Escrever já é um privilégio, e na
minha condição, ele se acentua ainda mais, pelo fato de ser branco saio na
frente de muita gente na sociedade brasileira racista, que exclui as pessoas
negras, oprime e mata. Não é por acaso que seus corpos são os escolhidos para
as balas perdidas, não é à toa que na maioria da abordagem policial, quando
envolve pessoas negras, quase sempre elas sofrem algum tipo de violência. Pesquisas
comprovam que bandidos brancos armados, tem mais chances de escapar do que
pessoas negras, confundidas com bandidos e desarmadas. É uma lástima que o
racismo tenha construído uma sociedade que chegue a este nível de descabimento.
Por esta razão escrevi este
cordel, no qual falo sobre os meus privilégios, um assunto de difícil discussão,
sobretudo para os privilegiados que não querem perder nada, conquistado às
custas do sangue dos trabalhadores, principalmente os da periferia. A riqueza
de muitos fede a sangue dos trabalhadores de uma escala assassina chamada 6x1,
mas que tem partido de direita, trabalhando para não se acabar com essa infâmia,
mas que pobre imbecilizado vota nesta gente. Os donos dos meios de produção fazendo
lobby para manter os privilégios. O cordel é um excelente instrumento de conscientização.
Abaixo as primeiras estrofes:
Desde o meu nascimento:
Da família ao colégio,
No trabalho, na igreja,
Tenho tratamento régio
Por conta da minha cor
Sou cheio de privilégio.
Ao conhecer a verdade
É justo me tornar franco:
Admitir as vantagens
Na fila do show ao banco,
Encontro as facilidades
Pelo fato de ser branco.
Livra-me de preconceito,
De todo assédio moral,
Blinda de situações;
De agressão policial.
Homem cis com olhos verdes
Ganho respeito e moral.
Biótipo corporal
Também me beneficia.
Sou protegido de ser
Nominado de etnia.
A chancela da brancura
Dá falsa supremacia.
Quem quiser conhecer o restante da
obra, só me chamar imbox.

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