domingo, 7 de dezembro de 2025

CORDEL NO TABOÃO DA SERRA

 





Ontem, a convite do Fernando, estive me apresentando no Bar do Zé Milton, na cidade de Taboão da Serra, num evento promovido pelo @arido.2dejulho cujo objetivo é valorizar a cultura nordestina na cidade e promover a educação por meio da cultura. Conheci os poetas emboladores Galdino de Atalaia e Palito, que através do pandeiro, ritmo veloz e voz acelerada espalham a embolada Brasil afora. Ao chegar fui recebido pelo Evandro.

É sempre uma celebração falar de nossa cultura e compartilhar saberes, em um ambiente que se faz resistência, porque encontramos eco na plateia presente em meio a uma cidade, cuja formação e soerguimento estão umbilicalmente ligados a força de trabalho nordestinos. O cordel cada vez mais ocupa espaço e ganha adeptos por onde se apresenta, tendo em vista que é um gênero literário brasileiro nascido pelo engenho poético de um paraibano, que fincou as bases no Recife, para que de lá, se espalhasse e ganhasse milhões de leitores pelo país.

Escutar Galdino e Palito desfiarem pelo pandeiro o novelo de linha da poesia, nos possibilita um encontro com o nosso passado e a possibilidade da perpetuação dessa arte através de novos apologistas, homens e mulheres que passam a gostar e valorizar a embolada. Semear cultura para nós que a produzimos é uma missão que se faz necessária para que mais pessoas vejam a riqueza cultural brasileira. Sigamos semeando, mesmo que a colheita seja feita por outras pessoas.

 

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LITERATURA ENGAJADA

 


Existem críticos ferrenhos da chamada literatura engajada, porém não dizem uma palavra sobre a literatura omissa, que passa pano, finge não ter lado, mas Deus e o mundo sabem de qual lado os “isentões” estão, pois pelas práticas escancaram sua preferência histórica, e eu sinceramente não quero estar na mesma matilha que eles. Pouco adianta fingir que não gosta de política, se por natureza somos seres políticos e, que tudo, nesta existência vã e curta, é política. Acredito também na produção feita por diletantismo, mas não escrevo apenas por prazer, diante das injustiças, se impõem a luta, a indignação com os desmandos, o acúmulo de capital nas mãos de poucos, enquanto a maioria padece a falta de pão e moradia.

Não estou nesta terra a passeio, vim construir caminhos e deixar pegadas por onde passar. A forma encontrada foi a escrita, pois não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas um livro chega a milhares de mãos como felizmente tem acontecido, quando beiram quase 250 mil exemplares vendidos. Em minha criação poética terá sempre uma palavra amiga a favor dos marginalizados e uma espada de dois gumes na ganância dos poderosos que roubam descaradamente, a força, o suor e o sangue do trabalhador, além de esgotar a Terra pela doença do acúmulo. Uma literatura que silencia diante disso, pode ter tudo, pode até vender, mas se tiver vida, falta alma.

Seguirei plantando as sementes colhidas em minhas leituras, escrevendo uma poesia que julgo libertadora, não violenta, mas denunciando os violentos. Escrever é uma forma de me posicionar, de me somar aos homens e mulheres de boa vontade para conclamar que somos irmãos, que há muita concentração de renda e pouca partilha. É obrigação denunciar os privilégios de alguns em detrimento da maioria sofrida, agredida em sua condição humana. Que você leitora e leitor, possam encontrar em meus cordéis, um aliado na busca de um mundo justo e fraterno, marcado pela igualdade humana.

 

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A ROTA DO ESCRITOR

 







A escolha da profissão é sempre perigosa, “afinal o risco que corre a galinha no seco, corre o pato na água”. Não escolhi ser escritor, aconteceu naturalmente, porque dizem que no caso de escrever cordel é ele, mancomunado com a poesia quem escolhe. Há 24 anos me sinto gratificado por ter construído uma carreira com quase um quartel de século, sobreviver da palavra e encantar pessoas produzindo a arte que coloca o pão na minha boca. Mas não se enganem, não é mérito meu, não existe meritocracia em nada, conto com uma teia feita por mãos das mais variadas, as quais me possibilitam levar a poesia adiante.

Fiz um trato com o cordel: “nem eu o maltrato, nem ele me deixa passar fome”. É isto que tem me possibilitado seguir adiante como um agente da palavra. Às vezes, acontece um desencanto, nunca ao ponto de me fazer desistir, porque quando abracei a missão sabia qual seria o caminho a ser percorrido, para tornar a caminhada menos fatigante. Os caminhos são vários, mas você pode traçar sua própria rota.

Falar às pessoas é uma alegria, em se tratando de jovem e adolescente me esforço ainda mais para encantá-los, porque sei da importância da literatura, reconheço que uma pessoa apaixonada fica mais fácil se interessar pela leitura. Já pisei em centenas de escolas, isto tem me possibilidade ver o cordel criando asas e chegando as mãos que mais precisam. Procuro colocar vida em tudo que escrevo para que a minha escrita encontre sua alma na existência das pessoas.

 

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

UM NOME, UMA EXPERIÊNCIA!


Pertenço a uma geração que quando se falava de um jovem galileu que viveu no primeiro século de nossa era, todos queriam experienciar a sua proposta, ter um encontro profundo e visceral com ele, porém infelizmente, nesta sociedade líquida, foram esquecendo deste encontro pessoal, para uma aberração sentimentalista, sem compromisso nenhum com seu ensinamento, querem apenas mexer com as emoções, sem fazer a experiência de mudança perene para conformar a existência de acordo com quem dividiu a história em antes e depois dele.

Desde quando ouvi falar nesta pessoa, procurei guiar minha história para o bem comum, onde a fraternidade universal estivesse acima do meu próprio bem-estar, porque deve estar bom para todos e não somente para alguns. Aquele jovem foi perseguido, preso e torturado porque ousou querer este mundo fraternal. Humilhado até as últimas consequências, foi pregado em um madeiro por enfrentar poderosos, falar de justiça, no seu reino onde todos seriam tratados igualmente.

Foi por este homem que me apaixonei na infância, passei pela adolescência e sigo adequando minha existência acerca deste jovem galileu. Sobre o nazareno escrevi este livro JESUS A EXPERIÊNCIA HUMANA, lembrando de como passou na terra fazendo o bem. O meu Jesus passa longe do tal do Papai Noel, mas sofre com cada abandonado, passa a léguas das vitrines capitalistas que arrancam o sangue e o suor do trabalhador, ele ceia com os esquecidos que falta o essencial para a viver. É este Jesus que você encontrará nesta obra que dediquei 14 anos para escrevê-la. Caso este Jesus lhe encante é só chamar inbox para conhecer este livro ou escreva QUERO que entraremos em contato.

 

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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

POESIA ALIMENTA A ALMA E DESPERTA O INTELECTO

 









Escrever é uma tarefa complexa e quem se propõe a fazê-lo, deve se preparar lendo, para oferecer aos seus leitores e leitoras o melhor. Este melhor virá somente através da leitura. No ano que se encaminha para o ocaso, publiquei treze obras, entre livros e folhetos, um ano prolífero, sem contar os escritos que não foram lançados. Abaixo segue a lista das publicações:

O amor vence o racismo?

O misterioso dragão da encruzilhada

Pergunta idiota, tolerância zero Vol. 3;

Cagada Bolsonarenta;

A chegada do papa Francisco no céu;

Vidas negras importam;

Meus privilégios de branco;

O que é patriarcado?;

O que é machismo?;

A chegada de Mujica no espaço sideral;

Vi papai reclamando da secura;

Decolonialidade: o que é?;

O que é capacitismo?

Procurei escrever temas que dialoguem com a sociedade, que nos últimos tempos atravessa momentos conturbados, portanto carente de que os poetas coloquem o dedo na ferida para denunciar tudo quanto nos incomoda. A poesia deve estar presente em todas as discussões, tendo em vista que cada poeta é um agente da palavra apto a expressar naquilo que escreve, os anseios sociais mais legítimos. Viva a poesia. Quem quiser valor fortalecer nosso trabalho é só chamar.

 

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domingo, 23 de novembro de 2025

ESCRITAS RETIRANTES: DE ONDE VÊM ESSAS LITERATURAS?

 





 Hoje foi dia de compartilhar com as amigas @evania.vieira.poeta e @casa_do_silencio mediado por @nivaldobrito na Biblioteca da @casa27 no Parque Grajaú um pouco das nossas experiências e escrivivências. É sempre salutar falar de poesia e contar um pouco de nossa trajetória para pessoas que procuram beber em fontes que irrigam o mundo com palavras reunidas com o desejo de mudar o mundo.

Participar da FestaLI (Festa do livro) nos proporcionou contar como começamos a vida de escritores e como vencemos as dificuldades que teimam em aparecer no caminho de qualquer profissional. Nossos caminhos foram atapetados por suor, lágrimas e algumas vezes pela vontade de desistir, porém o sonho se tornou robusto e nos impulsionou a seguir em frente, provando-se maior do que nós mesmos.

Nossas escritas vêm do Ceará, Pernambuco e Bahia, e cada uma traz as marcas de nossas lutas, coroadas pela verdade que acompanha a quem não desiste e alimenta o sonho que se torna coletivo. Quem nos ler, logo percebe uma escrita potente e pujante, capaz de tocar mentes, almas e corações daquelas e daqueles que buscam na literatura, o vigor para fortalecer sua luta e seguir em frente. Obrigado a todos vocês pela festa literária de hoje.

 

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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O RACISMO E O AMOR SÃO SENTIMENTOS DE HUMANOS - Waldeci Ferreira Chagas

 


O racismo por mais desumano que seja, é um sentimento/comportamento manifestado por seres humanos, ou seja, é praticado por um ser racional chamado homem e mulher que pensa, estuda e tem acesso ao conhecimento científico.

Portanto, o racismo não decorre da falta de conhecimento, é produto de um tipo de conhecimento colonial, cujos pensadores a serviço do poder e do capitalismo propagaram a ideia de que a humanidade é composta de uma raça branca superior e outra negra inferior, e se utilizam dessa condição para discriminar as pessoas negras a quem os pensadores colonialistas consideraram inferior.

A prática desse comportamento contra a pessoa negra ainda é recorrente no século XXI, e denota o quanto as sociedades, por mais evoluídas que sejam consideradas, não superaram a compreensão dos brancos como superior e dos negros como intelectualmente inferior, o que faz com que a pessoa negra na sua maioria ocupe os espaços sociais menos qualificados e no mercado de trabalho exerçam funções e profissões socialmente desprestigiadas. É preciso olhar a sociedade sem hierarquizar os sujeitos em superior e inferior. Olhá-los como capazes.

Logo, se apresenta estranho aos olhos da sociedade quando uma pessoa negra está num lugar de poder e de prestígio social. Geralmente uma pessoa negra no lugar de poder não é enxergada como normal, e ainda se questiona sua capacidade para estar em tal lugar. Esse tipo de comportamento denota o quanto a sociedade brasileira é racista, à medida que não se incomoda com o contrário, ou seja, o fato de a maioria negra no Brasil ocupar os espaços periféricos destituídos de condições de existência humana e exercer no mercado de trabalho as funções menos remuneradas. A sociedade trata como natural, e normaliza essa e outras condições atribuídas a pessoa negra, a exemplo da morte de jovens negros decorrente da violência policial.

Por sua vez, o racismo além de impedir a pessoa negra de ocupar os espaços de poder de decisão e elaboração de políticas públicas, atinge também as relações interpessoais e afetivas, o que amplia o raio de desumanização e faz com que em algumas famílias brasileiras o casamento interracial ainda seja visto de modo atravessado, ou como um problema que só com o tempo será resolvido com o rapaz negro ou a moça negra demonstrando para a família da moça branca ou do rapaz branco com quem se casou a sua capacidade e competência.

Comumente famílias brancas formulam respostas das mais diversas naturezas com o intuito de explicar o relacionamento do/a filho/a branco/a com uma pessoa negra. As respostas são as mais positivas possíveis e funcionam como uma espécie de compensação e justificam o relacionamento interracial, de modo que seja aceito/aprovado pela sociedade

Geralmente famílias brancas recorrem ao fato de a pessoa negra com quem seu filho/a casou ser um profissional competente e bem-sucedido. O fato é que as famílias brancas ainda recorrem a um atributo positivo da pessoa negra que justifique ela se casar com seu filho/a branco/a, o que funciona como compensação. Ele é negro/a, mas é médico/a, é doutor/a.

Esse tipo de comportamento é uma evidência de que a sociedade brasileira ainda não superou o racismo, o que faz com que nem mesmo o amor de uma pessoa negra por uma branca e vice-versa seja suficiente para superá-lo. Tal comportamento é o que o escritor Varneci Nascimento discute, quando na sua obra, questiona o/a leitor/a “O Amor vence o Racismo?” Com tal título e questionamento, o escritor possibilita ao/a leitor/a discutir e compreender sobre tema tão árduo e duro, mais ainda recorrente na sociedade brasileira, e que há quem insista fazer vistas grosas.

Disse o sociólogo Florestan Fernandes que o Brasil tem preconceito de ser preconceituoso, o que faz com que não admita a realidade dos fatos, enfrente-o e supere. Na obra “O Amor vence o Racismo?”, Varneci Nascimento, escancara a realidade, rasga o verbo e possibilita ao leitor/a através do cordel enxergar o quanto o racismo está entranhado no cotidiano da sociedade, e como ele se manifesta, ainda que seja comum pessoas afirmarem que não são racistas. Basta uma pessoa negra ousar integrar-se a família branca pela via do matrimonio que as relações mudam de tom e de tratamento.

O escritor e poeta Varneci Nascimento recorre a força da literatura de cordel, cuja linguagem possibilita a todas as pessoas, independente de escolaridade compreenderem o fato narrado, visto que no cordel, ainda que os versos se transformem em palavras escritas em papel, são também musicais, pois vem do íntimo de quem o produz, e está diretamente relacionado as coisas da vida. Ficção? Pode ser, mas o fato narrado/cantado/versado é pura realidade vivida.

O racismo na narrativa ficcional é real. O enredo do romance entre Cecilia, uma moça branca e João Batista, um rapaz negro, que se apaixonam e resolvem levar adiante tal relacionamento fundamentado no amor, ainda que seja uma criação de Varneci Nascimento, diz sobre a realidade brasileira. Assim tal escritor/poeta revela o modo como enxerga a sociedade em que vive.

No Brasil é comum mulheres brancas contarem histórias dos infortúnios sociais que enfrentaram porque se enamoraram de homens negros, enfrentaram pais violentos e machista, assim como a sociedade patriarcal e foram viver seus amores em preto e branco.

Desta feita, na obra “O Amor vence o Racismo?”, Varneci Nascimento, escancara outro mal da sociedade moderna contemporânea, o patriarcalismo, e sua relação com o machismo, e racismo e nos mostra como esse trio anda junto e insiste em se perpetuar, à medida que mulheres ainda são submetidas as normas sociais estabelecidas pelos homens brancos.

Até quando essa tríade comportamental se manterá? Não se sabe, mas sabe-se que mulheres tem ousado e desafiado e enfrentado a sociedade e construído novos padrões de comportamentos, paradigmas, novas possibilidades de amar, viver e ser feliz, e assim tem destruído esse trio que insiste em se manter. Certamente muitas Cecília tem feito isso Brasil a fora, muitas existiram e existirão, assim como muitos escritores/poetas/artistas que recorrem a arte para escancarar os males que a sociedade insiste varrer para debaixo do tapete e continuar recebendo os convidados na sala de visita como se nada de ruim existisse.

O racismo é maléfico, adoece, aprisiona e mata, o amor, aproxima, é saudável, liberta e cura. É isso que a obra “O Amor vence o Racismo?”, de Varneci Nascimento nos ensina.

Para saber mais sobre o livro, clique abaixo.

https://varnecicordel-com-br.lojaintegrada.com.br/o-amor-vence-o-racismo