segunda-feira, 27 de abril de 2026

1ª FESTA DO LIVRO DE HELIÓPOLIS

 












Devemos celebrar o surgimento de festas e feiras para a promoção do livro, um objeto sagrado para quem ama o conhecimento. Este instrumento inventado há centenas de anos, é o mais eficiente e necessário, quando o assunto é a democratização do saber, por isso rendemos homenagens aqueles e aquelas que se esforçam para possibilitar que o livro chegue em todos os recantos deste país, tendo em vista, que é uma possibilidade de se ampliar horizontes, e de se abrir as portas para se viver novas possibilidades com pessoas politizadas e críticas a respeito da sociedade que os cerca.

Participei com alegria da @fehelipa um momento celebrativo que reuniu autoras e autores periféricos, além de dezenas de editoras levaram em seus catálogos uma produção pujante e literaturas potentes que enfrentam os temas mais espinhosos, que a dita literatura oficial não abraça, ou quando o faz, é superficialmente, porque vive distante deles.

O cordel desde o seu nascimento é uma forma poética quebradora de paradigmas, desde seu pai Leandro Gomes de Barros, aos dias atuais, os cordelistas nunca se furtaram discutir temas considerados tabus. Além das narrativas encantadoras, é capaz de denunciar injustiças e cobrar respeito para as pessoas excluídas de uma vida digna.

Ver o nascimento da festa do livro em Heliópolis, nome que homenageia a cidade de Heliópolis, minha vizinha na Bahia, realizar sua primeira edição, é um sinal de esperança e motivo de inspiração para continuarmos acreditando no poder do livro, que a literatura é um direito de todos.

Agradecido a acolhida do @saraudobinho e a todos os demais amigos e amigas que prestigiaram o nosso trabalho. Também o encerramento foi primoroso com uma mesa potente com @ferrezoficial @toni_c_literarua mediada por @tamires_sabotage e além da possibilidade de encontrar amigos e amigas que tornaram o evento, uma verdadeira festa.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

CORDEL CABE EM TODO CANTO

 












 O cordel cabe desde a história mais singela a narrativa mais acirrada sobre política e direitos sociais, por isso que seu criador, Leandro Gomes de Barros nunca se furtou de abordar temas complexos a época e denunciar os desmandos de políticos e empresas estrangeiras, que já exploravam os trabalhadores e trabalhadoras que davam suor e sangue e quase nada recebiam por isso.

Partindo deste princípio leandrino, junto com @nandopoeta e outros poetas e poetisas acompanhei mais uma vez o Congresso da CSP-Conlutas que reuniu várias entidades Sindicais que para mim se tornou um momento especial de aprendizado, para beber em fontes seguras, e avançar para águas mais profundas. Conhecer histórias de pessoas que renunciaram suas vidas para se entregar a causa do bem comum.

Conversei com sindicalistas que poderiam estar em suas casas tranquilas, mas preferiram viajar mil, dois, três, quatro mil quilômetros para alimentar a alma e fortalecer a luta pela terra, moradia, educação e tantas coisas de qualidade para todos.

A literatura terá sempre um lugar para ajudar na peleja por direitos e igualdade, instrumento importante para oxigenar a batalha árdua e mostrar que a cultura é parte essencial na construção de um mundo melhor. Quem escreve deve sempre se perguntar a quem serve a sua escrita? E posso dizer convictamente, que nestes 25 anos completados agora em abril, em que escolhi o ofício de escritor-poeta, a minha obra não serve aos exploradores deste mundo, porque não se senta na roda dos malfeitores, como diz o Salmo primeiro.

O congresso foi encerrado ontem e com o cordel fazendo parte desta luta da @cspconlutas

terça-feira, 14 de abril de 2026

A QUEM SERVE A SUA ESCRITA?

 


É importante cada profissional ter a verdadeira dimensão daquilo que faz e da contribuição oferecida a sociedade, bem como do alcance conseguido dentro do propósito que seu trabalho se propõe. Ser escritor é viver se perguntando se está no caminho certo e fazendo o possível para o seu livro chegar às mãos das pessoas. É preciso tomar cuidado para não medir a carreira literária apenas pelo sucesso financeiro, pois é uma vereda perigosa, pois temos escritores milionários, porém se a obra for avaliada, não deixa uma grande contribuição à humanidade.

É necessário vigilância para não se tornar medíocre, tampouco um doente vaidoso, achando-se o melhor do mundo e, que mesmo assim a obra não tem o alcance merecido. É uma linha tênue, com a qual todos nós da escrita temos de aprender a administrar em vista do ofício de escritor ser vivido de maneira satisfatória.

Vivo há um quartel de literatura, e me faço essas perguntas para descobrir a real dimensão daquilo que sou, bem como a quem minha obra serve na sociedade? Sempre me pergunto se os holofotes são tão importantes, qual preço estou disposto a pagar? E se conseguir, tais holofotes o que deixei de ser para aparecer aquilo que não sou? O ofício do literato é precioso e, quem zela por ele, toma as precauções para não se perder na estrada. Em minha obra quero servir as causas que realmente importam, como esta contra o racismo, não podemos continuar calados diante da tragédia do preconceito. O amor realmente vence o racismo? Pensemos!

 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

CORDEL NA ONG INTERFERÊNCIA

 






Hoje tive a felicidade de começar um trabalho na @onginterferência que presta relevantes serviços à comunidade do Capão Redondo. Foi um dia cheio de alegria pela possibilidade de dialogar com crianças e adolescentes, cheias de vida e com vontade de aprender, abertas ao diálogo e ao encantamento com o novo.

Partilhar o conhecimento do cordel com este público, me deixa particularmente feliz, porque é a certeza da perpetuação do estro criativo de Leandro Gomes de Barros que há mais de 100 anos concebeu este gênero literário no nordeste brasileiro, e que se tornou um patrimônio nacional da nossa cultura.

Agradeço a coordenação e acolhida da ONG Interferência com o nosso trabalho, porque sempre que é possível, colocam o cordel como aprendizado para todos aqueles e aquelas que frequentam este espaço de convivência e de saber. Toda criança que passou pela Interferência foi marcada pelo lúdico que levará para a vida, pois é impossível tocar nas flores e não sair perfumado por elas. Durante 5 meses nos encontraremos para discutirmos e aprendermos acerca do cordel e, depois será a vez do teatro entrar em ação, numa bonita apresentação que faremos numa culminância. Isto prova a potencialidade da poesia e como as vidas podem ser mudadas pela literatura.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O ENCONTRO DOS DIFERENTES

 


Publicar um livro gera uma grande expectativa para o autor, porque pode ser um divisor de águas na carreira de quem faz da escrita o seu ofício existencial. É uma surpresa atrás da outra, porque ninguém sabe qual livro fará sucesso ou qual agradará ao público, se ela terá a cauda longa, como dizem no jargão literário. Por isso que escrever, é uma aventura sujeita a surpresas positivas e negativas, visto que às vezes, um livro já nasce fazendo sucesso ou parecendo ser um fracasso total, mas que futuramente pode deslanchar e se tornar um best seller.

Felizmente tenho tido sorte com as minhas obras, das mais de cem publicadas todas foram vendidas mais de mil exemplares, exceto as mais recentes que ainda não deu tempo e isto requer tempo para acontecer. Este livro O ENCONTRO DOS DIFERENTES nasceu fazendo sucesso, embora tenha sido deixado de lado por duas editoras. Em 2020 quando a pandemia matava quase quatro mil pessoas, entre negação da ciência e uma insegurança terrível, falei com o autor das ilustrações @valederioartes e ele liberou as xilos para serem publicadas. Comecei a publicar por demanda, e logo vendi cerca de 500 exemplares, depois a prefeitura de São Paulo comprou alguns milhares e assim segue seu caminho ascendente.

Este ano a rede de @angloalante adotou para seus alunos e nove unidades estão trabalhando com suas turmas com quase 500 alunos. Recentemente tem vendido dezenas de exemplares pelas plataformas digitais, o que se se torna mais um diferencial em minha carreira como escritor. Uma inspiração vinda a partir de um livro de pano feito pelas professoras @ins_evanice e Kelle e hoje se torna um referencial graças a temática que é trabalhada na obra. Viva o cordel brasileiro.

sexta-feira, 27 de março de 2026

PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE CORDEL

 


 







Entre os dias 20 e 22/03/2026, a cidade do Recife recebeu o I Congresso Brasileiro de Cordel, que reuniu poetas e pesquisadores de 16 estados, além de simpatizantes e amantes desse gênero literário. Foi um marco, tendo em vista ter sido um dos encontros mais representativos do gênero no país, isto sem contar com apoio institucional de nenhum governo, apenas a vontade e a garra das poetizas e poetas, que arregaçaram as mangas, desde o ano passado e organizaram este encontro. É de se celebrar efusivamente, porque foi na Veneza brasileira, onde Leandro Gomes de Barros, pai do cordel, começou a espalhar sua poesia e de lá os ramos se estenderam para se tornar um patrimônio nacional.

Lamento não ter estado presente, mas me senti representado por todos que tomaram parte nestas discussões, pois conversando com os participantes, as notícias são alvissareiras, se pensou o cordel como uma manifestação da cultura nacional, muito além do que tantas pessoas, erradamente se equivocam, dizendo que o cordel está restrito ao nordeste. As mesas de debates dos temas atinentes ao cordel, a criação de uma federação, mostram o empenho das delegações presentes.

Não podemos deixar de registrar a sensibilidade da poeta premiada e vereadora do Recife, @cidapedrosa65 que abriu as portas da Câmara Municipal para fazer uma sessão em homenagem ao Cordel Brasileiro e a todos os homens e mulheres de boa vontade que produzem essa literatura. A presença grande de mulheres discutindo e abraçando o cordel como profissão, é uma vitória que precisamos celebrar diuturnamente. A abordagem de temas como misoginia, machismo, racismo que faz alguns poetas torcer o nariz, se fez presente, afinal é preciso varrer do mapa da poesia, toda espécie de preconceito. O cordel não pode ser o ninho para abrigar as cobras preconceituosas de ninguém, e sem a presença das mulheres, esta discussão demoraria ainda mais um século. Lamentando minha ausência celebro com as mais de 150 pessoas que tomaram parte deste Congresso, um feito histórico e um legado para as futuras gerações de poetas e poetizas que virão. Porque fazer cordel é um ato político, você diz a quem a sua poesia vai servir: aos explorados ou exploradores?

segunda-feira, 23 de março de 2026

ESPAÇO CULTURAL SERTÃOPERIFA

 









Sábado passado estive na reinauguração do Espaço Cultural Sertãoperifa, no extremo da Zona Sul de São Paulo, local onde a comunidade terá oportunidade de fazer diversos cursos, entre eles violão, dança, arte de um modo geral, e a garantia de que os saberes serão preservados e compartilhados com quem se achegar para ser acolhido e acolher o que de melhor este espaço vai oferecer.

É sempre uma honra participar das atividades do Sertãoperifa porque vemos este encontro do sertão com a periferia da Pauliceia Desvairada cada vez mais fortalecidos por laços que tornam esta relação ainda mais bonita e potente. A cultura está por todos os recantos desta cidade e hoje sabemos que com o empoderamento das minorias, a periferia agora é o centro, que tem muito a oferecer a todas as pessoas abertas que querem beber nas fontes dos saberes ancestrais e empíricos.

Tudo isso só foi possível graças as políticas públicas dos editais que oferecem a condição de se montar algo digno e de qualidade para que todos tenham acesso aquilo que os artistas do projeto conseguem oferecer por meio de um serviço prestado com qualidade por meio uma equipe tão qualificada como é a do @sertaoperifa Viva a arte, viva a cultura.

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

LIVRO DE VARNECI CHEGA A CEM MIL EXEMPLARES VENDIDOS

 








O livro A BRANCA DE NEVE, atingiu recentemente, a impressionante marca de cem mil exemplares vendidos. Publicado pela @editorapandabooks no ano de 2011, é ilustrado por @andrea_ebert_ilustradora Esta obra tem me dado muitas alegrias: foi comprada pelo Ministério da Educação, adotado por várias instituições de ensino neste país e agora pela prefeitura do Rio de Janeiro, além de uma venda expressiva nas livrarias espalhadas pelo Brasil.

Como todos sabem, é difícil viver de literatura, mas graças a luta e as pessoas que acreditaram no meu trabalho, este ano completo 25 anos como escritor de cordel, pois fora deste gênero, publiquei apenas um livro. Vez por outra escuto alguém dizer, ser impossível viver de literatura, ainda mais sendo cordel, não discuto com quem apresenta tais argumentos, porém mostro a minha história que prova o contrário.

O livro A Branca de Neve se tornou meu Best Seller. Falo cheio de orgulho porque sei o quanto ele tem encantado, tanto as crianças, como os seus pais que são leitores e leitoras junto com elas. Atingir essa marca é significativo na história de qualquer escritor. Por conta dele, e os outros mais de 100 publicados, são quase trezentos mil exemplares vendidos, entre livros e folhetos. Deixo o registro de gratidão a todos os leitores e leitoras que acreditaram no meu trabalho e as editoras como a Panda Books e outras, que investiram seu dinheiro, para colocar no mercado um livro de minha autoria. Você que tem um sonho, alimento-o, porque é possível através da persistência, alcançá-lo.

quinta-feira, 19 de março de 2026

NO DIA DE SÃO JOSÉ

 


 Hoje, o meu sertão inteiro

Ajoelhado ou de pé

Agradece ou pede chuva

Ao querido São José

Que foi o pai, nesta terra,

De Jesus de Nazaré.

 

Quando chove no seu dia

O sertão tem a cultura

De plantar feijão de corda,

Milho, que a safra é segura

Para comer no São João

Porque dará com fatura.

 

É a crença e o respeito

Misturada a tradição

Um sentimento de fé

Futucando o coração:

Pode plantar que terá

A riqueza no São João.