domingo, 15 de fevereiro de 2026

UM QUARTEL DE CORDEL

 



Quando coloco a lupa em meus olhos e aproximo o passado do presente, vejo o quanto cheguei distante através levado pelo poder da escrita, que teima em deixar marcas nos seres que escolhem para serem arautos da palavra. Vinte e cinco anos depois de ter me embrenhado pela seara do cordel, vejo que atravessei desertos inabitáveis, plantando a semente da poesia, para colher frutos vindos pelas páginas dos livros que acalentam milhares de leitoras e leitores por este Brasil afora.

Escrever é uma tarefa ardorosa, exigente, é leitura constante e uma quantidade infinita de pesquisas para colher sementes e lançar no terreno fértil de cada leitor e leitora que passa a acreditar naquilo que o estro poético nos ofereceu. Hoje são mais de 100 obras publicadas, entre livros e folhetos, que já chegaram a milhares pessoas nos quatro cantos deste país. Vivo atrás da melhor palavra, do enredo agradável, da poesia potente para atrair e me fazer lido por aqueles e aquelas que abrem uma brecha e oferecem um lugar na sua estante para um dos meus livros fazer morada.

Esta forma poética me ofereceu espaços singulares no meio da literatura: minha primeira palestra aconteceu em uma faculdade para futuros Assistentes Sociais, a segunda para um grupo de professores e professoras, que em 2001, homenageavam o educador Paulo Freire. desde então pisei em escolas e universidades; casas de cultura, bienais, Sesc, Senac, formação pedagógica, programas de rádio e televisão, documentários, temas de mestrado e doutorado, apresentação em praças que acolheram este gênero literário. 25 anos, de gratidão e honra pelo que fiz, é continuar semeando entusiasticamente, com um diferencial, saber que o cordel já me proporcionou aprendizado e experiência, mas que pode me escancarar porta e janela no próximo quarto de século.

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