domingo, 1 de setembro de 2013
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
PROJETO MEU PRIMEIRO LIVRO CHEGA A ARAÇOIABA DA SERRA
O
projeto MEU PRIMEIRO LIVRO, realizado pela Editora Espaço Idea continua se
expandindo pelo interior de São Paulo. Desta vez chegou a Araçoiaba da Serra, onde
estive no último dia 23/07/2013 juntamente com os escritores Jorge Lasar e
Eraldo Miranda ministrando cursos para boa parte do corpo docente desta
acolhedora cidade. Foi um dia friorento, mas encantador, pois os cursos foram
considerados um sucesso. Obrigado aos professores e professoras que nos
acolheram tão bem.
sábado, 15 de junho de 2013
Numa
tarde encantadora com os professores da EMEF Professor João Toledo. Foi uma discussão
interessante onde pude expor para esta turma a importância e a vitalidade do
cordel como literatura brasileira e não com os estigmas a que muitos imputam a
esta literatura. Preconceitos foram desfeitos, dúvidas foram sanadas e almas
alimentadas pela poesia do cordel. Obrigado Cerquilho, na pessoa dos seus
professores e professoras pelo acolhimento.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
CORDEL NA PRAÇA FLORIANO PEIXOTO
No
próximo sábado (dia 15 de junho), entre 11 e 13h, a Praça Floriano Peixoto, em
Santo Amaro, será palco de um evento voltado para a cultura brasileira,
especialmente o cordel e a cantoria improvisada, além de música da melhor
qualidade, dentro programação junina, por iniciativa do Departamento de Cultura
da Subprefeitura da região. Além de exposição de cordéis, livros e CDs,
presença de integrantes do grupo Caravana do Cordel, como João Gomes de Sá, Varneci
Nascimento, Cacá Lopes, Eufra Modesto, Marco Haurélio e Moreira de Acopiara,
dentre outros, mais os repentistas Adão Fernandes, João Dotô, Chico Pereira, e
quem mais por lá aparecer.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
VOCÊ FICA OU NAMORA?
VOCÊ FICA OU NAMORA é o título do mais novo
cordel de Varneci Nascimento no qual busca falar aos leitores adolescentes e
jovens que transformaram o NAMORO EM FICA. Numa reflexão bem humorada a
respeito desse tema o autor percorre os caminhos do namoro relembrando o
romantismo e o galanteio do passado até desembocar nas águas do atual fica. A capa
do cordel é do competente ilustrador Walfredo de Brito.
Veja as primeiras estrofes:
Dentro da modernidade
O mundo se modifica.
A pessoa hoje pobre
Amanhã pode ser rica.
O namoro do passado
Atualmente é o “fica”.
O galanteio de outrora
Hoje virou malandragem
Se não tiver duas ou três,
Encontra-se em desvantagem.
Chamado pelos amigos,
De fraco e de sem coragem!
No namoro antigamente,
Não se permitia beijar.
O máximo, pegar na mão,
Evitando provocar,
Sensações acaloradas,
Difíceis de controlar.
Entretanto, a marcação
Tão acirrada dos pais
Não impediu gravidez
Indesejada demais.
Depois de grávida, casar
Obrigada ainda mais.
Formato: 11 x 15
Valor: 3,00
ISBN 978-85-7410-147-7
Quer conhecer o resto da história?
Faça seu pedido a Editora Luzeiro
sábado, 8 de junho de 2013
MAIS CURSOS SOBRE CORDEL EM ESCOLAS DE CERQUILHO
Dando continuidade ao processo de formação,
a respeito do cordel para o projeto Meu Primeiro Livro, na cidade de Cerquilho
– SP, me encontrei no último dia 05/06/13 com os professores da EMEF Professor
Artur Luiz Gayotto. Foi um encontro muito bom, onde tivemos a possibilidade de
discutirmos a importância, o surgimento, a força e a potência desta literatura
que tem atravessado gerações. Os professores ficam perplexos com as
possibilidades e potencialidades do cordel, porque segundo eles, “estão
acostumados a ouvirem as mesmas coisas e sempre cheias de preconceitos contra
essa encantadora literatura”.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
ENCONTRO DO CORDEL COM A ARTE CIRCENSE EM SÃO PAULO
Juntamente com o poeta João Gomes de Sá,
participei nesta segunda 03/06/13 do Gambiarra.com idealizado e coordenado por
nosso amigo Gelatina, palhaço da mais alta qualidade, humorista
inteligentíssimo, é realmente um show assisti-lo. O Gambiarra.com teve seu
pontapé para ser um verdadeiro encontro das artes. Vai ocorrer a partir de
agora toda primeira segunda feira de cada mês e o espaço está aberto para toda
manifestação cultural. Foi um encontro feliz do cordel com as demais
manifestações que foram apresentadas no evento. Sobrou música, piada, dança,
enfim graça e beleza que não devem faltar em nenhum evento. Obrigado Gelatina
Grouve por nos deixar fazer parte desta iniciativa tão boa e louvável.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
MAIS UM CURSO EM ESCOLA DE CERQUILHO
Dando continuidade ao projeto meu Primeiro
Livro encabeçado pela Editora Espaço Idea, no dia 29/05/13 estive com os
professores da EMEF Profª
Adelaide Tozi. Tenho notado nestes encontros, que há um
encantamento com o cordel após terem uma nova visão mais próxima da realidade a
respeito dessa literatura. Os professores sempre comentam que o que sabem do
cordel, às vezes chega a ser até depreciativo. Mas quando se dão conta que é o
cordel é realmente literatura brasileira porque é épico, lírico e dramático se
rendem naturalmente.
Agradeço aos professores e professoras, a
direção e todos que me receberam tão bem. Foi um encontro maravilhoso. Mais uma
vez o cordel está de parabéns porque tem me proporcionado encontrar pessoas tão
legais.
domingo, 2 de junho de 2013
ESCOLAS DE CERQUILHO TÊM CURSO SOBRE CORDEL
No dia 28/05/13 estive na cidade Cerquilho / SP para
ministrar dois cursos para professores a respeito do nosso cordel, gênero
literário que começa a ser tratado como tal. O curso faz parte do projeto Meu
Primeiro Livro promovido pela Editora Espaço Idea. O primeiro curso foi para os
professores da EMEF Luigi Luvizotto. O encontro foi maravilhoso onde mais uma
vez tivemos a possibilidade de mostrar a grandeza dessa literatura e segundo os
professores, eles puderam desfazer uma série de equívocos que tinham a respeito
do cordel. Em outra publicação, falarei no outro encontro no segundo colégio.
sábado, 18 de maio de 2013
CORDELISTAS NA VIRADA CULTURAL 2013
Pela primeira vez o cordel aportou na Virada Cultural de
São Paulo. Neste sábado 18/05/2013 os poetas João Gomes de Sá, Cacá Lopes e Varneci
Nascimento estiveram no palco da Virada Literária convidados pela Libre (Liga
Brasileira de Editoras), por quem temos livros publicados pelas editoras que
fazem parte dessa plêiade da publicação literária brasileira. Agradecemos ao
ilustre André Valacche por nos honrar com o convite e a possibilidade de
atingirmos um público que nos prestigiou e aplaudiu encantado o mundo
encantador do cordel. 2014 nos aguarde!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
COSTA SENNA LANÇA MAIS UM CORDEL PELA LUZEIRO
CHALINA E O BOI QUE NÃO PARAVA DE CRESCER é
o título da mais nova obra do escritor e cantor Costa Senna, um poeta que
navega pelo teatro, pelo humor e pela música, além de declamar pelos palcos da
vida.
O texto mostra que “Chalina recebe um
bezerro de presente de Josias, líder destemido e carismático. O animal se torna
um mistério e ganha o nome de Generoso. Suas ações incomuns o fazem diferente
dos outros bois e por isso, marcará para sempre uma família. A história mostrará
a arrogância de um coronel, a tragédia do Bom Vaqueiro e as surpresas que o boi
fará a sua dona...!
Veja as primeiras estrofes do trabalho:
Vou contar uma história
De um homem muito mal,
Duma menina de sorte
E um boi descomunal
Que há século se passou,
Mas o tempo lhe soprou
Para o momento atual.
Dizem que um avoengo,
Ao meu bisavô contou
Sobre a fonte da história
Que ele presenciou
O começo, meio e fim
E quando chegou a mim
Na minha mente ficou.
O fato que clareou,
Lá no sertão nordestino
Resplandeceu fortemente,
Parecia algo divino.
Sob os raios soberanos,
Um bom grupo de ciganos
Buscava melhor destino.
Além da malvada seca
Enfrentavam outra dor,
Ver os companheiros mortos
Pelo sol abrasador.
Às vezes a mão da vida
Nos põe em uma subida
Onde não pousa o condor.
Quer conhecer o resto da obra? Entre em
contato com:
Editora Luzeiro (11) 5585-1800
costasenna@gmail.com
domingo, 21 de abril de 2013
CORDEL NO MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA
Desde o dia 13/04/13 que a praça do Memorial da
América Latina passou a ter um espaço dedicado ao cordel. João Gomes e eu
estamos levando esta semente literária àquele local que está prometendo se
tornar um dos lugares mais movimentado nos fins de semana e totalmente voltado
à cultura. Hoje tivemos belas apresentações e o cordel estava lá. Quem puder
divulgar, por favor, o faço porque todos os sábados e domingos a partir do meio
dia terá sempre alguém vendendo cordel no espaço CORDEL E CORDELISTAS.
sábado, 13 de abril de 2013
LUZEIRO LANÇA CORDEL DE AUTOR ADOLESCENTE
VIAGEM COM A MORTE é o título do cordel escrito por
Vital Macedo Neto, baiano de Euclides da Cunha, nasceu em 1997 e reside em
Banzaê desde seus três anos de idade. A entrada deste menino para o mundo do
cordel prova que realmente “não é pessoa que escolhe o cordel, mas é o cordel
que escolhe a pessoa”. Em sua primeira obra que a Luzeiro lança agora o jovem
mostra: Uma pessoa que não tem medo da morte está mais perto da maturidade
porque ela é um fato inevitável a todos. Através de uma viagem, a morte mostra
os diversos ambientes pelos quais o imaginário do povo pensa que passará depois
dessa passagem para outra vida. Vital Macedo, conduz o leitor por esta
instigante viagem.
Seja bem vindo Vital Macedo e que a poesia inspire
boas histórias para você encantar o mundo com a arte que lhe encantou um dia.
Veja as primeiras estrofes:
Eis a história verídica,
Descoberta por ter sorte;
Ocorrida no passado,
Numa cidade do Norte,
Onde o senhor afirmava
Ser grande amigo da morte.
Seu José Silva de Souza,
Homem tão trabalhador,
Fez sua história no campo
Devido a ser lavrador;
Filho de mãe lavadeira,
De papai agricultor.
Ao chegar em sua casa,
Por seu José fui chamando.
Sua mulher veio à porta,
Convidou-me: — Vá entrando,
José se encontra na roça,
Logo estará chegando!
Quer conhecer o resto da história só comprando.
Pedidos: Editora Luzeiro (11) 5585-1800
contato com o autor:
vitalcordel@gmail.com
terça-feira, 9 de abril de 2013
PALESTRA NO COLÉGIO MADRE PAULA MONTALT
Neste dia 09/04/2013 estive palestrando para os
alunos do colégio Madre Paula Montalt, que adotou o livro Memórias Póstumas de
Brás Cubas. Foi uma oportunidade de encontrar os novos leitores, adolescentes
que estão tendo contato com o cordel para desespero daqueles que pregaram o fim
dessa literatura. Foi um evento maravilhoso, regado de poesia, perguntas e risos.
Uma turma muito simpática. Obrigado a todos da escola e a Luciana da Editora
Nova Alexandria que sempre me acolhe com muito carinho.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
NANDO LANÇA CORDÉIS EM SÃO PAULO
Participei neste dia 04/04/2013 do lançamento dos livros
A SAGRA DE JESUÍNO BRILHANTE e O CANGAÇO E O LENDÁRIO LAMPIÃO, autorias de
Nando Poeta, ambos publicados pela editora Luzeiro. O evento foi prestigiado
por amigos de Nando e amantes do cordel. Ainda teve sarau, a participação da
sempre brilhante cantora Cida Lobo acompanhada por Edinho. Esses dois títulos
já foram lançados em Belo Horizonte, Natal, Recife e João Pessoa e agora terá
lançamentos no interior do Rio Grande do Norte. Em breve ocorrerá também em
Brasília, Belém e Rio de Janeiro. É o cordel rompendo fronteiras. Parabéns ao
poeta Nando por mais esta iniciativa.
quinta-feira, 28 de março de 2013
MAIS UMA MATÉRIA PARA TV
No último dia 27/03/2013 gravei uma entrevista par
a TVT (Tv dos Trabalhadores) que fica em São Bernardo do Campo e em breve terá
a programação aberta para capital paulista.
O programa ABC em Revista fez uma entrevista a
respeito da importância da Biblioteca Temática Belmonte que fica em Santo
Amaro, um espaço que o cordel tem sua vaga garantida.
Tive a oportunidade de mostrar um pouco da história
do cordel e sua importância para a literatura brasileira. Cada vez mais o
cordel vai conquistando seu espaço.
terça-feira, 26 de março de 2013
FUNDAÇÃO VANZOLINI FAZ VÍDEO DE CORDEL
A tarde deste dia 26/03/13 foi movimentada, pois
passei com uma grande equipe filmando a participação para um vídeo que está
sendo preparado pela Fundação Vanzolini e depois divulgado em todas as escolas
do Brasil. Na ocasião tive a oportunidade, de além de mostrar um pouco da
história dessa literatura, falar da sua construção como a métrica, a rima e oração,
pilares básicos na composição do cordel brasileiro.
Foi algo muito importante para a consolidação dessa
arte como gênero da literatura brasileira.
sexta-feira, 22 de março de 2013
ENCONTRO COM PROFESSORES SOBRE CORDEL
No último dia 20/03/13 a convite da divulgadora Luciana Goldman da
Editora Nova Alexandria, estive no colégio Genesi para falar um pouco sobre o
cordel. O colégio este ano, irá desenvolver uma série de atividades, cujo tema
central é o cordel e queriam um bate papo para conhecer melhor esta arte, pois
adotaram todos os livros da coleção Clássicos em cordel da mesma editora. Foi
um papo maravilhoso, onde puderam sanar algumas dúvidas e se encantar ainda
mais com o cordel.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O CANGAÇO E O LENDÁRIO LAMPIÃO
VIVER É LUTAR, ESCREVER É NARRAR AS LUTAS
Nando Poeta tem resgatado uma tradição muito presente na trajetória histórica do cordel brasileiro: a crítica social e o denuncismo político. Foi assim com Leandro, o pai do cordel: embora sua face mais conhecida seja a de contador de histórias, é na observação preciosa do dia a dia da cidade do Recife onde planta sua independência e competência poética. Esquecida nos recantos de um quarto escuro historiográfico, os que tentam desencorajar os escritos engajados jogam mais fuligem sobre ela para que seja consumida pela omissão. Mas ela está viva e grita. Em A seca do Ceará:
O governo federal
Querendo remia o Norte
Porém cresceu o imposto
Foi mesmo que dar-lhe a morte.
Um mete o facão e rola-o
O Estado aqui esfola-o
Vai tudo dessa maneira
O município acha os troços
Ajunta o resto dos ossos
Manda vendê-los na feira.
Quando das instalações do trem da Great Western no Recife, todos lotados que ninguém aguentava mais, Leandro escrevia a crítica política ferrenha em Os coletores da Great Western:
E se alguém for se queixar
Diz-lhe o inglês: — O senhor
Deve agradecer a mim
Ter trem seja como for.
Mim botar trem no Brazil
Para fazer-lhe favor!
Ou a denúncia sobre o governo federal em A crise atual e o aumento do selo:
O governo federal
Acha que a coisa vai bem
E diz: “o dinheiro é pouco.
Deste eu não dou a ninguém
Porque eu não solto um pássaro
Por um que algum dia vem.
Pois bem, esse traço da poesia de Leandro é abandonado de propósito, deixado de lado, como se fosse pequeno, mas não o é. Em verdade é uma continuidade da poética acintosa de Gregório de Mattos, o Boca de Brasa, que não poupava ninguém. Leandro é o seu continuador. E não só Leandro, os pais do cordel, todos, aumentaram o volume de sua voz ao refletir sobre política e sociedade. Francisco das Chagas Batista não deixou por menos, abriu sua caixa de ferramentas e emendou versos poderosos narrando a escalada da Coluna Prestes e a resistência do Estado em Os revoltosos do Nordeste:
O Coronel Luiz Prestes,
Guiando os rebeldes, sai
Do Paraná e Mato Grosso,
Atravessa o Paraguay
E segue rumo ao Nordeste
Onde a Esperança o atrai.
Chagas Batista chega a tomar partido contra a família Maranhão que dominava o estado do Rio Grande do Norte durante a primeira metade do séc. XX. Canta sua lira em A salvação do Rio Grande do Norte:
A família Maranhão
É quem está governando
Aquele pequeno estado
Que agora vai se agitando
E com salvação política
Muito cedo vai sonhando!
Enganam-se os que imaginam que ao poeta de cordel cabe apenas a delicadeza dos bosques e das fadas, a rigidez lúdica das pelejas, o aproveitamento dos contos tradicionais da oralidade ou o fácil caminho das adaptações dos sucessos literários oficiais. Engano dobrado. Os nossos clássicos, os pioneiros fundaram a tradição política no cordel. Nando Poeta é apenas um sucessor contemporâneo. Com ele, os temas mais atuais, os mais polêmicos, os que necessitam de maior apuro tornaram-se corriqueiros e irrigam toda uma faixa de público ávido por esse tema, militantes que são. Cordéis em defesa dos direitos da mulher, de respeito à diversidade sexual, de reflexão sobre bullying nas escolas ou sobre a saga da consolidação dos direitos dos trabalhadores são a voz do poeta na boca de um narrador engajado ou de um eu-lírico consciente. Agora com este O cangaço e o lendário Lampião toma ares de romancista ao contar a história do famoso Capitão já tão decantado no cordel brasileiro. Como diria o próprio Chagas Batista, um dos pais do cordel, em A encrenca da Paraíba:
Eu, como escritor do povo,
Costumo meter o dedo
Nos casos de sensação
Que não exigem segredo
E, como não sou chaleira,
Conto a verdade sem medo.
Aderaldo Luciano
Dezembro de 2012
A SAGA DE JESUÍNO BRILHANTE.
Quando se fala em cangaço, o
personagem mais lembrado é aquele considerado o maior deles, o primeiro sem
segundo, o intrépido e temível Lampião. Todavia a história nos mostra que
outros abriram o caminho para que ele passasse e reinasse praticamente
incólume, sem que fosse abatido. Mas a história deixa as suas marcas e os
historiadores poetas ou poetas historiadores estão sempre em busca destas para
inovar sua arte, criar novas obras, encantar seus leitores. O cangaço de fato é
um dos assuntos preferidos do cordel, mas não o único, pois a literatura é
abrangente, está em busca dos mais simples aos mais complexos dramas humanos.
É o caso do cordelista natalense
Nando Poeta radicado em São Paulo há cerca de cinco anos e que espalhou a sua
poesia para o Brasil. Chegou tímido na Luzeiro buscando ler os clássicos dos
cordéis brasileiros. Mas o seu apelido - Poeta, somado à sua história de vida
que inclui engajamento nos movimentos sociais, aos poucos se tornaram um
convite para lançar as redes em águas mais profundas no mar gigantesco do
cordel. E ele seguiu um conselho interessante: “não tenha medo”. Corajoso,
arriscou-se a escrevinhar as primeiras estrofes. De uma humildade singular,
virtude nem sempre presente na maioria dos escritores, foi mostrando seus
versos aos amigos que tem em boa parte do país. Os verdadeiros o incentivaram e
corrigiram, os falsos elogiaram, os orgulhosos o mandaram parar e seguir no
sindicato, os bondosos o abraçaram e o cordel mandou que ele seguisse lendo
Leandro Gomes de Barros, José Camelo de Melo entre tantos outros gênios dessa
arte secular.
O mundo vivia o auge da crise
financeira e em pouco tempo estava pronto o primeiro trabalho de sua
verve, A Turbulência Econômica. E começava bem, pela maior e mais
importante editora de cordel do Brasil, a Luzeiro, sonho de todo poeta que
conheceu o gênero através de suas publicações. Em poucos meses, graças ao engajamento a edição se esgotara, pois os
sindicatos acolheram sua obra e a partir dela promoveram importantes debates.
Mas o potiguar ousado percebeu que havia uma lacuna a ser preenchida no meio de
outras categorias; foi quando homenageou as mulheres em Mulheres em
luta; depois os trabalhadores com O primeiro de maio, e em seguida,
sonhou longe querendo a construção de
uma nova central sindical de luta publicando então, A arte de lutar.
O sociólogo Nando sabe da
importância do estudo e por isso buscou conhecer mais e melhor a história do
cordel, seus autores, suas influências, o meio em que viveram e as condições em
que espalharam sua poesia. Partindo deles também espalhou a sua. Após a
experiência acumulada lança agora um trabalho a respeito do Jesuíno Brilhante,
um homem bem sucedido em sua época, mas que resolveu trilhar pelo cangaço,
deixando que a vingança e a violência dominassem o seu coração.
Depois de ler quase tudo que se
referisse ao cangaceiro, é assim que Nando o apresenta:
Jesuíno Alves Brilhante,
Agricultor, fazendeiro,
Um homem bem-sucedido
Laçador e bom vaqueiro.
Mas querendo se vingar
Passou a ser cangaceiro.
Escrever sobre Jesuíno tornou-se
um desafio, já que pouco se contou sobre ele. Mas o poeta cônscio de sua arte
não o teme. É feito o garimpeiro que busca a pedra mais preciosa. Nestas
estrofes encontraremos a intrepidez e a coragem de um cangaceiro que enxergava
à frente do seu tempo. Homem que respeitava as mulheres, dando-lhes voz, vez,
espaço e respeito.
Para entrar no seu bando,
Cumpriria o mandamento:
Não tocar no que é alheio,
Mulher, só no casamento.
Todos os membros que entrassem
Faziam esse juramento.
Roubar era de fato proibido ainda
que fosse para servir ao bando. Mesmo entre os violentos existem regras a serem
cumpridas. Mas viver à margem da lei e da ordem tem seu preço e com Jesuíno não
fora diferente. A perseguição e a espada, a bala e o punhal estavam em seu
encalço e por conta da sua rebeldia terminou tombando pelo poder constituído. O
Estado só não tem força maior que o povo, pois este, caso queira, poderá
desestruturá-lo. Todavia, no caso de Jesuíno era apenas ele o seu bando.
Aqui, Nando Poeta conduz o leitor
a conhecer a saga de um dos mais importantes cangaceiros da história. Boa
leitura.
Varneci
Nascimento
São
Paulo – novembro de 2012.
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