No Nordeste é comum encontrar gente fazendo humor sem a pretensão de ser humorista. Uma resposta perspicaz dada em tempo hábil e inesperado, produz gargalhadas gostosas e quebra a tensão. Ainda criança, ouvia uma pessoa repreender outra por não ter entendido uma explicação ou cometido uma gafe, chamando-a de Arigó ou Zé Arigó; e este nome nunca me saiu da cabeça. Em várias ocasiões chamei os amigos por este apelido, por esta razão escrevi este cordel sobre este humorista Zé Arigó que mesmo fora dos palcos era sucesso garantido entre os que conheciam sua perspicácia. Seguem as primeiras estrofes:
Quem sabe fazer humor,
Faz em grupo e até só;
Desata nó complicado,
Em pingo d’água dá nó.
Assim vocês irão ver,
Na prática, Zé Arigó.
Nascido e predestinado
Para produzir a graça,
Fazer o azedo soltar-se
Dentro do teatro ou praça.
E quem usa dentadura
Enfrentar a ameaça
De cair na gargalhada,
E ficar sem dentadura
Por conta das palhaçadas
Dessa engraçada figura.
Que levava os seus ouvintes
A verdadeira loucura.
Encantou a todo mundo
Somente arrancando riso.
Destilou calor humano,
Fez o que era preciso
Para espalhar alegria
Alocada em seu juízo.

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