Entre os dias 20 e 22/03/2026, a cidade do Recife recebeu o I Congresso Brasileiro de Cordel, que reuniu poetas e pesquisadores de 16 estados, além de simpatizantes e amantes desse gênero literário. Foi um marco, tendo em vista ter sido um dos encontros mais representativos do gênero no país, isto sem contar com apoio institucional de nenhum governo, apenas a vontade e a garra das poetizas e poetas, que arregaçaram as mangas, desde o ano passado e organizaram este encontro. É de se celebrar efusivamente, porque foi na Veneza brasileira, onde Leandro Gomes de Barros, pai do cordel, começou a espalhar sua poesia e de lá os ramos se estenderam para se tornar um patrimônio nacional.
Lamento não ter estado presente,
mas me senti representado por todos que tomaram parte nestas discussões, pois
conversando com os participantes, as notícias são alvissareiras, se pensou o
cordel como uma manifestação da cultura nacional, muito além do que tantas
pessoas, erradamente se equivocam, dizendo que o cordel está restrito ao
nordeste. As mesas de debates dos temas atinentes ao cordel, a criação de uma
federação, mostram o empenho das delegações presentes.
Não podemos deixar de registrar a
sensibilidade da poeta premiada e vereadora do Recife, @cidapedrosa65 que abriu
as portas da Câmara Municipal para fazer uma sessão em homenagem ao Cordel
Brasileiro e a todos os homens e mulheres de boa vontade que produzem essa literatura.
A presença grande de mulheres discutindo e abraçando o cordel como profissão, é
uma vitória que precisamos celebrar diuturnamente. A abordagem de temas como
misoginia, machismo, racismo que faz alguns poetas torcer o nariz, se fez
presente, afinal é preciso varrer do mapa da poesia, toda espécie de
preconceito. O cordel não pode ser o ninho para abrigar as cobras
preconceituosas de ninguém, e sem a presença das mulheres, esta discussão demoraria
ainda mais um século. Lamentando minha ausência celebro com as mais de 150
pessoas que tomaram parte deste Congresso, um feito histórico e um legado para
as futuras gerações de poetas e poetizas que virão. Porque fazer cordel é um
ato político, você diz a quem a sua poesia vai servir: aos explorados ou
exploradores?






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