quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

MEUS PRIVILÉGIOS DE BRANCO

 


Escrever já é um privilégio, e na minha condição, ele se acentua ainda mais, pelo fato de ser branco saio na frente de muita gente na sociedade brasileira racista, que exclui as pessoas negras, oprime e mata. Não é por acaso que seus corpos são os escolhidos para as balas perdidas, não é à toa que na maioria da abordagem policial, quando envolve pessoas negras, quase sempre elas sofrem algum tipo de violência. Pesquisas comprovam que bandidos brancos armados, tem mais chances de escapar do que pessoas negras, confundidas com bandidos e desarmadas. É uma lástima que o racismo tenha construído uma sociedade que chegue a este nível de descabimento.

Por esta razão escrevi este cordel, no qual falo sobre os meus privilégios, um assunto de difícil discussão, sobretudo para os privilegiados que não querem perder nada, conquistado às custas do sangue dos trabalhadores, principalmente os da periferia. A riqueza de muitos fede a sangue dos trabalhadores de uma escala assassina chamada 6x1, mas que tem partido de direita, trabalhando para não se acabar com essa infâmia, mas que pobre imbecilizado vota nesta gente. Os donos dos meios de produção fazendo lobby para manter os privilégios. O cordel é um excelente instrumento de conscientização. Abaixo as primeiras estrofes:

 

Desde o meu nascimento:

Da família ao colégio,

No trabalho, na igreja,

Tenho tratamento régio

Por conta da minha cor

Sou cheio de privilégio.

 

Ao conhecer a verdade

É justo me tornar franco:

Admitir as vantagens

Na fila do show ao banco,

Encontro as facilidades

Pelo fato de ser branco.

 

Livra-me de preconceito,

De todo assédio moral,

Blinda de situações;

De agressão policial.

Homem cis com olhos verdes

Ganho respeito e moral.

 

Biótipo corporal

Também me beneficia.

Sou protegido de ser

Nominado de etnia.

A chancela da brancura

Dá falsa supremacia.

 

Quem quiser conhecer o restante da obra, só me chamar imbox.

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