sendo subalternizado,
como acontece há 500 anos neste país. Se ler é um ato político, a literatura é
o alimento do processo.
Veja abaixo as primeiras estrofes deste romance.
Abram corações e mentes,
Dignatários leitores.
Apreciem este romance,
Entendam seus dissabores.
Por que houve escravizados,
Oprimidos por senhores?
Busquei em livros e sites,
Untados pelo cinismo,
No fel de arrogância branca
Refleti sobre esse abismo
Que me leva a perguntar:
O amor vence o racismo?
Quem outorgou para alguns
Este execrável direito
De se julgarem maiores
Baseados num conceito?
Para tratar um retinto
Na base do preconceito?
Conceberam tantas formas
De provocar desalento,
Patrocinar injustiças,
Suscitar o sofrimento.
À demência aos praticantes,
Às vítimas, constrangimento.
Mais informações
https://varnecicordel-com-br.lojaintegrada.com.br/o-amor-vence-o-racismo
domingo, 21 de junho de 2026
HISTÓRIAS REAIS, LOUCURAS DE AMOR
Ontem no Centro de Referência da Dança aconteceu mais um encontro de O poder do conto organizado pela poetisa Cleusa Santo que maravilhosamente coordena o grupo composto pela turma da melhor idade. Este evento bimestral reúne contadoras e contadores de história, além de poetas e vários artistas, com uma plateia sempre dinâmica e ávida por boas histórias.
Cleusa Santo faz um trabalho incrível
e com certeza preenche a vida deste grupo que caminha com ela há vários anos. Cada
evento é uma surpresa que nos enche de encantamento porque o Poder do Conto,
realmente tem o poder de nos impelir a perceber que o mundo é um espetáculo cheio
de singeleza. Quem abre o coração, pode preencher a alma com o melhor que o
outro, a sua maneira, tem a nos oferecer.
Dentro deste evento, sempre acontece
o lançamento de um livro, de preferência de cordel e ontem foi a vez da poeta Edimaria
nos oferecer mais uma obra de sua lavra poética: HISTÓRIAS REAIS, LOUCURAS DE
AMOR, no qual conta várias histórias surpreendentes, através deste sentimento
que move o mundo. Edimaria é destas poetas encantadas com a beleza salutar que
o amor nos proporciona e como empurra as pessoas a seguirem em frente, mesmo
que determinado amor não se concretize, terá valido a pena amar. Viva o amor,
viva a poesia enfeitada pelos versos do cordel.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
PROSA E POESIA
O livro Ciranda em Aruanda que já vinha
chamando a atenção das leitoras e leitores ano passado, ficou ainda mais
conhecido por um episódio lamentável de censura e intimidação em uma escola da
capital paulista, que foi invadida pela polícia, chamada por um pai que se
sentiu incomodado pela temática do livro. O que não causa surpresa, graças ao
racismo estrutural deste país, sobretudo com as religiões de matrizes africanas.
Em @afeira no Pacaembu Liu Olivina
lançou o livro Um Biquinho de Prosa, escrito e ilustrado por ela. A obra
discorre com uma singeleza incomparável, as belezas que ela contempla em sua
casa, vizinha a Mata Atlântica no litoral paulista. Fala de pássaros como fala
de seu filho Martim, que tem nome do pássaro Martim-Pescador, que segundo a
autora foi “o primeiro pássaro a falar com ela”. As ilustrações são de uma
beleza salutar, nos envolve na leitura e nos faz sentir o balanço das ondas do
mar naquele movimento indelével do farfalhar das águas indo e voltando.
Liu realmente nos enternece com
tanta beleza literária. Numa época em que tudo é artificial, contemplamos um
livro escrito e desenhado a mão, nos empurra para um mundo cheio de magia, e
nos mostra que nem tudo precisa ser digital para nos enlevar. Neste Um Biquinho
de Prosa, você encontrará um bicão de poesia. Vá atrás destas obras que vão suavizar
sua existência.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
CEM MIL EXEMPLARES VENDIDOS
Quem vive de arte, também busca as formas para que seu trabalho chegue mais longe. É uma tarefa ardorosa encontrar essas possibilidades porque precisa unir um trabalho de qualidade com o gosto das pessoas, que sempre varia de acordo com cada personalidade. Agradar a um coletivo é uma tarefa complexa, tendo em vista que terá de unir a sensibilidade de ambos.
Na literatura é algo ainda mais difícil
para conectar as leitoras e leitores com aquilo que você escreveu. Felizmente este
meu livro A Branca de Neve publicado pela @pandabooks caiu no gosto de milhares
delas porque chegou a impressionante marca de cem mil exemplares, o que me
enche de gosto e gratidão por todos os profissionais envolvidos neste processo.
As lindas ilustrações de @andreaebert contribuíram imensamente para o sucesso
desta obra.
Conta o fato de ser um conto conhecido
e de ter sido ornado pela potência que é o gênero literário cordel, uma forma poética
que enche o nosso Brasil de orgulho. Quem escreve deste jeito, deve gratidão ao
grande paraibano Leandro Gomes de Barros que com seu estro criativo disseminou
essa forma poética pelo Recife, depois Pernambuco e assim o cordel foi se
enraizando pelo Nordeste pelo restante do Brasil.
A Branca de Neve em cordel é um
livro que se consolida e encanta as pessoas para marcar aqueles e aquelas que
amam a literatura brasileira.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
CORDEL NO SESI DE MARÍLIA
A convite da professora @liliantalmeli e acolhido pela bibliotecária Carol Médice, tive a oportunidade de falar sobre o Cordel Brasileiro, para duas turmas do quinto ano A e B do @sesisp.marilia, que fica no interior de São Paulo. As turmas estavam acompanhadas pela professora Mirelle e pelo professor Guilherme, a quem agradeço a acolhida de ambos. Estive no Sesi de Marília há mais de 10 anos e nunca mais perdi o contato com a professora Lílian, por isso foi articulado este encontro com estas turmas para essa data.
Diferente dos encontros que
acontecem em torno do cordel, que normalmente são palestras ou oficinas, hoje fui
sabatinado pelos alunos das duas turmas que estão fazendo um trabalho a
respeito deste gênero literário e tiveram a oportunidade de tirar dúvidas sobre
sua produção, como conhecer um pouco mais a respeito do meu trabalho. As perguntas
foram impressionantes, ora provocativas, ora desconcertantes num sentido de nos
deixar às vezes até sem respostas.
É salutar participar de um
encontro tão proveitoso, com aqueles e aquelas que serão o futuro do nosso país.
É importante plantarmos boas sementes se quisermos colher bons frutos. Participar
de momentos assim é engrandecedor para a vida e a carreira de qualquer autor,
porque neste tipo de debate, conseguimos refletir não apenas sobre a nossa
produção, mas sobre aquilo que nos inspira a continuar na semeadora da palavra.
O cordel tem muito a oferecer para todas as gerações, porém lançar suas sementes
no terreno fértil de quem futuramente estará à frente das instituições de nosso
país, é algo que precisamos fazer continuamente. Viva a literatura brasileira e
todas as pessoas que a transmitem a todas as gerações.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
PRESENÇA DO CORDEL N’AFEIRA DO LIVRO DO PACAEMBU
Aconteceu de 30 de maio a 07 de junho @afeira do Livro do Pacaembu, que tem se consolidado como um dos espaços mais destacados para a promoção do livro e do saber na cidade de São Paulo. Durante nove dias a Praça Charles Miller, recanto consagrado ao futebol, se torna o lugar do saber e da cultura, onde a palavra desfila através dos livros das mais diversas autoras e autores que formam o mercado editorial brasileiro.
Naquela arena passam autores/as
ainda anônimos, em busca de um espaço, aos mais destacados. Ano após ano, vemos
uma literatura pujante e vivaz que mexe com a cabeça dos leitores e leitoras, ávidos
por coisa boa.
Neste lugar estava eu pelo segundo
ano consecutivo, na Tenda da @camaraperifericadolivro que mostra a força e a
potência do cordel e da Literatura Periférica nas feiras e bienais pelo Brasil
afora. A Câmara Periférica do Livro abriga em seu guarda-chuva 39 editoras
periféricas com catálogos diversos, mulheres poderosas e potentes que oferecem a
literatura brasileira, um mundo cheio de encanto, mas em muitas vezes regados
pelas lágrimas, causadas pelo machismo, misoginia e patriarcado.
Nesta seara, o cordel segue
pujante e, por isso várias editoras trazem em seu catálogo a força do único
gênero literário brasileiro reconhecido como patrimônio imaterial da nossa
cultura. É preciso caminharmos cada vez mais para que essa forma poética ocupe
os espaços e possa fazer parte dos debates que esta importante feira promove. É
preciso integrá-lo ao todo da nossa literatura, os muros precisam ser
derrubados.























































