quinta-feira, 5 de março de 2026

AS PALHAÇADAS DE ZÉ ARIGÓ

 


No Nordeste é comum encontrar gente fazendo humor sem a pretensão de ser humorista. Uma resposta perspicaz dada em tempo hábil e inesperado, produz gargalhadas gostosas e quebra a tensão. Ainda criança, ouvia uma pessoa repreender outra por não ter entendido uma explicação ou cometido uma gafe, chamando-a de Arigó ou Zé Arigó; e este nome nunca me saiu da cabeça. Em várias ocasiões chamei os amigos por este apelido, por esta razão escrevi este cordel sobre este humorista Zé Arigó que mesmo fora dos palcos era sucesso garantido entre os que conheciam sua perspicácia. Seguem as primeiras estrofes:

 

Quem sabe fazer humor,

Faz em grupo e até só;

Desata nó complicado,

Em pingo d’água dá nó.

Assim vocês irão ver,

Na prática, Zé Arigó.

 

Nascido e predestinado

Para produzir a graça,

Fazer o azedo soltar-se

Dentro do teatro ou praça.

E quem usa dentadura

Enfrentar a ameaça

 

De cair na gargalhada,

E ficar sem dentadura

Por conta das palhaçadas

Dessa engraçada figura.

Que levava os seus ouvintes

A verdadeira loucura.

 

Encantou a todo mundo

Somente arrancando riso.

Destilou calor humano,

Fez o que era preciso

Para espalhar alegria

Alocada em seu juízo.

 

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