Viver de arte é uma das escolhas difíceis de fazer, pois sua concretização costuma ser uma batalha árdua, afinal na cabeça de todo mundo, quem escolhe este caminho, decidiu deliberadamente se tornar malandro, detesta trabalhar e vive encostado em outras pessoas. É desrespeitado desde o começo, começam a chamá-lo para se apresentar de graça, dando a desculpa de ser uma oportunidade para mostrar seu trabalho, os desrespeitosos chegam ao ponto de dizer: “você não está fazendo nada mesmo, se apresente em meu evento, estou lhe dando esta oportunidade”.
Nunca vi ninguém chamar o pedreiro, o advogado, o
professor, o médico, o dentista, o engenheiro, para trabalhar gratuitamente,
porém se for cantor, tocador, escritor, palestrante, poeta, em começo de
carreira, receberá os convites mais estapafúrdios. Sem contar os livros que
pedem, para depois não ler. É preciso ser persistente para seguir acreditando
em seu potencial e não desistir. O compositor nem existe no senso comum, dificilmente
alguém sabe o nome dos compositores das músicas de maiores sucessos. O desrespeito
com os trabalhadores da arte é algo surreal, principalmente se não forem famosos.
Este ano, no mês de abril completarei um quartel de
século vivendo como escritor, me considero um vencedor, contudo passei por cada
uma, que qualquer ser humano fraco e sem objetivo claro, teria desistido nos
primeiros anos de profissão. Vou citar apenas dois exemplos: certa vez, tive
meu tempo cortado em um evento em São Paulo para ofertar a vez a um figurão. Quando
chegou a vez dele falar, desagradou tanto, que tive de voltar ao palco para salvar
o evento. Em outra oportunidade em um estado do sudeste, fui contratado com
outro figurão da literatura, que estava na mídia. No término do evento vários professores
e professoras disseram que a minha palestra foi melhor que a do outro, apesar
disso meu cachê continuou sendo menos. Este tipo de coisa desmotiva qualquer
ser humano que não tem convicção daquilo que quer. Portanto quem vai entrar
para o mundo da arte, aprenda a se impor, porque do contrário estará condenado
ao fracasso.






