Papai sempre chamou pela janela
Uma vaca bonita e parideira
Escutando a voz vinha de carreira
Atender apressada na cancela.
Certo dia gritou, mas nada dela
Não berrou, nem correu na direção
Procurou-a, encontrou-a sobre o chão
Estirada, já morta a criatura
Vi papai reclamando da secura
Que sequestra a beleza do sertão.
Escrevi este poema em dezembro de 2023 sobre o
período que ficou sem chover aqui no Nordeste da Bahia, e fez aumentar a
dificuldade em relação a criação de animais, devido à falta de comida. Nos dias
atuais existem muitas possibilidades de convivência com a estiagem, o que ainda
falta é as pessoas colocarem os conhecimentos em prática. Conviver com o clima
seco e quente não é novidade em nenhum canto, porque com a ajuda da ciência,
tudo isso foi superado, tendo em vista ser possível se adequar e superar a
escassez de chuva.
Apesar de se conhecer o caminho, ainda existe
resistência em criar os animais adequados a esta região. A secura me
impulsionou a escrever estas estrofes em decassílabo, pois como disse o poeta: “a
poesia é tirar de onde não tem e colocar onde não cabe.” Este folheto traz dois
poemas a partir de motes. Além deste que dá título ao cordel, o segundo é: Sua
visão de pobreza / Há muito foi superada. Quem conhece essa literatura
genuinamente brasileira, sabe que ela nunca ficou sem opinar sobre as questões
importantes do país. A leitura é o caminho mais seguro em vista de um
aprendizado que proporcione saberes.

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