No dia 13/09 juntamente com o escritor cordelista José Santos estive no colégio Ítaca situado no Butantã. Na oportunidade, falamos para professores, pais e alunos sobre o cordel brasileiro e foi uma atividade interessante, porque os alunos estavam preparados pela professora de música, através de uma atividade, cuja tarefa era fazer rimas. Numa disputa saudável e inteligente mostraram no palco, os meninos contra as meninas, o que é brincar com inteligência, usando a força e a inspiração do cordel. Agradecemos ao colégio pelo convite e por oportunizar que os seus alunos tivessem um contato mais próximo com o cordel para que conheçam a beleza e a complexidade desse gênero literário brasileiro.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
O CAVALO DAS PATAS DE OURO
É mais um título cujo autor
é do Rio Grande do Norte, assim quatro autores deste importante estado do
Nordeste dão sua contribuição na produção do cordel que vem crescendo cada vez
mais. Abaeté com outros poetas fundou a Casa do Cordel em Natal e agora estreia
na Editora Luzeiro.
APRESENTAÇÃO
O CAVALO DAS PATAS DE OURO do Poeta Cordelista Abaeté do Cordel, é uma viagem
atual ao mundo antigo, onde o autor, utilizando ingredientes de uma paixão
impossível e proibida entre o plebeu Albertino, filho de uma criada do palácio,
e a princesa Inês, compõe seu enredo em versos líricos de sete sílabas,
estruturados na sextilha tradicional rimadas em AXBXCX. O autor destila com linguagem
atual e coloquial, cenas claras de amor, aventura e bravura na busca destemida
do plebeu seresteiro Albertino, visando resgatar a Princesa Inês que se
encontra exilada e condenada ao encanto por trinta anos pelo Rei, no REINO DA
ILUSÃO. Para atingir tal objetivo, Albertino utiliza-se de seu bravo cavalo
VENTANIA, premiado cavalo, campeão em todas as competições, com suas patas de
ouro, veloz como o vento. Enfrentará tenazmente desafios, monstros e serpentes
em batalhas.
O Poeta Abaeté do Cordel mostra sua fluência na arte de versejar,
imprimindo em seus versos elementos obrigatórios para um cordel autêntico, tais
como o humor, expressões puramente coloquiais, a oralidade e a simplicidade (Infeliz
das costas ocas / Cabra de peia safado).
A
Grécia Antiga citada no início é deixada para trás, adentrando logo à seara
nordestina, quando o intrépido, Cabra da peste Albertino enfrenta tudo e
todos para ser feliz no final, como cabe a todo romance que se preza. Abaeté,
autor de centenas de títulos de cordéis, com seu CAVALO DAS PATAS DE OURO, vara
longe nas veredas do cordel, percorridas com muita resistência e bravura tal
qual seu herói Albertino. O romance de Abaeté pode muito bem ser recitado no
meio de uma feira, na varanda de uma fazenda, no shopping ou nas alamedas
universitárias. Abram alas para o contador cordelista, o cordel vai cantar pros
quatros cantos ouvir mais uma bela história de amor e aventura num reino e num
tempo bem distante.
Manuel de Azevedo
Poeta, Professor e Músico
Natal
– RN, 2014
SERVIÇOS:
ISBN 978-85-7410-203-0
Tamanho: 13,5x18
Vendas pelo e-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br
Valor: R$ 5,00
terça-feira, 16 de setembro de 2014
A TRAGÉDIA DO NYENBURG
Mais uma obra publicada pela editora Luzeiro, desta
vez o autor é Manuel de Azevedo, nascido no estado do Rio Grande do Norte onde
o cordel se fortalece cada vez mais.
APRESENTAÇÃO
Os verdadeiros Poetas descobrem a Poesia
em fatos de expressão prosaica. A Tragédia do Nyenburg tem subtítulo de Episódio
dos Tempos Coloniais no Rio Grande do Norte. Faz parte de Estudos
Pernambucanos de Alfredo de Carvalho, publicado no Recife em 1907 e
republicado em 2002, pela editora Sebo Vermelho. A história, transformada em
Poesia, é dramática. Fala das moedas de ouro que os marinheiros sublevados
enterraram em Natal. Quem encontrou esse ouro? Respondo sem sombra de dúvidas:
quem encontrou o ouro foi o poeta cordelista Manuel de Azevedo.
Manuel de Azevedo é um exemplo pouco comum de artista versátil, de
Poeta explorador de temas e estilos. Tudo leva a crer que o seu itinerário
existencial, cujas estações principais são Santana do Matos, Natal, e Londres,
marcou profundamente a sua produção poética.
Santana do Matos, de onde Manuel de
Azevedo saiu aos nove anos de idade, não é um retrato na parede que dói. É
mais um tema recorrente, é o sertão dentro do Poeta, onde o canto da Acauã
evoca a morte, onde o Concriz e o Galo-de-Campina trinam invernos, é a “Coalhada
fria com rapadura,/imbuzada, cuscuz com ovo./e leite.”
Em Natal, Manuel de Azevedo fez
seus estudos básicos e despontou para a Música, para a Poesia, para o
Magistério. E ao longo dos anos aprimorou o seu estilo, como quem aprimora o
virtuosismo nas cordas de um violoncelo. O sertão continua a existir, nunca vai
abandonar as suas lembranças arraigadas, mas a temática celebra um novo amor,
uma nova musa – Natal e sua paisagem lírica, física, humana. O Beco da Lama,
quartel general de comandantes que jamais ganharam uma batalha, é evocado com
nostalgia e beleza poética:
“Lá
no Bar do Seu Nazi,
Em
pleno Beco da Lama,
Muitas
luas eu bebi,
Poesia
de Acesa chama.”
Natal é vista pelo Manuel de Azevedo em
temas como a PEDRA DO ROSÁRIO, RIO POTENGI, dos XARIAS que habitavam a Cidade
Alta, dos CANGULEIROS que dominavam o território das Rocas, tudo palmilhado com
emoção e rigor formal. O Poeta vai do Hai-kai ao Soneto, das Glosas e Motes às
Trovas com forte acento popular. Mais adiante – o que marcaria a terceira estação
de Manuel de Azevedo, ou seja, sua temporada Londrina – há poemas de
feição erudita, alguns escritos em inglês como “Ode to Vivaldi” e outros
de alma inglesa, Liverpooliana, como “Lennon in the sky with diamonds”.
De repente, o Poeta surpreende outra
vez. Deixa de lado sua memória natalense, sua formação erudita, sua lembranças
européias e parte para descrever em linguagem de cordel uma tragédia marítima
ocorrida com um navio holandês, em 1763. Em quatro cantos, em sextilhas de sete
sílabas, Manuel de Azevedo navega por mares que a sua inspiração jamais
havia dantes navegado. E narra, por inteiro, a desventura do NYENBURG, à
maneira de um cordelista da família de autores clássicos, como aqueles que já
nos deram o Episódio da moça que virou cobra, o Infortúnio da Imperatriz
Porcina, a chegada de Lampião ao inferno. É a tal versatilidade de que já
falamos.
Vale a pena navegar no convés da poesia
de Manuel de Azevedo, acompanhando sua narrativa das rotas e derrotas do
NYENBURG, dos motins, das vinganças, da convivência com homens duros e
imprevisíveis como uma montanha em pleno mar.
Diógenes da Cunha Lima
SERVIÇOS:
ISBN 978-85-7410-208-5
Tamanho: 13,5x18
Vendas pelo e-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br
Valor: R$ 5,00
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
JARARACA O CANGACEIRO QUE VIROU SANTO
UM
CANGACEIRO, UMA AÇÃO ALVISSAREIRA E UMA REPERCUSSÃO NO SERTÃO
Alguns
pesquisadores do cordel classificaram ou classificam os temas abordados, nessa
mídia, em ciclos, tanto brasileiros como brasilianistas, sendo os mais
conhecidos: Manuel Diégues Júnior, Manoel Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa,
Roberto Benjamin, Liêdo Maranhão, Ariano Suassuna, Raymond Cantel, além de
outros. Aqui não foram citados os títulos das obras dos respectivos estudiosos,
porque não é o objetivo desta apresentação.
Na
produção cordelística brasileira, no geral e nordestina, em particular, na
polêmica classificação em ciclos ou temas, é conhecido que um dos mais
enfocados, sem sombra de dúvida, é o cangaço.
Vale
destacar a importância do cangaço no cordel, que, um brasilianista: Ronald Daus,
de origem alemã e professor da Universidade Livre de Berlim, escreveu uma obra
dedicada ao tema, cujo título é O Ciclo Épico dos Cangaceiros na Poesia
Popular do Nordeste. Destacou o fenômeno do cangaceirismo, retratado
através da Literatura Popular em Verso (denominação dos pesquisadores da
Fundação Casa de Rui Barbosa), a imagem da epopeia cangaceira, principalmente
Antônio Silvino e Lampião e como herói popular do Nordeste brasileiro.
Os
cangaceiros mais mencionados no Cordel são Lampião, Antônio Silvino, Corisco,
Jesuíno Brilhante, além de outros. Independente do tempo e do espaço, os
cordelistas que narram as peripécias cangaceiras viveram ou vivem muito
distante dos lugares que os cangaceiros nasceram e atuaram.
No Rio
Grande do Norte o tema cangaço começou a ser escrito, até onde se tem notícia,
desde o ano de 1927, pela ocorrência da invasão a Mossoró-RN pelo bando de
Lampião. Como os relatos nos livros de Mário de Andrade (folhetos recolhidos na
terra potiguar, de dezembro de 1928 a fevereiro de 1929), Raimundo Nonato e
Raul Fernandes. De 1927 até o presente momento vários cordelistas potiguares
escreveram sobre o cangaço, como atesta a pesquisa de Gutenberg Costa.
Dentre
os cordelistas potiguares tem destaque Nando Poeta, professor de sociologia,
engajado politicamente nas lutas sociais há muitos anos e morando em Natal-RN e
em São Paulo-SP, respectivamente. Pesquisador cuidadoso na busca do
conhecimento do objeto de estudo, principalmente na fonte bibliográfica. Já
escreveu sobre vários temas: sociais, políticos, econômicos, gênero, etc..
Ultimamente vem escrevendo e publicando sobre o cangaço, com as seguintes
obras: O Cangaço e o Lendário Lampião, A saga de Jesuíno Brilhante
e Corisco: O Vingador de Lampião.
Agora
e com o propósito desta apresentação, vem a publicação de Jararaca: O
Cangaceiro que Virou Santo, que, narra a atribulada vida do cangaceiro José
Leite de Santana, conhecido pela alcunha de Jararaca. Nasceu em 1901 no
lugarejo de Moderna, na época pertencente a Buíque e hoje localizado no
Município pernambucano de Sertânia e faleceu em Mossoró-RN, em 1927. Serviu ao
Exército brasileiro e esteve em São Paulo e Rio Grande do Sul. Desligou-se das
Forças Armadas e voltou à terra natal, cometeu um crime e foi para a
clandestinidade. Entrou no bando de Lampião, como já tinha experiência militar,
foi admitido como chefe de subgrupo e assim atuou na tentativa de invasão a
Mossoró-RN, em 1927.
Assim
como a maioria das obras cordelísticas de Nando Poeta, esta é formada por
estrofes sextilhadas, com exceção do acróstico que é uma décima.
A
narrativa sobre Jararaca começa com o fato mais relevante de sua vida: chefe de
subgrupo do bando de Lampião na tentativa de invasão à cidade
norte-rio-grandense. Nesse intento, foi alvejado, ferido, delatado por um
transeunte, preso e assassinado, de acordo com as pesquisas divulgadas pelos
estudiosos do tema ao longo desses 87 anos de existência da mal sucedida
atuação lampiônica, na terra de Santa Luzia. Na continuação tem ênfase os
traços biográficos, sendo as principais nuances: inquieto, jovem, militar,
assassino, cangaceiro e assassinado. No final surge um fenômeno da metafísica,
tipicamente da religiosidade popular nordestina e não reconhecido pela igreja
Católica Apostólica Romana, ou seja, a crença popular de ser milagreiro e no
dia de finados, o seu túmulo é um dos mais visitados do cemitério São
Sebastião, em Mossoró-RN.
Nando
Poeta, com sabedoria, não segue a ordem cronológica da vida do bandoleiro e
sim, dos acontecimentos marcantes de sua existência, pela gradação: atuação e
fim, traços biográficos e a manifestação da crença popular de milagreiro. O
início e o fim da narrativa têm como cenário a terra mossoroense e potiguar e
da epopeia cangaceira, que, também é do povo do sertão e da caatinga.
Carlos Alberto da Silva
Natal-RN, 07 de abril de 2014
SERVIÇOS:
ISBN 978-85-7410-207-8
Tamanho: 13,5x18
Vendas pelo e-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br
Valor: R$ 5,00
terça-feira, 9 de setembro de 2014
AS MULHERES NO CANGAÇO
APRESENTAÇÃO
Quando se fala em “Cangaço” vem
logo à mente, um letreiro luminoso indicando um ambiente de inúmeras portas,
onde cada uma conduz a uma atraente imagem sobre o mesmo tema. Tema este, já
explorado nas mais diversas e abalizadas linguagens: livros, cordéis, teatro e
cinema dando margem até para se imaginar não haver mais aspectos inéditos. Mas
eis que surge alguém que com olhar de lince, vislumbra escondido no emaranhado histórico,
algo inusitado. Foi o que aconteceu com dois magos do versejo, que com a lupa
da inspiração, ampliaram o achado e o transformaram num grande cordel. São
eles: Varneci Nascimento e Nando Poeta.
Se bem que “Mulheres no Cangaço”,
é mais que um cordel, é sobretudo uma análise crítica e social da presença da
mulher no universo cangaceiro e as significativas mudanças ocorridas em função
desse ingresso. Ao longo da preciosa leitura, cuidadosamente construída
seguindo as exigentes normas do cordel, percebemos não só a beleza criativa,
mas o conteúdo didático e informativo. Percebemos a mulher com a sua força transformadora
tendo como principais armas a intuição, a sensibilidade e outros tantos
naturais e convincentes predicados femininos. Mulheres que conseguiram dobrar
uma resistência radical e machista, quebraram paradigmas, influenciaram nas
decisões, atestando inclusive o seu apurado senso de justiça. Interferiram também
no ambiente, no cotidiano, quando os mesmos se encheram de cores, brilhos e
tantos outros aparatos produzidos para alimentar e suprir a vaidade feminina.
Por mais absurdo que possa parecer, o universo sempre pautado na violência, nos
sentimentos de crueldade e revolta, recebeu significativa dose de ternura, profetizando
que o cangaço nunca mais seria o mesmo.
Gratos devemos ser a esses
poetas, que nos conduziram e mostraram fatos que alimentam a reflexão e
abastecem o nosso estoque de conhecimentos acerca do cangaço com as suas inusitadas
nuances. E para ilustrar a beleza e objetividade do texto, basta citar uma das
estrofes e com ela instigar o leitor a mergulhar nesse açude poético, de águas
profundas e envolventes:
A figura feminina,
Imprimiu marcante traço.
O seu argumento claro
Derrubou o do balaço
Reinou livre e soberana
No reinado do cangaço.
Josenir Lacerda
Academia dos Cordelistas do
Crato-CE - ACC
Academia Brasileira de Literatura
de Cordel - ABLC
Abril de 2014
SERVIÇOS:
ISBN 978-85-7410-205-4
Tamanho: 13,5x18
Vendas pelo e-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br
Valor: R$ 5,00
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
SEMEANDO CORDEL E ESPALHANDO POESIA
Muitas pessoas que não tem
conhecimento da dimensão do trabalho de um escritor, às vezes têm a
indelicadeza de perguntar: você trabalha ou só escreve? Quando escuto tão
absurdo sorrio e fico com pena de quem pergunta isso, porque percebo que não é
por maldade, mas por desconhecimento do quanto é trabalhoso e ao mesmo tempo interessante
juntar letras, formar textos e no meio dele, sempre que possível sutilmente
enfeitá-los com poesia. Viver de literatura há treze anos tem sido uma das
coisas mais prazerosas da minha vida, pois por onde passo, vejo crianças,
jovens e adultos encantados com a arte do cordel e sinto que se confirma, como já
disse algumas vezes por aqui, a frase da poetisa Cleusa Santo: “o cordel só tem dois públicos o que o ama e
o desconhece”. Vejam algumas fotos das últimas viagens a Lençóis Paulista,
Guaxupé e Campinas, além da Escola Dom Duarte aqui em São Paulo. Obrigado a
todos que gentilmente nos recebem e apreciam o nosso trabalho.
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