sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

AS PERDAS E GANHOS NO CAMINHO...

 





Perto de completar meio século de vida, posso celebrar os ganhos como refletir sobre as perdas na caminhada, porque, se quem luta é inevitável ganhar, com o passar do tempo é também comum perder. E não precisamos nos queixar das perdas, elas são inerentes à existência. Este peregrinar pela Terra é uma rede tecida com vários novelos que vão se misturando numa perfeita simbiose, que podem resultar em coisas negativas ou positivas, a depender das escolhas feitas na viagem.

Todos os anos na Bahia visito algumas pessoas entre familiares e amigos, que tiveram a felicidade de envelhecer. Nestes meus 28 anos morando fora daqui perdi diversas pessoas caras ao meu afeto. Dos irmãos de mamãe, além dela, já morreram a maior parte dos irmãos e aqui resta apenas tia Dete, com 92 anos, mulher forte, cheia de saúde e de uma memória invejável. Seja por telefone ou pessoalmente a conversa com ela é fluida, o papo transcorre narrando coisas que vão da sua criancice até a vida adulta. Muitas coisas da família de mamãe, fiquei sabendo através dela.

Mamãe partiu com 77 anos e hoje vejo em tia Dete uma cópia fiel da fisionomia dela. Nesta mulher cheia de ternura, nunca ouvi uma má palavra da sua boca, tampouco guardou magoa nem rancor de ninguém, mesmo as pessoas que lhe causaram ofensas e humilhações, ela jamais disse nada que ofendesse. Sempre cultivou a espiritualidade e todas as vezes que nos encontramos, a gargalhada corre solta porque ela me conta cada casos fabulosos para sorrirmos. Cada ano que lhe encontro compenso as perdas que já tive em relação a família de mamãe. Ontem visitei-a mais uma vez com minha prima Gileide e seu esposo Celso. Tia Dete segue vendendo saúde e lucidez.

 

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