quarta-feira, 18 de abril de 2012

A PRISÃO DE OLIVEIROS E SEUS COMPANHEIROS




APRESENTAÇÃO

Durante muitos anos, o leitor habituou-se a ver este poema como prolongamento de A batalha de Oliveiros com Ferrabrás, ambos de autoria do mesmo autor. Observou, também, atento que é, uma mudança, que acreditamos ser para melhor, na qualidade dos nossos livros. Consideramos esse avanço importante para a história do cordel, da Luzeiro e de seus autores, visto que, uma nova roupagem, dá um novo dinamismo às edições. E uma apresentação gráfica mais rebuscada deve ser uma marca no cordel que atraia e conquiste admiradores.
Pensando no melhor para todos, resolvemos publicar a presente história separadamente, gerando um novo livro com letras maiores, facilitando a leitura e possibilitando que mais pessoas conheçam a obra de Leandro Gomes de Barros, sem contar que uma segunda história inserida numa publicação, dificilmente ganha a mesma notoriedade da primeira.
Embora A Prisão de Oliveiros e seus companheiros seja uma sequência de A batalha de Oliveiros com Ferrabrás, aquela sempre teve trajetória autônoma na história do cordel, ocupando um lugar de destaque merecido, dada a sua qualidade poética e rímica, traços tão presentes na obra de Leandro, o criador do cordel.
Como é do conhecimento de todos a modalidade preponderante no gênero é a sextilha e, em segundo lugar, a septilha. Nesta obra Leandro avança, inova e surpreende por fazer uma narrativa longa em estrofes de dez versos com sete sílabas. Descreve Oliveiros como um cavaleiro sem precedentes:

Oliveiros, aquele braço,
Não se curvava em perigo
E nunca achou inimigo
Que lhe fizesse embaraço —
Aquele punho de aço,
Mão que sempre foi temida,
Para a guerra escolhida
E por Deus abençoada —
Nunca desceu a espada
Que não tirasse uma vida!

Oliveiros venceu Ferrabrás e, sozinho, conseguiu matar três mil homens dos dez mil que vieram enfrentá-lo. Mas essa façanha não impediu que ele fosse preso pelos turcos e levado à presença do almirante Balão que, aconselhado por Burlante, o transforma em moeda de troca para ter o seu filho de volta. Oliveiros reconhece a grandeza de Ferrabrás e diz que era melhor ter morrido em suas mãos do que ter se tornado prisioneiro de Balão, o seu pai. O desfecho dessa história é surpreendente. Boa leitura.

Varneci Nascimento
São Paulo – 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

LUZEIRO RELANÇA DOIS CORDÉIS DE LEANDRO GOMES DE BARROS



A editora Luzeiro está relançando dois clássicos do grande poeta Leandro Gomes de Barros. Os títulos A FORÇA DO AMOR OU ALONSO E MARINA e A MORTE DE ALONSO E A VINGANÇA DE MARIANA. O seu autor lançou-as separadamente, depois foram compiladas em um único exemplar e agora visando facilitar a leitura, melhorar seu designer e sua estética foram editados separadamente. O segundo é o prolongamento do primeiro. Dois romances marcados pela valentia de uma jovem, o amor de um rapaz e a tragédia de ambos. É uma pena que os críticos e ditos conhecedores de literatura não conheçam a vasta obra tanto em tamanho, quanto em qualidade do pai do nosso cordel, mas fica o convite para quem quiser se aventurar a ler estes romances épicos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

UM LOBISOMEM NA BODEGA DO BRASIL



O Lobisomem da Avenida São João, primeiro romance de Costa Senna, terá seu lançamento neste sábado, 14 de abril, na Ação Educativa, no projeto Bodega do Brasil. 

. No formato 14x21 cm, o livro foi editado pela Conhecimento Editora, conta com 222 páginas, 

tem a capa desenvolvida por James Castro - impressa em papel couchet liso - e está sendo recomendado para o Ensino Médio e EJA. 

A narrativa fictícia é ambientada na cidade de São Paulo, na última década do século passado, e está carregada de recursos sutis 


A Pauliceia, cenário do surgimento do Lobisomem da Avenida São João, aparece nua, com seus personagens dicotômicos, 

O tratamento um tanto cinematográfico do enredo, impresso pela sagacidade de Costa Senna, ajuda a pontuar o frenesi caótico que 

a obra oferece. Mas o enredo é mais que isso, é também uma celebração da amizade. Afinal, Jano pode ajudar a transformar a maldição 

do amigo em uma bênção. Nesse redemoinho, de quem é o sonho? E o pesadelo? E qual é a esperança? 

Costa Senna revela seu grande potencial literário. Dotado de talento incomum, o multiartista (cordelista, cantor, compositor, poeta e ator), 

agora revela mais uma faceta de sua rica artesania artística. A leitura de O Lobisomem da Avenida São João dá um grande prazer. 



Mais informações, comEscobar Franelas – 11 9712-0653 (Vivo) e 6829-7529 (Tim) 
http://escobarfranelas.blogspot.com ou Carlos Moura – 11 3255-1568 e 8805-9171 (Tim). 


Serviço: 

Lançamento de livro 

Programa Bodega do Brasil 
Rua General Jardim, 660 - Vl. Buarque - ENTRADA FRANCA 

Contatos com Costa Senna 
Res.: (11) 2552-2443 
Cel.: (11) 9448-2049 
costasenna@gmail.com 
http://grupounirversos.blogspot.com 

segunda-feira, 19 de março de 2012

A FADA E O GUERREIRO


 
Este é mais um cordel que a Luzeiro retira dos seus arquivos para brindar seus leitores com uma das brilhantes obras do extraordinário poeta Delarme Monteiro da Silva. A Luzeiro tem procurado inovar e manter a tradição na gostosa mistura que tem feito com clássicos do passado e poetas gigantes da atualidade.

Veja as primeiras estrofes:

Deus é governo e juiz,
Promotor e advogado,
É duque, é vassalo, é rei,
É mendigo, é potentado,
Viajante e peregrino,
Guerreiro, forte e ousado.

Já houve tempos atrás
No reino da Palestina,
Um mancebo destemido,
Porém de linhagem fina,
Gostava de aventuras
Tinha vida peregrina.

Não respeitava fantasmas,
Nem duendes, nem visão.
Enfrentava lobisomens,
Não temia valentão
E na defesa dos fracos
Topava qualquer questão.

Certa noite caminhava
Numa montanha rochosa,
De repente ouviu um grito
Bradar uma voz chorosa
Valei-me pai piedoso!
Oh! Como sou desditosa.

A capa é de André Mantoano
ISBN 978-85-7410-071-5

Mais informações entre em contato com a Luzeiro
(11) 5585-1800


domingo, 11 de março de 2012

ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO



Organização de Marco Haurélio

A Global Editora, mantendo seu firme propósito de publicar temas ligados à brasilidade, leva a literatura de cordel mais uma vez às livrarias. Sob a organização do poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira Marco Haurélio, Antologia do cordel brasileiro chega ao catálogo da editora. 
Para os envolvidos e estudiosos do assunto, são notórias a dúvida e as discussões acerca da origem do cordel. De onde veio? Como surgiu? Quando foi seu início? O que se sabe com segurança é que a literatura de cordel é uma arte cada vez mais presente e manifestada nas feiras e praças não só do Nordeste como também em outras regiões do Brasil. 
Marco Haurélio coligiu os textos desta antologia de maneira que o resultado mostrasse ao leitor quanto está apurada a literatura de cordel no Brasil. Os textos que compõem a coletânea são assinados por cordelistas de diferentes gerações. A obra é totalmente ilustrada com xilogravuras de Erivaldo, um dos nomes mais representativos dessa arte e o responsável por mais de uma centena de ilustrações em livros e folhetos de cordel. 
Como não poderia deixar de ser, Leandro Gomes de Barros, considerado por muitos o pioneiro deste gênero, abre o livro com o cordel “O soldado jogador”. Também estão presentes na Antologia do cordel brasileiro histórias de José Pacheco, Manoel D’Almeida Filho, Antônio Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. A força da atual geração de cordelistas é verificada nos textos de Pedro Monteiro, Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo da Silva e Klévisson Viana, entre outros. 
Nesta obra, o leitor terá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde aqueles inspirados no conto maravilhoso, ou conto de fadas, como outros em que predominam mitos da Grécia Antiga e até alguns que deitam raízes nas histórias de animais. 
Marco Haurélio chama a atenção do leitor para a importância desta antologia por ser a primeira a apresentar autores de todas as gerações do cordel no Brasil: “Os poetas contemporâneos, em especial, quase sempre são deixados de lado pelos estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”. 
Diferente do que muitos pensam, a literatura de cordel está cada vez mais viva e, nos últimos anos, tem ultrapassado a fronteira dos folhetos e dos livros. Prova disso é a sua presença marcante em diferentes manifestações artísticas. Em 2011, a telenovela Cordel Encantado, veiculada pela Rede Globo, obteve índices consideráveis de audiência. Neste ano de 2012, no Carnaval do Rio de Janeiro, a tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, representada pelas cores vermelho e branco, levará à Marquês de Sapucaí o tema “Cordel Branco e Encarnado”. 
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Sobre o organizador: Marco Haurélio, poeta popular baiano, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e palestras sobre cordel e cultura popular em todo o Brasil. É autor de vários livros para adultos e crianças. Pela Global Editora, publicou Meus romances de cordel, uma coletânea de suas melhores composições. 

Título: ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO 
Organização: MARCO HAURÉLIO 
Editor: Gustavo Henrique Tuna 
Páginas: 256 

Preço: R$ 37,00 


sexta-feira, 9 de março de 2012

A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO – UM CLÁSSICO DO CORDEL



APRESENTAÇÃO

Nenhum personagem foi mais descrito pelo cordel do que Lampião. Sem sombra de dúvida, essa literatura ajudou a mitificá-lo, pois na linguagem cordeliana é o assombro do sertão. Dizem até que o poeta que se preza, terá dedicado ao menos uma obra ao cangaceiro. Encontramos viagens poéticas sobre ele no gracejo, ficção, bravura, crueldade, bondade, religiosidade, enfim centenas de títulos descrevem o homem temido e respeitado, amado e odiado por muitos.
Há quem diga que Lampião era líder de um movimento social, outros apenas um facínora da pior espécie. Confusões e distorções a parte, o certo é que existem clássicos a seu respeito que ultrapassam gerações e encantam leitores dos mais variados. Lembrando alguns citamos Os cabras de Lampião de Manoel D’Almeida Filho, considerada a melhor biografia de Virgulino e seu bando. Lampião o Rei do Cangaço de Antônio Teodoro dos Santos, e outro título interessante Lampião e sua história toda contada em versos de Antônio Américo de Medeiros.
Na ficção, são incontáveis as obras acerca do pernambucano que deu muito trabalho as volantes e que na visão do poeta Costa Senna, só foi possível, porque teria uma proteção misteriosa apontada em Lampião e o seu escudo invisível. A chegada de Lampião no céu de Rodolfo Coelho Cavalcante é mais um clássico; Lampião e Maria Bonita no Paraíso, tentados por satanás de Jotabarros; A chegada de Lampião no Purgatório de Luiz Gonzaga de Lima entre outros. No entanto, indubitavelmente o mais famoso, é este que tem a primeira estrofe bastante conhecida:

Um cabra de Lampião,
Por nome Pilão-Deitado,
Que morreu numa trincheira
Um certo tempo passado,
Agora pelo sertão
Anda correndo visão,
Fazendo mal-assombrado.

Pelo intróito percebemos que é uma ficção carregada de bravura, graça e poesia. José Pacheco, cônscio de sua arte, leva seu leitor a lê-lo avidamente, ansioso pelo desfecho. Descreve minuciosamente como se deu a visita do cangaceiro ao local conhecido por todos como do mal. Imagens como estas, reforçam cada vez mais que Virgulino Ferreira era tão valente que enfrentava até mesmo o diabo.
Neste mesmo folheto acompanha A grande briga de Lampião com a moça que virou cachorra. A peleja ocorre numa sexta-feira da Paixão, dia que, segundo a tradição cristã é de reflexão sobre a morte do Cristo, no entanto Lampião, valente que era não teria respeitado.
Na Peleja dum cantador de coco com o Diabo, o autor insere uma linguagem própria da embolada, e por destoar da tradição cordeliana, não contém suas características fundamentais, diferentemente do texto O prazer do rico e o sofrimento do pobre, que fecha esta publicação, onde Pacheco, mostra sua capacidade poética, numa síntese magistral da vida do rico e do pobre. Boa leitura a todos.

Varneci Nascimento
São Paulo - 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

PELEJA DO CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO DO TUCUM



Nota. Este cordel de Firmino Teixeira do Amaral ganhou uma nova roupagem na reedição feita pela editora Luzeiro. Abaixo segue a apresentação da nova edição:

A peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, escrita por volta do ano de 1916, está entre os clássicos do cordel brasileiro. Apesar do preconceito, presente em toda narrativa, a obra ultrapassou esse limite, porque nela as pessoas veem que a cor da pele e a cegueira não são obstáculos para nenhum ser humano chegar aonde deseja. Todavia é necessário entender as circunstâncias em que a peleja foi concebida.
Não que justifique, mas na época, em que a obra foi escrita, o fim da escravidão ainda era recente na história do Brasil. Foram mais de três séculos de exploração servil, violência e assassinato. Várias gerações brancas oprimiram os negros, bem como milhões desses irmãos nasceram condenados a privação da liberdade. Daí porque, uma coisa entranhada por muitos séculos na cabeça das pessoas, aparece também na pena de Firmino.
Aos cegos também faltou apenas o trabalho forçado, mas quem tinha esta deficiência sempre foi condenado a viver trancado, vítima duas vezes, da cegueira e da indiferença. A sociedade, historicamente hipócrita, sempre lhe dispensou agressões, desrespeito e humilhações.
Por muito tempo atribuiu-se a autoria deste cordel ao próprio Cego Aderaldo, que nunca fez questão de desmenti-la. As duas personagens, tanto o Cego quanto o Zé Pretinho, são vítimas, dos mais nefastos preconceitos, um por conta da cegueira e o outro pelo fato de ser negro, respectivamente. Talvez o preconceito contido no texto fosse até inconsciente, porque enquanto o Cego não ganha a disputa, o negro é exaltado por todos os presentes na cantoria e Aderaldo, mesmo diz que para Zé Pretinho serviram um lauto jantar, a ele restou apenas um café e umas bolachinhas minguadas.
No início da cantoria o Cego Aderaldo começa a elogiar Zé Pretinho mas, este, se achando superior, por supostamente pensar que o cego está distante da cultura, como se a cegueira prejudicasse os outros sentidos, lhe ofende chamando de coxo,  bruto, etc...
O guia de Aderaldo o alertou para que tomasse cuidado com o Zé Pretinho, talvez por isso, Firmino coloca na boca do Cego as seguintes palavras:

Então eu disse: — Seu Zé,
Sei que o senhor tem ciência —
Me parece que é dotado
Da Divina Providência!
Vamos saudar esse povo,
Com sua justa excelência!

Mas essas palavras elogiosas darão lugar a outras muito agressivas. Por isso, pesquisas mostram que perto do fim da vida, o cantador que usara rabeca, instrumento incomum na cantoria, teria pedido desculpas a comunidade negra, pelo seu cantar ofensivo. Todavia, se o Zé Pretinho tivesse existido, certamente, por uma questão de consciência moral, haveria de se redimir com os cegos, pelo seu tratamento rude.
O valor literário dessa obra é imensurável dada a sua capacidade de provocar reflexão em torno do preconceito. O professor pode usá-la na sala de aula no debate dessa chaga ainda presente em nossos dias. Avaliar a obra e não seu autor, é a prática coerente dos bons críticos, portanto se alguém disser que Firmino seja o que aparenta na peleja, pode cometer um erro. Questões a parte, este piauiense é considerado um dos grandes poetas do Brasil, a quem o cordel lhe rende homenagens.
A segunda história contida nesta publicação é a Peleja do Cego Aderaldo com Jaca Mole, este primo do Zé Pretinho. Como toda boa peleja segue na linha do desafio e demonstração de conhecimento de ambas as partes. Mais uma vez o Cego sai vitorioso.

Varneci Nascimento
Poeta cordelista

sexta-feira, 2 de março de 2012

HISTÓRIA SERTANEJA DO VALENTE ZÉ GARCIA



João Melchíades Ferreira da Silva

Nota. Este cordel de João Melchíades Ferreira da Silva foi muito deturpado ao longo da história e agora ganhou uma nova roupagem na reedição feita pela editora Luzeiro. Tivemos o cuidado de pegar uma das edições mais antigas para chegarmos o mais próximo possível do original. Abaixo segue a apresentação:

No início do cordel brasileiro, houve pouca preocupação com a questão autoral, por isso, é comum encontrar pessoas se apoderando da obra de outrem, como a velha conhecida história do Pavão Misterioso para citar aqui o caso mais famoso que envolve este autor.
O leitor da Luzeiro, atento que é, deve ter notado uma significativa mudança na roupagem do nosso material impresso nos últimos anos, pois cordel é literatura e como tal, merece um tratamento digno pela grandeza e beleza que possui.
A presente obra foi muito deturpada ao longo dos anos, e sem querer buscar culpados, mas tratar a história do cordel com zelo, fomos atrás de edições mais antigas onde descobrimos que até seu nome foi alterado de História sertaneja do valente Zé Garcia para História do valente sertanejo Zé Garcia. Assim, o personagem que é do Seridó passou a ser sertanejo, sendo que, quem é sertaneja é a história.
O título original tem um ritmo cadenciado próprio do cordel, o que não acontece na segunda nomeação, todavia isso não é o mais grave, o pior é a falta de respeito à memória do seu autor João Melchíades Ferreira da Silva.
No texto procuramos chegar o mais perto possível do original, pois a edição anterior estava eivada de equívocos, que um autor desse quilate dificilmente cometeria.
Uma das pioneiras na publicação do cordel, a Luzeiro tem o dever cultural de ficar atenta para que essa literatura seja cada vez mais respeitada e valorizada e a memória dos autores respeitada.
Neste clássico veremos o jovem José Garcia, vítima de calúnia, pela qual seu pai manda-o para a casa de um amigo a fim de livrá-lo da fúria do cangaceiro Militão que vai ao tenente João Garcia alegando que José teria mexido em sua filha. Como não devia nada, o rapaz só aceita viajar por obediência ao pai e não por medo de briga e acusações levianas.
Na casa do capitão Feitosa, Zé Garcia mostra que de fato é um homem destemido, pois além de excelente vaqueiro, o único capaz de enfrentar o touro “Saia Branca” temido por todos da região, se engraça por Primarosa, filha do coronel Cincinato, moça que ele carrega com a ajuda da filha de Feitosa para quem arruma um irmão seu para se casar com ela.
Eis, portanto um enredo cheio de tramas e confusões. Será que o amor triunfará? Vale a pena descobrir lendo mais essa fascinante história.

Varneci Nascimento
São Paulo, 2011.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ABC DOS NAMORADOS, DO AMOR, DO BEIJO, DA DANÇA




Este cordel de Rodolfo Coelho Cavalcante ganhou uma nova roupagem na reedição feita recentemente pela editora Luzeiro. Abaixo segue a apresentação:

Os ABCs sempre estiveram presentes por todo Nordeste e constituíam-se verdadeiras obras poéticas, recitadas em várias ocasiões, por aquelas pessoas de mentes prodigiosas, que conseguiam decorá-las e declamá-las nas “rodas de ouvintes”. Foram a diversão de várias gerações que não tiveram a oportunidade de conhecer o rádio e a televisão.
Ainda criança, em Banzaê – BA, no pequeno povoado chamado Salgado, lembro-me que os ABCs eram escritos a cada ano e sua leitura feita no Sábado de Aleluia, dia da malhação do Judas. O texto normalmente composto em sextilha, ia além das letras do alfabeto, visto que, a narrativa tratava-se do testamento que supostamente o Judas deixara, e agora, com a sua morte, a herança teria de ser repartida com os moradores daquele povoado. Cada estrofe falava de uma pessoa e nela deveria constar algo característico: um defeito, uma virtude ou até um segredo do herdeiro. Veja o exemplo abaixo:

Meu prezado amigo Aloncio,
Gosta de se diverti.
Deixo uma corda de náilon
Uma canga e um “canzi”
Tocador de violão,
Cantador de batalhão
Namorador no Muriti.

A personagem retratada é bem caracterizada pelo poeta Pedro da Silva Macêdo, pois lhe deixa a corda de náilon e o canzil porque a “vítima” por assim dizer, possuía uma junta de boi e tanto a corda quanto o canzil são instrumentos essenciais em um carro de boi. O violão é devido ao herdeiro saber tocar; o cantador de batalhão referia-se as improvisações que Aloncio fazia nos batalhões e o namorador no Muriti, é porque estaria de caso com uma mulher nesse povoado. São “verdades” e coisas comuns da vida da pessoa que aparecem na composição literária.
No caso do ABC de Judas variava muito a quantidade de estrofes dependendo de quantos moradores seriam envolvidos naquela brincadeira. As vezes havia confusão por causa do abc, sobretudo se alguém estava encrencado com alguma pendenga e tinha medo de ser revelado no Testamento do Judas.
Rodolfo Coelho Cavalcante, nesta sua obra, cujo contrato de publicação foi assinado em 17 de julho de 1957 pela editora Prelúdio, antecessora da Luzeiro, colocou apenas as letras do alfabeto, apesar de tratar de quatro temas: ABC dos Namorados, do Amor, do Beijo e da Dança. O leitor compreenderá que, em alguns casos, o texto está preso as circunstâncias do seu tempo, por exemplo nas seguintes palavras: hontem, escrita com H; quilômetro grafada com K. Uma mudança poderia perder o sentido do que o poeta quis dizer, por esta razão recorremos à velha e famosa licença poética. O que também justifica a sua manutenção é que esta unidade de medida abrevia-se por km.
As palavras quando e cai, escritas com K, achamos por bem mantê-las, para não descontextualizá-las, todavia alguma outra palavra que não mude o estilo do autor e a compreensão do texto e do contexto, houve uma pequena adequação.
É bom que se diga que o poeta tinha plena consciência quando alterou a grafia de algumas palavras, para que os desavisados não continuem a pensar que sendo cordel, é feito assim mesmo, e não tem problema de ser errado. Os que picham os cordelistas de semi-analfabetos deveriam perceber com clareza, a evidência de que Rodolfo recorreu a “licença poética”.
Aqui uma sincera e fiel homenagem à memória deste homem que mais lutou em prol dessa arte.

A Rodolfo Coelho Cavalcante
Que escreveu o ABC dos Namorados,
Do Amor e do Beijo pra o amante,
O da Dança para os sapateados.
Obrigado querido menestrel,
Por ser líder do mais belo plantel,
Exigindo respeito pra o cordel,
Fará parte dos imortalizados.

Varneci Nascimento
São Paulo – Novembro de 2011


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A SAGA DE BERENICE COM SEU BOIZINHO ENCANTADO



Este é o cordel de autoria do poeta João Gomes de Sá, premiado pelo Ministério da Cultura, no edital Patativa do Assaré - 2010.

A Saga de Berenice com Seu Boizinho Encantado nos remete aos mais belos romances de cordel, cuja temática central está atualizada; pontuando conflitos que permanecem até os nossos dias, como por exemplo; a questão agrária, o descaso dos poderosos com a população carente, a exploração do menor abandonado e o inchaço das grandes cidades gerando mais pobreza nas periferias das metrópoles, todavia; é um livro de encantamento, pois o autor consegue nos transportar para um mundo maravilhoso, onde tudo é verdadeiro e todos os nossos desejos são realizados. Ainda assim, fica uma dúvida: o Vale do Mucunã existe ou irá povoar sempre o nosso imaginário? Boa viagem, digo; leitura!

Maria José de Freitas

MAIS INFORMAÇÕES

Mais informações sobre este cordel entre em contato com o seu autor pelo e-mail: jgsacordel@ig.com.br

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

NO REINO DOS IMBUZEIROS




Este é o cordel de autoria do poeta Aldy Carvalho, premiado pelo Ministério da Cultura, no edital Patativa do Assaré - 2010.

No Reino dos Imbuzeiros, trata dos conflitos humanos, a busca da essência humana, o dilema em saber distinguir o real do irreal, o eterno do transitório, focado no universo mítico do sertão que se manifesta tão universal e transcendente.

MAIS INFORMAÇÕES

Mais informações sobre este cordel entre em contato com o seu autor pelo e-mail: pazinko@gmail.com

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OS TRÊS FIOS DE CABELO DO DIABO




Esse é mais uma obra contemplada pelo Prêmio Mais Cultura – Edital Patativa do Assaré – 2010. O texto de Josué Gonçalves de Araújo foi ilustrado por Severino Ramos.

Abaixo a APRESENTAÇÃO

A figura do diabo popularizou-se no Nordeste brasileiro com o cordel. Todavia, diferente daquele elemento medonho, dono de maldades e tenebroso, oriundo da magia negra, senhor das trevas, encontramos nas sextilhas cordelísticas um ser que, apesar de conservar sua face maligna, transforma-se em uma ferramenta de riso, secretário do humor, ambulante carrancudo da gargalhada. Parece paradoxal, mas foi a forma de os leitores e ouvintes verem-se vingados.
Portador de alcunhas as mais diversas, o infiel desfila, neste poema que apresento, como o coisa-ruim, o tinhoso, chifrudo, capeta, arrenegado, bicho-papão, transformando-se de encarnação do terror em oráculo da benignidade ao revelar, sem o saber, os enigmas necessários ao herói do poema para que seja bem sucedido em sua missão. É o conto de Grimm adaptado às estrofes clássicas do cordel. É a representação universal do vencedor que todos ousamos ser. O caminho para a redenção dos depauperados, pelas artes mágicas.
Josué estreou no cordel, na Luzeiro, com uma trama original O coronel avarento (ou O homem que a terra rejeitou) e seguiu o caminho com O mistério da pele da novilha. Antes, embrenhara-se pelo conto e pelo romance, treinou sonetos, mas foi no embate com o cordel que sentiu ter encontrado seu caminho. Segundo diz, iniciou-se tarde. O cordel, entretanto, alojou-se em seu coração desde quando ouviu, pela primeira vez, os antigos versos das histórias pioneiras jorrando da leitura ritmada de Sá Maria, sua avó.
O valente João Acaba-Mundo foi seu herói primevo, seu modelo, durante aqueles primeiros dias, posteriores à audição. Ali, o cordel escolhera mais um. Passados 50 anos, escreve sua primeira página cordelial. Movido pela ansiedade, satisfeito com a receptividade de estreia — o meio cordelístico paulistano o abraçara —, coisa que move todo iniciante, Josué partiu para a produção e publicação de suas histórias. Seu encontro com a Caravana do Cordel foi decisivo, amadureceu sua prática poética e estabilizou sua necessidade de escrever.
Agora, senhor do seu ofício, conhecedor das nuanças caprichosas dessa forma poética, foi agraciado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura. Todos nós nos emocionamos ao vê-lo em segundo lugar, ultrapassado apenas pelo Mestre Azulão. Este folheto é o produto vencedor. Encontraremos uma letra leve e escorreita, que sabe narrar e descrever. Em suas rimas ouviremos a boa sonoridade desejada. Em sua métrica o resultado do estudo aplicado.
Com a publicação de Os três fios de cabelo de ouro do diabo, consolida-se em seu labor literário, cumprindo, assim como o filho da sorte de seu cordel, mais uma etapa de sua missão. Sabendo que o rio, com seu barqueiro mal humorado, ainda está longe de se fazer presente, acreditamos que sua inspiração nos presenteará em breve com outra história original, saída diretamente para o cordel, oferecendo-lhe o caminho da continuidade criativa. Josué sabe, com todas as certezas, que é o cordel quem escolhe e não o poeta.

Aderaldo Luciano, doutor em Letras
Rio de Janeiro, novembro de 2011

Mais informações sobre este cordel entre em contato com o seu autor pelo e-mail: josuegaraujo@gmail.com

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

RINO O RATO QUE ROEU A ROUPA DO REI DO ROMA



Este é o cordel de autoria da poetisa Cleusa Santo, uma paulista que encontrou nessa literatura a maneira de se comunicar com o mundo e tem semeado a poesia onde quer que vá.

RINO O RATO QUE ROEU A ROUPA DO REI DO ROMA é a sua obra contemplada pelo Prêmio Mais Cultura – Edital Patativa do Assaré – 2010. A obra foi ilustrada por Anderson Siqueira.

ABAIXO A SINOPSE DA OBRA:
Rino não aceita a sua condição de rato pobre e por isso planeja viver dias melhores. Numa cartada de mestre conseguiu chamar a atenção do rei. O que ele terá feito? Como conseguiu a proteção do monarca? Como passou a viver depois de conhecer a majestade? Descubra todas essas respostas lendo mais este cordel...

AS PRIMEIRAS ESTROFES DO CORDEL:
Narrarei aqui um fato
Atraente, genuíno.
Sobre um ratinho romano
Que queria ser grã-fino.
Esperto e determinado
E o seu nome era Rino.

Todo dia ao acordar
Já ia raciocinando:
— Eu vou embora daqui
Não estou mais aguentando.
E de morar no palácio
Seu desejo ia aumentando.

Para conhecer a história completa entre em contato com a poetisa pelo e-mail: cascordel@yahoo.com.br

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O MARTÍRIO DE UMA MÃE PELO FILHO DROGADO



 Nota: Este cordel foi premiado pelo Prêmio Mais Cultura - edital Patativa do Assaré – 2010 e aqui está a apresentação da obra.

Há algum tempo li um cordel intitulado A peleja de Aloncio com Dezinho. Fiquei entusiasmado com a possibilidade de ver as pelejas voltando às raias do cordel. Surpreendi-me mais ainda porque aquela não era uma peleja tradicional, como nós conhecemos, retratando o ambiente de uma cantoria, com dois cantadores disputando proezas e trava-línguas. Transcendia a tradição e apresentava, em um trabalho poético-antropológico, um mecanismo social conhecido como batalhão, praticamente desaparecido da região de Banzaê, cidade do norte da Bahia.
O motivo do batalhão era um mutirão de homens que escolhiam a roça daquele mais precisado para capinar e preparar a terra para o cultivo de uma lavoura. A motivação era servida pelo canto coletivo, um ritual no qual os cantos de trabalho determinavam a disposição dos trabalhadores. Mas esse canto era diferente: regiam-no dois poetas repentistas, improvisando seus versos, intermediados por um refrão. Ao invés do som monocórdio das violas, o ritmo se dava pelo atrito das enxadas no solo e a solfa, a melodia, repetia-se de uma fonte ancestral indeterminada.
Em minha tese de doutorado repeti a primeira estrofe do folheto, que não colocarei aqui para obrigar o leitor a buscar essa peleja com o próprio autor. Na época, afirmei ser uma das mais belas aberturas de cordéis que eu já lera. Jorrava sensibilidade e a rima certa, o metro perfeito: a exatidão. Prosseguia de forma idêntica por mais sete ou oito estrofes até o narrador sair de cena e oferecer voz aos repentistas. Dados os motes e os temas, lá iam eles capinando, como se a roça fosse uma imensa catedral a céu aberto por onde ecoava o canto gregoriano dos que afagavam a terra buscando sua misericórdia, a fertilidade.
O autor construía, assim, o seu marco diferenciador: o registro de uma tradição asfixiada. Pois bem, agora faço a apresentação deste novo trabalho do mesmo poeta. Outra fase norteia seu trabalho. Com mais de duzentos títulos escritos, já despediu-se a tempos dos escritos intuitivos, assumindo a rédea arrazoada do seu fazer poético. Marca de sua produção é o seu compromisso social. Historiador que é, transporta para seu cordel a reflexão sobre os fatos decisivos da história nacional, leiam-se O massacre de Canudos e O cangaço sustentado por coronéis.
Não fica nisso, trafega pelo gracejo com desenvoltura. Veja-se o caso de Iniciação sexual na zona rural, no qual cria, para a reflexão sobre os ritos de passagem ligados à sexualidade, um ambiente de humor para suavizar as situações vexatórias típicas aos pré-adolescentes. O seu nome inscreve-se na história do cordel brasileiro. Este seu poema, que apresento, consolida o seu lado de humanista, preocupado com a ética e com os caminhos da sociedade e, mais, é o texto agraciado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré. Varneci Nascimento é referência do cordel em São Paulo. Como se diz em suas costas: — É uma autarquia!

Dr. Aderaldo Luciano

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

I SALÃO DA LITERATURA DE CORDEL DE GUARANÉSIA




Dia 27/01/12(sexta-feira) saída de São Paulo a partir da 06 horas.
.João Gomes de Sá(AL) & Maria José-AL(esposa)
.Aldy Carvalho (PE)& Leny-CE(esposa)

Dia 28/01/12(sábado)
.Marco Haurélio-BA
.Cacá Lopes-PE
.Varneci Nascimento-BA
.Aderaldo Luciano(PB)*
.Pedro Monteiro(PI)*