sábado, 9 de junho de 2012

EMEF PROFª “TEREZINHA EIIZABETH SARUBBI SEBASTIANI”













- manhã: 250 alunos - tarde: 292 alunos
- Noite: EJA - 82 alunos + 9º ano (29 alunos) = 111
Data: 11/05/2012

Os alunos foram levados ao pátio e como as demais escolas foi necessário fazer a divisão em dois grupos e as duas palestras se transformaram em quatro tudo isso por conta da quantidade alunos.
As palestras transcorreram de maneira satisfatória, um grupo de alunos interessante. Tanto o grupo da manhã quanto o da tarde era muito bom, todavia no da tarde destaco a aluna Vanessa, outra menina que já conhecia o cordel através da mãe e do avô e ela nos contou como esse contato se deu. Após o fim da palestra ela veio me contar uma história de cordel que a mãe mostrou para ela, através de uma gravação que sua mãe fez antes de seu avô morrer e ela conta que nunca mais esqueceu aquela fascinante história. Foi algo que me encantador encontrar aquela menina cheia de coisa boa para dizer.
O encontro da noite foi interessante. A turma da EJA e outra que não era da educação de Jovens e adultos. Dois alunos tentaram atrapalhar, mas foram logo corrigidos pelos professores. A semana de palestra em Boituva foi fechada com chave de ouro.

domingo, 3 de junho de 2012

CORDELISTA NA EMEF “HÉLIO ZACHARIAS”








- manhã: 340 alunos
- tarde: 340 alunos
Data: 10/05/2012

Durante a manhã estava prevista a participação de 340 alunos na palestra um número expressivo, por isso pedi a direção e aos professores para dividirem em dois grupos, o que deu cerca de 170 em média. Estava temeroso, todavia, quando a coordenadora abriu o evento e me apresentou, dizendo em seguida, que precisava do silêncio e da colaboração deles, ninguém ouviu mais nenhum aluno dizer uma palavra e nem foi preciso professor reclamar, só abriram a boca na hora das perguntas, cada uma diga-se de passagem mais inteligente do que a outra.
Fiquei impressionado, mas ainda permaneci quieto, esperando a vinda do segundo grupo da manhã, e o grupo veio e novamente mostrou disciplina ainda mais exemplar. Fez-se quase um silêncio fúnebre e a voz daqueles alunos mais uma vez só foi ouvida na sessão de perguntas. Essa segunda turma foi ainda melhor do que a primeira. Sair daquele pátio impressionado e ao chegar à sala dos professores fui investigar a razão daquela postura, pois de tão normal me assustou, e a resposta dos professores foi de que aquele colégio atende muitos alunos da zona rural.
Voltei a tarde àquela encantadora escola e para minha surpresa as turmas da tarde quase superam as da manhã em disciplina e simpatia.
Durante o período da tarde foi-me apresentado o trabalho feito por uma aluna já para o Projeto meu Primeiro Livro, ela fez cinco ou seis estrofes de cordel, e simplesmente o trabalho dela estava quase perfeito. Sem que a aluna soubesse li o poema dela para todos os colegas e depois a chamei à frente para que nos contasse com quem ela havia aprendido a escrever cordel, e a menina brilhantemente nos emocionou dizendo que o seu avô era cearense e sempre leu cordel em sua casa e através dele, conheceu esta literatura.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

EMEF “ESMERALDA BERTOLLI LABRONICI”











Data: 09/05/2012

Pela manhã ocorreu uma única palestra para cerca de trezentos alunos. Apesar do número expressivo pude passar a ideia do que é o cordel.
O grupo da tarde, composto por cerca de trezentos alunos foi dividido em duas turmas, daí tudo transcorreu dentro da normalidade e o grupo menor se mostrou bem receptivo e comportado, de onde saíram perguntas e observações magníficas.
No período da noite, o EJA foi maravilhoso e minha fala combinada para ser durante o período de uma aula tornou-se uma palestra de quase duas horas, porque encontrei um grupo de adultos, dentre eles, alguns jovens super interessados e que se identificaram com o cordel e choveu perguntas e respostas. A empatia foi tão grande que eles me pediram para retornar a escola no dia seguinte pois precisavam me ver novamente e adquirir mais alguns cordéis, e dessa forma aconteceu.

terça-feira, 29 de maio de 2012

EMEF PROFª “BRANCA SELAS AGOSTINHO”









Data: 08/05/2012

Neste colégio as duas palestras marcadas para manhã e tarde se transformaram em quatro, por conta da quantidade de aluno. Fui bem recebido por todos e mais uma vez reencontrei um bom número de professores e me sentir em casa. Notei certa dificuldade da escola para acomodar os alunos em um ambiente adequado, mas os professores sempre dão um jeito para que tudo transcorra da melhor maneira possível e assim pude palestrar para duas turmas de adolescentes pela manhã e duas a tarde.
Foi algo arrebatador para mim, pois antes do término da palestra sempre abro espaço para perguntas, momento que a princípio parece que não dará certo, visto que os alunos têm vergonha de interagir, mas quando o primeiro começa, a dificuldade também surge para terminar o evento no horário determinado. Desse modo, os eventos transcorreram na maior tranquilidade e pude sair dali levando a certeza do dever cumprido e de que o cordel, se os alunos quiserem, poderá ofertar sua contribuição para o Projeto Meu Primeiro Livro.

domingo, 27 de maio de 2012

EMEF PROFESSOR JOÃO PASTRE








NOITE: 36 alunos
Data: 07/05/2012

Sair a mais um encontro da turma da EJA. O grupo era pequeno, porém cheio de lições para nos ofertar e uma cabeça aberta para aprender. Encantaram-se com o cordel, alguns nordestinos na sala relembraram desse tipo de literatura tão presente na região de origem. Nesta escola reencontrei Bete uma diretora engajada e comprometida com a educação. Ano passado ela participou ativamente do curso que ministrei para os professores e também não arredou o pé da sala. A professora da noite não era a de Português, mas mostrou-se interessada e disse que anotaria tudo para repassar à colega que estava trabalhando o Projeto Meu Primeiro Livro. No fim da palestra veio um aluno falar comigo, dizendo que tinha gostado demais e que de agora em diante procuraria ler cordel, que levaria alguns para seus filhos, pois segundo ele, “o que é bom é para ser mostrado”.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

EMEF PREFESSORA ENEY DE OLIVEIRA MORAES CAMPOS






 (Eja) - NOITE: 58 alunos
Data: 04/05/2012

Nessa escola aconteceu mais um encontro onde tive a oportunidade de encontrar jovens e adultos, buscando dias melhores através do estudo. Menos jovens e mais adultos a quem a vida negou a oportunidade de ler e escrever, um grupo menor do que o do dia anterior, no primeiro colégio da cidade conhecido popularmente como grupão, mas nem por isso a experiência foi menos importante, pois como disse anteriormente, quem vai ao encontro dessas pessoas pensando em aprender, termina tomando uma lição para o resto da vida.
E lá estava um grupo atento e ávido por aprender sempre mais.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

PROJETO MEU PRIMEIRO LIVRO






CORDEL ENCANTA ALUNOS DE TODAS AS IDADES 

Nota: A partir de hoje, em meu fotolog e blog farei algumas publicações descrevendo como ocorreu a minha experiência durante 15 dias de encontros com os alunos da rede municipal de Boituva e Capela do Alto, duas cidades do interior de São Paulo. Foi uma experiência enriquecedora.

Participar do Projeto Meu Primeiro Livro, tem sido algo significativo em minha vida, porque quando penso que venho ensinar termino aprendendo bastante, e assim me conscientizo, cada vez mais que o mundo é ou está se tornando dinâmico e eclético onde ninguém é nada sem o outro, e que é através do contato com o diferente e o novo que eu também me torno novo e diferente, nas ideias, no amadurecimento, na vida como ser humano e cidadão.
Durante nove dias tive a possibilidade de encontrar os alunos de 09 escolas da cidade de Boituva, em algumas isso ocorreu nos três turnos, noutras apenas dois e duas em apenas um turno. Cada encontro que parecia ser a repetição daquilo que eu tinha dito em outra escola, saia completamente diferente daquilo que eu prepara e pensara para aquela turma, porque o grupo da manhã sempre era diferente do grupo da tarde e o grupo da noite, diferente dos dois anteriores e eu também, após cada grupo estava diferente porque tinha me encontrado com novas pessoas, alunos nos períodos anteriores me colocaram na parede fazendo perguntas que me deixavam desconcertado, enfim foi mais de uma semana que valeu por várias e certamente melhorei enormemente depois desta magnífica experiência.
Reencontrar os professores e professoras da cidade com quem havia estado o ano passado, para o curso preparatório à aplicação do projeto, se tornou um caso a parte, todos demonstraram alegria pelo reencontro e eu mais ainda porque, segundo eles, e digo isso bebendo na fonte da humildade “lembram daquele curso com simpatia”. A colaboração deles foi significativa para que os encontros transcorressem dentro da maior normalidade.
Na medida do possível abaixo segue um pequeno relatório dos meus encontros em cada escola.

EMEF CORONEL JOSÉ CAMPOS DE ARRUDA BOTELHO – (Eja) - NOITE: 112 alunos
Data: 03/05/2012

Foi um encontro significativo, sobretudo para mim que vi naqueles alunos o quanto é possível a superação e que uma pessoa pode ir além de suas possibilidades. No meio de alguns jovens estava uma maioria de senhores e senhoras que estampavam no rosto a marca do cansaço por terem trabalhado o dia inteiro e a noite terem a coragem de passar mais de duas horas, corrigindo uma rota de história, que a dureza da vida desviou e lhes negou o estudo. Nessa altura da vida alcançar uma melhor oportunidade ainda é um sonho para muitos. Após a palestra é praxe do cordelista expor suas obras à venda, todavia o mais gratificante aconteceu quando eu já me encaminhava para sair da escola, acompanhado por Maurício e Eraldo e um senhor me chamou para me parabenizar e eu pensei que tinha ganhado a noite, mas ele em sua simplicidade me surpreendeu mais ainda, me encarou fortemente e afirmou: “não comprei nenhum livro porque ainda não sei ler, mas assim que aprender espero encontrar o senhor para lhe comprar um livro”. Isso realmente foi encantador ver que o sonho daquele homem é um dia poder ler e sei que ele vai conseguir.
Se nada naquele encontro tivesse prestado, esta atitude daquele senhor faria valer o resto todo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ENCONTRO COM ALUNOS DO CÉU ARICANDUVA



No último dia 13/04/12 através da Patrícia, divulgadora da Editora Panda Books, estive no CÉU ARICANDUVA para um encontro com alunos daquela unidade escolar. Foi um evento maravilhoso, porque tive a oportunidade de responder às crianças uma série de perguntas a respeito dos meus dois livros O PEQUENO POLEGAR e a BRANCA DE NEVE ambos em cordel. As crianças demonstraram uma sabedoria e curiosidade brilhante, queriam saber tudo, como conheci aquelas histórias, o que é cordel? Como se publica um livro? Com quanto anos comecei a escrever? Se minha família me apoiou? Se é difícil fazer um livro? Como contar uma história em cordel? Quantos anos eu tinha? Quantas obras já havia escrito? Enfim foi um evento surpreendente. Obrigado a Patrícia e a todos do colégio que me acolheram tão bem.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

COLÉGIO SILVIO GONZALEZ RECEBE AUTORES




No último dia 14 de abril, o poeta João Gomes de Sá e eu estivemos no colégio Silvio Gonzales para falarmos dos nossos livros da Coleção Clássicos em cordel, O CORCUNDA DE NOTRE-DAME e MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS. Foi um evento maravilhoso, porque tivemos a felicidade de conhecer as professoras que trabalharam os livros em sala de aula, além de um acolhimento excepcional por parte dos alunos, que nos dirigiram diversas perguntas e respeito de nossas obras.
Agradecemos também a Luciana, divulgadora da editora Nova Alexandria, que se empenhou sobremaneira e nos tratou com uma cordialidade ímpar. Enfim, registramos os nossos sinceros agradecimentos a todos que contribuíram para o sucesso daquele evento e a divulgação do cordel, cada vez mais presente, nas salas de aulas por todo este país.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A BATALHA DE OLIVEIRAS COM FERRABRÁS



A RESPEITO DE OLIVEIROS E FERRABRÁS

Leandro Gomes de Barros é, sem qualquer sombra de dúvida, o pai do cordel brasileiro. Não só por ter sido pioneiro nas publicações ou ter inventado a profissão de autor-editor-revendedor de folhetos. Também, e talvez seja o indício mais forte, por ter experimentado todas as formas, estilos e modalidades poéticas. Experimentou para depurar. Degustou quadras, sextilhas, septilhas, décimas, martelos e outras estrofações. Foi do cordel ao soneto, cançonetas, odes, paródias. Provou das pelejas, contos universais, novelas ibéricas. Enveredou pelos temas sociais, cantou a cidade do Recife, glosou com outros amigos poetas. Crítico contumaz, observador político, não teve medo de errar, nem de quebrar o pé de algum verso. Rebuscou sua escrita e fundou o seu “marco brasileiro”. Ninguém o superou. Pelo contrário, qualquer referência à poesia cordelística obrigatoriamente deverá citar o filho de Pombal.
Dentro de sua produção encontraremos a fundação das adaptações para o cordel brasileiro das novelas clássicas europeias como Donzela Teodora, João da Cruz, O Rei Miséria, Branca de Neve, Juvenal e o Dragão, entre outros. Contemplando, ainda, esse veio do cordel brasileiro, nos deparamos com esse capítulo da História de Carlos Magno: a Batalha de Oliveiros e Ferrabrás. Alguns pesquisadores, e muitos poetas, acreditam existir um ciclo carolíngio no cordel do Brasil por conta desse poema de Leandro. Não acredito. Primeiro por não aceitar a classificação em ciclos, segundo por não encontrar um número significativo de obras dentro do todo cordelístico que satisfaça esse olhar. Supondo que se possa classificar o cordel em ciclos, pergunta-se como se caracteriza um ciclo, o que o determina. A resposta seria a presença de uma produção expressiva no bojo da produção total do cordel, bem como seu prolongamento no tempo e no espaço.
Não é o que se vê nesse caso de Carlos Magno. Podemos listar, além dos folhetos de Leandro, esta Batalha e a Prisão de Oliveiros, quantos outros títulos? Talvez não cheguem a dez. Considerando a produção de cordel no Brasil, digamos 50 mil títulos numa contagem sem qualquer suporte palpável, cinco ou dez folhetos nada representam. Agora, olhemos para sua produção no tempo. Quantos folhetos sobre Carlos Magno foram produzidos no ano de 2011? Talvez um, mas não coloca o Rei de França em outras aventuras, a não ser nessa célebre batalha. E no espaço? Não constam folhetos sobre a cavalaria carolíngia escritos e publicados em São Paulo, ou no Rio, recentemente. Argumento fazendo a analogia com Lampião: em todos os tempos e em vários lugares haverá sempre um poema sobre o herói nordestino e o número de títulos no qual é protagonista aumenta a cada dia. Entretanto isso é só mais um debate. O mais importante é que, com ciclo ou sem ciclo, deve-se a Leandro a inauguração da presença de Carlos Magno e seus doze pares de França na Literatura Brasileira, e não só no cordel.

Aderaldo Luciano, doutor em Letras pela UFRJ
Fevereiro de 2012