sábado, 10 de janeiro de 2026

VI PAPAI RECLAMANDO DA SECURA...

 


Papai sempre chamou pela janela

Uma vaca bonita e parideira

Escutando a voz vinha de carreira

Atender apressada na cancela.

Certo dia gritou, mas nada dela

Não berrou, nem correu na direção

Procurou-a, encontrou-a sobre o chão

Estirada, já morta a criatura

Vi papai reclamando da secura

Que sequestra a beleza do sertão.

 

Escrevi este poema em dezembro de 2023 sobre o período que ficou sem chover aqui no Nordeste da Bahia, e fez aumentar a dificuldade em relação a criação de animais, devido à falta de comida. Nos dias atuais existem muitas possibilidades de convivência com a estiagem, o que ainda falta é as pessoas colocarem os conhecimentos em prática. Conviver com o clima seco e quente não é novidade em nenhum canto, porque com a ajuda da ciência, tudo isso foi superado, tendo em vista ser possível se adequar e superar a escassez de chuva.

Apesar de se conhecer o caminho, ainda existe resistência em criar os animais adequados a esta região. A secura me impulsionou a escrever estas estrofes em decassílabo, pois como disse o poeta: “a poesia é tirar de onde não tem e colocar onde não cabe.” Este folheto traz dois poemas a partir de motes. Além deste que dá título ao cordel, o segundo é: Sua visão de pobreza / Há muito foi superada. Quem conhece essa literatura genuinamente brasileira, sabe que ela nunca ficou sem opinar sobre as questões importantes do país. A leitura é o caminho mais seguro em vista de um aprendizado que proporcione saberes.

 

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