sexta-feira, 24 de julho de 2026

2. ALÉM DE MUSKA, ALGUNS PERSONAGENS E IMAGENS

 


Abaixo segue um artigo escrito por Maria Clara de Freitas Pereira e José Edilson de Amorim

 Aderaldo Luciano (2023), responsável pela produção editorial desse cordel, descreve a obra, no aviso ao leitor, como um poema em cordel que apresenta “a fragilidade humana diante do fracasso, as arestas psicológicas, quando a mente busca sua própria solução para o desespero e uma cartografia social da cidade, atormentada, ela mesma, por problemas aparentemente sem solução”. O texto é dividido em nove capítulos, todos intitulados; esses são intercalados pelas ilustrações de Leonardo Leal e fotografias de São Paulo. A capa já associa esses diferentes elementos, com uma fonte para o título que lembra revistas de super-heróis:

 

No primeiro capítulo (Lázaro), já há indícios interessantes na segunda e terceira estrofe do que nos espera:

 

A poesia contou-me/ Uma história detalhada./ Aconselhou-me baixinho:/ “Escrever é empreitada/ De pensamento profundo;/ De letra bem trabalhada.// Tenha clareza na escrita/ Para construir seu nome./ Capriche nos argumentos,/ Esqueça um pouco, retome./ Trate o cordel com carinho,/ Não lhe deixo morrer de fome.” (NASCIMENTO, 2023, p. 9-10)

 

Na Antiguidade, era comum invocar as musas para se fazer poesia, no cordel é habitual pedir o auxílio de Deus, mas, no caso em questão, o auxiliar é a própria poesia. Além disso, é uma poesia que considera a tradição escrita, o que podemos notar a partir de “escrever é uma empreitada”, “letra bem trabalhada”, “clareza na escrita”. Os poetas de bancada costumam associar aspectos da escrita e da oralidade ao se dirigirem ao público no início de seus textos. Segundo Márcia Abreu (1997, S.I), eles abarcam as duas possibilidades de recepção da literatura de cordel, então no mundo do cordel “escrever e falar, ler e ouvir” deixam de ser recepções distintas para serem equivalentes. Todavia, nesse primeiro momento, não há uma menção direta à oralidade; em vez disso, há uma ênfase no trabalho de escrita do cordelista, que entra na “empreitada de pensamento profundo” da poesia, precisando caprichar nos argumentos, esquecer e retomar, o que expressa de maneira mais clara o trabalho que esses artistas sempre tiveram ao mesmo tempo que mantém a ideia de uma entidade inspiradora.

Essa poesia, então, revela os personagens ao poeta. Assim, conhecemos Lázaro, psicólogo paulista, que “afinou talento com engenho cerebral”, de modo que alcançou excelência na profissão. Ele montou um consultório, ganhou muito dinheiro, conseguiu ficar famoso e até atendeu ao governador (p. 10-12). O capítulo 2 (Alice), conta como ele conheceu sua namorada na faculdade e, num “ímpeto juvenil”, casaram-se. Alice é descrita como moça, meiga e sonhadora, iria formar-se historiadora e, com o desejo de mudar o mundo, professora, porém esses planos são frustrados por uma gravidez inesperada (p. 14).

Nesse contexto, ela começa a ser oprimida pelo marido, que é descrito como leviano, egoísta, dominador, desumano, além disso, por pagar as contas “se julgava suserano”. Há um fato interessante nisso: tradicionalmente, os protagonistas masculinos apresentam uma caracterização oposta a essa. Para Abreu (1997, S.I), eles são “valentes, honestos, inteligentes, justos e fiéis às suas amadas”; como não há tanta menção ao físico, o aspecto fundamental é o caráter, mas nesse caso Lázaro não é um homem benevolente.

Sua misoginia e machismo, ao insistir que Alice esquecesse de vez a vida profissional, concorriam para “sepultar o jovem dos tempos da faculdade” (p. 16). É dito que houve abusos, pressão psicológica, ameaças, coações mais ousadas, inexistência de afagos e comportamentos hostis. É interessante lembrar que os vilões também são descritos a partir de atributos morais e, em muitos casos, a característica decisiva para o homem mau é a riqueza, “ser muito rico já é um indício de mau comportamento, deixando clara a relação estabelecida entre ser ‘rico’ e ser ‘malvado de profissão’” (Abreu, 1997, S.I). Para Lázaro, “o seu deus era o dinheiro”. Uma das particularidades desse texto está aqui: a caracterização tradicional de um vilão e o protagonismo encontram-se em Lázaro. Em meio ao choro e à dor, Alice foge, abdicando de seu filho, Lucas.

No capítulo 3 (Lucas), tomamos conhecimento que Lázaro vinga-se de Alice ao tentar fazer com que o filho esquecesse a mãe. O menino, aos seis anos, adoeceu e em pouco tempo morreu de câncer, o que gerou revolta. O pai diz ao médico: “Se Lucas perdeu a vida,/ Javé também faleceu./ Jesus não ressuscitou./ Aliás, sequer nasceu./ A alma é uma invenção,/ Segundo diz todo ateu.”, o que demonstra sua desesperança.

Mesmo assim, no capítulo seguinte (As ruas), ele questiona esse destino a Deus e encontra “o seu fundo do poço”. A sua mansão no Morumbi tinha uma “pirâmide de tristeza”, seu jardim, varanda e piscina perderam a graça, então ele começa a vagar pelas ruas.  Apesar da tentativa de ajuda de empregados, amigos e conhecidos, muitos não se importaram e fingiam não vê-lo. Lázaro:

 

Abandonado de si,/ Imerso em sua amargura./ Uma inquietação mental/ Desembocou na ruptura/ Com a vida luxuosa./ Consolidou-se a fratura.// Conheceu, da mendicância,/ A realidade crua./ Provou do fel do desprezo/ Que desagrada e tumultua./ Três meses depois estava em situação de rua (NASCIMENTO, 2023, p. 26).

 

Nesse sentido, o dicionário Michaelis traz três significados para a palavra Lázaro, sendo um deles figurativo. O primeiro é “indivíduo que tem lepra; leproso, morfético”; o segundo, “indivíduo coberto de chagas ou pústulas”. Já no sentido conotativo, “diz-se de ou indivíduo que vive à margem da sociedade; excluído, miserável, pária”, sendo esse o estado do nosso personagem. Podemos lembrar-nos do pobre leproso do Novo Testamento com mesmo nome (Lucas 16, 19-29), mas também do Lázaro irmão de Marta e Maria, e ressuscitado por Jesus após quatro dias de sepultamento (João 11, 11-44). Lázaro é o nome em português de Lazarus, que por sua vez é uma latinização do grego Eleázaros (Λαζαρος). No hebraico, El’azar (אלעזר), El (אל) significa Deus e ezer (עזר) quer dizer ajuda, auxílio, socorro. No Antigo Testamento, Eliezer (אֱלִיעֶזֶר) – “O outro se chamava Eliezer, pois Moisés havia dito: ‘O Deus de meu pai veio em meu socorro e livrou-me da espada do faraó’” (Êxodo 18, 4).

Nesse caminho, temos indício de sofrimento, mas também de auxílio. Nas ruas, Lázaro “Lembrava de coisas cruéis:/ Doença, morte, sepulcro,/Separação e revés./ Nisso chegou-lhe um cachorro,/ Deitou-se sobre os seus pés.” (Nascimento, 2023, p. 27, destaques nossos). A partir daqui, já que o personagem está nas ruas, não há apenas as ilustrações para abrir e fechar os capítulos, mas fotografias de São Paulo. Esta é a primeira, que aparece entre o capítulo 4 (As ruas) e o capítulo 5 (Lázaro e Muska):

 

De acordo com Marinho e Pinheiro (2012, p. 46), nos cordéis, “os desenhos acompanham os conteúdos”. A foto em preto e branco, assim, transparece a solidão e o abandono na selva de pedras, o que é reforçado pelo que parece ser um morador de rua. Nota-se também que há uma ilustração por cima da fotografia, o que se repete em todas as fotos; nesse caso, é um pássaro, o mesmo que aparece pela primeira vez no capítulo 1 (Lázaro), mas na cor preta (figura 6).

O capítulo 5 (Muska e Lázaro) mostra o início dessa amizade, entre o homem e o cachorro, um golden retriever inteligente, e os percalços pelos quais passaram, como morar na Cracolândia, ter rivais, escapar de revólver, esconder-se de inimigos e enfrentar marginais.  Um aspecto interessante é como a sensação angustiante de viver numa grande metrópole é expressa tanto por esses versos quanto pelas fotografias. Ayala (1997, p. 162) defende que, mesmo em casos de adaptações de histórias europeias, o leitor popular recebe as histórias “como se estivessem acontecendo em algum tempo no Nordeste, apesar das referências a locais europeus contidas no texto. Esta aclimatação não se faz apenas pela paisagem, mas principalmente pela linguagem”. Mesmo assim, nessa história em específico, somos constantemente lembrados de São Paulo, é a “cartografia social da cidade” dita acima por Aderaldo Luciano. A abertura do capítulo é esta:

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Quem quiser ler o resto do artigo acesse:

https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/r15o/article/view/7229

domingo, 12 de julho de 2026

SEMEANDO CORDEL

 








Quem decide viver de determinada arte, precisa se abrir para apreciar as demais artes para não se fechar apenas em seu mundo, pois o diálogo frequente irriga os rios de sua arte e pode tornar o seu jardim poético mais colorido. Um escritor deve frequentar o teatro, escutar música e ler outros autores para enriquecer seu vocabulário, e ter o que dizer as pessoas que investem em seu trabalho. No caso do cordel não basta apenas rimar, é necessário harmonizar para que se torne um poema cheio de encantamento e poesia. Rimar é a parte mais fácil, porém embelezar as estrofes com poesia, será o trabalho mais ardoroso a ser enfrentado.

Nestes 25 anos atuando como cordelista, percebo que a cada dia estou aprendendo algo sobre a cultura do cordel. A cada texto escrito, vem a seguinte pergunta: isto vai me conectar com as leitoras e leitores? É uma pergunta que nenhum autor tem a resposta, por isso que escrever é uma experimentação constante. Para nos conectarmos com as pessoas, um dos caminhos a seguir é o da emoção, pois ela vive a espreita e é o que realmente nos move, claro que se a emoção estiver desordenada, a razão dará o seu toque de equilíbrio.

Outra coisa que o capital fala muito é sobre a autoridade conquistada a respeito do que faz, mas esta espécie de “privilégio” será dada à medida que seus leitores forem reconhecendo seu trabalho e o tornando relevante. Muitos conquistam isto através de polêmicas, mas não sei quanto isso é bom para uma carreira. Baseado em minha experiência, digo a qualquer pessoa que está dando os passos iniciais em uma arte, que continue em frente, que semeie, mesmo que ninguém dê importância, porque não é pelo comportamento dos outros que você mudará o seu. Quem está convicto de uma coisa, basta a sua convicção, o resto é se lhe ajuda a crescer neste caminho de semeadura. Eu sigo plantando. Tenho colhido, perdido, irrigado, mas continuo semeando. Quem não desiste sairá da escassez para a fartura.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NO SERTÕES DE MINHA SOLIDÃO

 


 Acabo de ler esta obra poética do autor Juamis Tomaz que se assina como O Peregrino da Paz. De nascimento é juazeirense, porém é cidadão de Petrolina, ambas incrustadas no chão nordestino. Possui um coração que vibra com a nossa poesia e cultura pujantes. Funcionário público dedicado e poeta apaixonado pelas pegadas do profeta Jesus de Nazaré, levará quem se aventurar a ler esta obra, ao encontro de uma poética prenha de igualdade, de amor, carregada de utopia pela construção de uma sociedade sem explorador, muito menos exploradores.

A poesia do Peregrino da Paz é um grito que ecoa a quem está se acostumando com a indiferença, a ser guiado pelo hedonismo, onde o prazer pelo prazer tem se tornado mais importante do que se estender a mão para quem sofre. Um poeta corajoso que não tem medo de criticar os padrões doentios estabelecidos neste mundo, de denunciar a corrupção que rouba o sonho de milhões. A poética de Juamis é ao mesmo tempo denúncia e bálsamo, que sacode os que dormem em berço esplêndido, e não veem o sofrimento daqueles e daquelas que caem ao seu lado, jogados pelo capitalismo selvagem com sua ânsia desenfreada de lucro.

NOS SERTÕES DE MINHA SOLIDÃO é um convite ao mergulho em pensamentos e na luta pelo pão para quem tem fome e água para quem tem sede. É chamado singular a sermos pontes onde os muros foram erguidos. É um grito que ecoa da divisa da Bahia e Pernambuco para o resto do Brasil, que olhe os trabalhadoras e trabalhadores que ainda vivem espoliadas por uma escala 6x1 que o Congresso teima em não resolver. Que a poesia vinda das fímbrias do coração Do Peregrino da Paz possa calar fundo em nossa alma e nos impelir a arregaçar as mangas na luta pela justiça e fraternidade.

domingo, 5 de julho de 2026

O MISTERIOSO DRAGÃO DA ENCRUZILHADA

 


O não nascido Varneci Nascimento, que se batizou nas ruas com o sobrenome Cordel, é extremamente irritante para quem não gosta da literatura autêntica brasileira.

Sim! Vai ser nesse tom que vou falar dele. Com a auto estima que tantos estranham quando falamos da nossa arte.

O kit de invisibilidade não funcionou mais uma vez. De vez em quando eles deixam o filtro dos sonhos de alguns dos nossos funcionar.

A altura dos seus textos, são para poucos inocentes, mas não vamos falar mais de medidas por aqui. O autor em questão tem síndrome do túnel do carpo, porque gosta de rascunhar no papel, coisa da década passada pelo jeito.

Se você não conhece essa autarquia das palavras, saiba que sempre está trajado de camiseta leve e com algo estampado do cordel, chega até a irritar.

Não fosse o bastante, prefere usar chinelo, gosta de um pirão, e tem saudade dos bifes que sua mãe fazia.

A meta desse escrevinhador é que sua biblioteca fosse invadida, seus livros contaminados, pois os panfletos cresceram enquanto você dormia.

O Brasil é grande, mas não conhece sua grandeza.

Varneci é um invasor de cérebros, sua escrita conduz cadáveres, sua cólera é permanente e não vai ser difícil ver sua resistência em estações de metrô, em praças públicas, muitas vezes aglomerado com os seus.

Varneci, tem um defeito de fabricação, o S que faltou no seu primeiro nome, múltiplo para poder resistir a invisibilidade, nunca foi um. O plural é uma palavra tatuada em seu coração.

Aceitar dói muito menos, mas com os erros, entre eventos onde lhe cortavam o tempo, ou o estigmatizavam, Varneci foi aprendendo até chegar ao dobro dele mesmo. Um talento só nunca foi o bastante para nossa pequena gente grande, colecionadora de dinheiro

Não ler, muitas vezes nos faz sentir menos livres, mas também não sabemos o que direito é a tal liberdade, até folhear um cordel.

Petulante, salta de assuntos que você espera. Sim! Você espera algo de tudo. Mas dele só tem surpresa quando a rima finaliza.

Varneci Cordel, tira das eras dos dragões as questões climáticas, tudo é uma desculpa para corromper o HD que o sistema definiu para os leitores.

 

Ferréz - Oceano Atlântico, abril de 2024.

O restante está no livro

saiba mais em:

https://varnecicordel-com-br.lojaintegrada.com.br/o-misterioso-dragao-da-encruzilhada

sexta-feira, 3 de julho de 2026

LIVRO, INFELIZMENTE ATUAL

 


 

Quando publiquei este livro achei que logo deixaria de ser atual, mas infelizmente quatro anos depois, seguimos lutando para espantar o assombro que ainda nos ameaça. A força da maldade é poderosa, o extremismo deste grupo continua cada vez pior, ainda que seu líder esteja preso. A coisa tem se agravado tanto, ao ponto do Brasil ser punido com o tarifaço absurdo a pedido deles, o filhote de cobra, no lugar do pai, pediu que o Brasil fosse bombardeado, que nossa nação seja punida. E milhares acreditando que isto é patriotismo.

Saímos do mapa da fome, o país voltou a ser respeitado no cenário internacional, mas tem milhares que gostam de miséria e de lamber as botas do imperialismo estadunidense. São entreguistas, não sabem o que é soberania, enfim, a canalhice nos ameaça, e por isso, infelizmente meu livro, ilustrado com as brilhantes charges de Paulo Batista continua atual.

Uma obra com quase duzentas páginas que aborda vários aspectos da tragédia que vivemos durante o desgoverno passado, todavia não consegue esgotar, porque o mal tem um poder devastador. Precisamos continuar resistindo, defendendo a democracia, a soberania, a inclusão, a educação, nossas terras raras, nosso petróleo, enfim protegendo nosso país. Para isso, a literatura, a poesia são excelentes companheiros. Vá atrás, apoie e divulgue esta e outras obras que nos armam para enfrentar toda espécie de retrocesso, para que continuemos com o cordel, ESPANTANDO O ASSOMBRO BOLSONARENTO.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

DECOLONIALIDADE O QUE É?

 



Em um mundo cheio de polarizações políticas e ideológicas, é interessante aprendermos a pensar, guiados pelos bons livros, mas sem perder o velho e bom costume de criticar tudo aquilo que é posto como verdade, sobretudo quando estas supostas verdades estão enfeitadas pelos interesses escusos do mercado e do imperialismo. Fomos colonizados pela Europa, e demorou para conseguirmos a liberdade política, como está demorando a conseguirmos a liberdade no pensamento, porque nada pior e mais prejudicial do que um conhecimento colonizado, porém infelizmente é o que temos visto nos últimos tempos.

O império estadunidense está cada vez mais querendo impor a canga no pescoço de muitos países, e isto acontece por meio do conhecimento, do idioma imposto, da moeda que dominava o comércio mundial e que felizmente vem perdendo força. Tomar consciência disso, requer levantar a cabeça e se colocar contra aquilo que está posto como verdade. Quem foi que disse que temos que viver subjugado ao desejo de ninguém? Quem foi que disse que a América Latina é o quintal do império estadunidense? Quem foi que disse que o nosso petróleo tem que ser roubado e entregue aos estadunidenses? Eles mesmos disseram, porém não somos obrigados a obedecer.

Ser uma pessoa que pensa a decolonialidade é se colocar no seu lugar de agente da história e saber que a honra é inegociável, que ninguém, por mais forte que seja militarmente falando, vai dominar a sua cabeça. Alimentar essa convicção é algo que precisamos fazer conscientemente. No que escrevo sempre aponto nesta direção. Mas aí algum entreguista pode me dizer: do que adianta se uma andorinha sozinha não faz verão? Adianta sim, porque como dizia o indiano Mahatma Ghandi: “eles podem até me matar, e aí terão o meu corpo, mas não a minha obediência.”

Por essa razão escrevi este cordel sobre decolonialidade, precisamos repensar o modelo de sociedade que queremos, se soberana ou subserviente.