quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OS TRÊS FIOS DE CABELO DO DIABO




Esse é mais uma obra contemplada pelo Prêmio Mais Cultura – Edital Patativa do Assaré – 2010. O texto de Josué Gonçalves de Araújo foi ilustrado por Severino Ramos.

Abaixo a APRESENTAÇÃO

A figura do diabo popularizou-se no Nordeste brasileiro com o cordel. Todavia, diferente daquele elemento medonho, dono de maldades e tenebroso, oriundo da magia negra, senhor das trevas, encontramos nas sextilhas cordelísticas um ser que, apesar de conservar sua face maligna, transforma-se em uma ferramenta de riso, secretário do humor, ambulante carrancudo da gargalhada. Parece paradoxal, mas foi a forma de os leitores e ouvintes verem-se vingados.
Portador de alcunhas as mais diversas, o infiel desfila, neste poema que apresento, como o coisa-ruim, o tinhoso, chifrudo, capeta, arrenegado, bicho-papão, transformando-se de encarnação do terror em oráculo da benignidade ao revelar, sem o saber, os enigmas necessários ao herói do poema para que seja bem sucedido em sua missão. É o conto de Grimm adaptado às estrofes clássicas do cordel. É a representação universal do vencedor que todos ousamos ser. O caminho para a redenção dos depauperados, pelas artes mágicas.
Josué estreou no cordel, na Luzeiro, com uma trama original O coronel avarento (ou O homem que a terra rejeitou) e seguiu o caminho com O mistério da pele da novilha. Antes, embrenhara-se pelo conto e pelo romance, treinou sonetos, mas foi no embate com o cordel que sentiu ter encontrado seu caminho. Segundo diz, iniciou-se tarde. O cordel, entretanto, alojou-se em seu coração desde quando ouviu, pela primeira vez, os antigos versos das histórias pioneiras jorrando da leitura ritmada de Sá Maria, sua avó.
O valente João Acaba-Mundo foi seu herói primevo, seu modelo, durante aqueles primeiros dias, posteriores à audição. Ali, o cordel escolhera mais um. Passados 50 anos, escreve sua primeira página cordelial. Movido pela ansiedade, satisfeito com a receptividade de estreia — o meio cordelístico paulistano o abraçara —, coisa que move todo iniciante, Josué partiu para a produção e publicação de suas histórias. Seu encontro com a Caravana do Cordel foi decisivo, amadureceu sua prática poética e estabilizou sua necessidade de escrever.
Agora, senhor do seu ofício, conhecedor das nuanças caprichosas dessa forma poética, foi agraciado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura. Todos nós nos emocionamos ao vê-lo em segundo lugar, ultrapassado apenas pelo Mestre Azulão. Este folheto é o produto vencedor. Encontraremos uma letra leve e escorreita, que sabe narrar e descrever. Em suas rimas ouviremos a boa sonoridade desejada. Em sua métrica o resultado do estudo aplicado.
Com a publicação de Os três fios de cabelo de ouro do diabo, consolida-se em seu labor literário, cumprindo, assim como o filho da sorte de seu cordel, mais uma etapa de sua missão. Sabendo que o rio, com seu barqueiro mal humorado, ainda está longe de se fazer presente, acreditamos que sua inspiração nos presenteará em breve com outra história original, saída diretamente para o cordel, oferecendo-lhe o caminho da continuidade criativa. Josué sabe, com todas as certezas, que é o cordel quem escolhe e não o poeta.

Aderaldo Luciano, doutor em Letras
Rio de Janeiro, novembro de 2011

Mais informações sobre este cordel entre em contato com o seu autor pelo e-mail: josuegaraujo@gmail.com

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

RINO O RATO QUE ROEU A ROUPA DO REI DO ROMA



Este é o cordel de autoria da poetisa Cleusa Santo, uma paulista que encontrou nessa literatura a maneira de se comunicar com o mundo e tem semeado a poesia onde quer que vá.

RINO O RATO QUE ROEU A ROUPA DO REI DO ROMA é a sua obra contemplada pelo Prêmio Mais Cultura – Edital Patativa do Assaré – 2010. A obra foi ilustrada por Anderson Siqueira.

ABAIXO A SINOPSE DA OBRA:
Rino não aceita a sua condição de rato pobre e por isso planeja viver dias melhores. Numa cartada de mestre conseguiu chamar a atenção do rei. O que ele terá feito? Como conseguiu a proteção do monarca? Como passou a viver depois de conhecer a majestade? Descubra todas essas respostas lendo mais este cordel...

AS PRIMEIRAS ESTROFES DO CORDEL:
Narrarei aqui um fato
Atraente, genuíno.
Sobre um ratinho romano
Que queria ser grã-fino.
Esperto e determinado
E o seu nome era Rino.

Todo dia ao acordar
Já ia raciocinando:
— Eu vou embora daqui
Não estou mais aguentando.
E de morar no palácio
Seu desejo ia aumentando.

Para conhecer a história completa entre em contato com a poetisa pelo e-mail: cascordel@yahoo.com.br

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O MARTÍRIO DE UMA MÃE PELO FILHO DROGADO



 Nota: Este cordel foi premiado pelo Prêmio Mais Cultura - edital Patativa do Assaré – 2010 e aqui está a apresentação da obra.

Há algum tempo li um cordel intitulado A peleja de Aloncio com Dezinho. Fiquei entusiasmado com a possibilidade de ver as pelejas voltando às raias do cordel. Surpreendi-me mais ainda porque aquela não era uma peleja tradicional, como nós conhecemos, retratando o ambiente de uma cantoria, com dois cantadores disputando proezas e trava-línguas. Transcendia a tradição e apresentava, em um trabalho poético-antropológico, um mecanismo social conhecido como batalhão, praticamente desaparecido da região de Banzaê, cidade do norte da Bahia.
O motivo do batalhão era um mutirão de homens que escolhiam a roça daquele mais precisado para capinar e preparar a terra para o cultivo de uma lavoura. A motivação era servida pelo canto coletivo, um ritual no qual os cantos de trabalho determinavam a disposição dos trabalhadores. Mas esse canto era diferente: regiam-no dois poetas repentistas, improvisando seus versos, intermediados por um refrão. Ao invés do som monocórdio das violas, o ritmo se dava pelo atrito das enxadas no solo e a solfa, a melodia, repetia-se de uma fonte ancestral indeterminada.
Em minha tese de doutorado repeti a primeira estrofe do folheto, que não colocarei aqui para obrigar o leitor a buscar essa peleja com o próprio autor. Na época, afirmei ser uma das mais belas aberturas de cordéis que eu já lera. Jorrava sensibilidade e a rima certa, o metro perfeito: a exatidão. Prosseguia de forma idêntica por mais sete ou oito estrofes até o narrador sair de cena e oferecer voz aos repentistas. Dados os motes e os temas, lá iam eles capinando, como se a roça fosse uma imensa catedral a céu aberto por onde ecoava o canto gregoriano dos que afagavam a terra buscando sua misericórdia, a fertilidade.
O autor construía, assim, o seu marco diferenciador: o registro de uma tradição asfixiada. Pois bem, agora faço a apresentação deste novo trabalho do mesmo poeta. Outra fase norteia seu trabalho. Com mais de duzentos títulos escritos, já despediu-se a tempos dos escritos intuitivos, assumindo a rédea arrazoada do seu fazer poético. Marca de sua produção é o seu compromisso social. Historiador que é, transporta para seu cordel a reflexão sobre os fatos decisivos da história nacional, leiam-se O massacre de Canudos e O cangaço sustentado por coronéis.
Não fica nisso, trafega pelo gracejo com desenvoltura. Veja-se o caso de Iniciação sexual na zona rural, no qual cria, para a reflexão sobre os ritos de passagem ligados à sexualidade, um ambiente de humor para suavizar as situações vexatórias típicas aos pré-adolescentes. O seu nome inscreve-se na história do cordel brasileiro. Este seu poema, que apresento, consolida o seu lado de humanista, preocupado com a ética e com os caminhos da sociedade e, mais, é o texto agraciado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré. Varneci Nascimento é referência do cordel em São Paulo. Como se diz em suas costas: — É uma autarquia!

Dr. Aderaldo Luciano

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

I SALÃO DA LITERATURA DE CORDEL DE GUARANÉSIA




Dia 27/01/12(sexta-feira) saída de São Paulo a partir da 06 horas.
.João Gomes de Sá(AL) & Maria José-AL(esposa)
.Aldy Carvalho (PE)& Leny-CE(esposa)

Dia 28/01/12(sábado)
.Marco Haurélio-BA
.Cacá Lopes-PE
.Varneci Nascimento-BA
.Aderaldo Luciano(PB)*
.Pedro Monteiro(PI)*

sábado, 17 de dezembro de 2011

ADERALDO LUCIANO LANÇA LIVRO NA FESTA DA CARAVANA DO CORDEL



O aniversário da Caravana do Cordel, foi brindado com o lançamento do livro APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO CORDEL BRASILEIRO do doutor Aderaldo Luciano, pela Conhecimento Editora. A festa foi aberta por ele e que teve uma aceitação incrível, pois os exemplares que trouxe não deu para quem quis.
No meu entender, esse livro é um divisor de águas na história do cordel, visto que muitos pesquisadores que escreveram sobre essa arte, se limitaram a repetição de que o cordel é português, é oral, vem dos cantadores, é popular e popularesco, é literatura menor, só é cordel se tiver xilogravura na capa, é a mesma coisa da cantoria. Dr. Aderaldo é o primeiro a se levantar contra tudo isso e colocá-lo em seu lugar verdadeiro. Cada capítulo é uma provocação que nos faz pensar a respeito da história e literariedade que começa a ser melhor pesquisada. Aderaldo se doutorou nisso e começa abrindo esse intricado, mas fascinante caminho.
Parabéns ao autor e a Conhecimento Editora que coloca um livro tão relevante no mercado, que em matéria de cordel já é uma referência.

Mais informações:
Av. Santos Dumont, 1343 | Loja 04
Centro | CEP 60150-160 | Fortaleza | CE
conhecimento@conhecimentoeditora.com.br
www.conhecimentoeditora.com.br
(85) 3032.7874 / (85) 8731.7090

Com o autor:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O CAVALO O CAMELO E O JUMENTO




Este é o novo cordel do Carlos Alberto. Veja a sinopse.
Nem sempre o mais forte e pomposo é o mais importante. Três animais, por razões diferentes, têm posições relevantes nas Escrituras Sagradas. O diálogo entre eles é surpreendente. Descubra porque os humilhados terminam exaltados.

Veja as primeiras estrofes:

Nas terras do Oriente,
Onde viveu Aladim,
Um lugar onde as estórias
Têm começo e não têm fim,
Três animais dividiam
Água, farelo e capim.

O cavalo, pura raça,
Das arábias, oriundo,
Relinchava parecendo
Ser mesmo o dono do mundo,
Também, de contar vantagem,
Jamais parava um segundo.

Dotado de porte nobre,
Também de rara beleza,
Chamava a si os olhares,
Devido a sua realeza,
Própria de quem conviveu
Com prestígio e na riqueza.

Quem é seu autor?
Carlos Alberto Fernandes da Silva é filho de Manoel Severino da Silva e Adamantina (Marta) Fernandes da Silva. Nasceu em Campina Grande – PB, no dia 1º de setembro de 1951. Formado em Teologia e em Direito, já escreveu cerca de 50 textos em Cordel entre os quais o Evangelho de Marcos, versículo por versículo,
reescrevendo-o em quadras, respeitando o texto original. Pela Editora Luzeiro, lançou Filipe, o diácono evangelista; Missões: o grande projeto de Deus, A conversão de Zaqueu e Mandela: o homem, o herói e o mito.

Mais informações:
Editora Luzeiro Ltda
Fone: (11) 5585-1800

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SUCESSO ABSOLUTO DO ANIVERSÁRIO DA CARAVANA DO CORDEL














































No último sábado 10/12/11, o cordel deu mais uma demonstração de força e vigor através da CARAVANA DO CORDEL, e das dezenas de pessoas que compareceram ao Memorial da América Latina, para festejar os três anos de existência desse grupo, que faz a diferença em matéria de cordel na cidade de São Paulo. O sucesso desse evento se deve mais ao cordel do que a qualquer outra coisa, todavia reconhecemos a importância das centenas de admiradores que temos conquistado, e dos artistas caravaneiros que se empenham e doam seu tempo e talento, para enriquecer cada evento que a CARAVANA DO CORDEL realiza.
O aniversário contou com as brilhantes participações de Aderaldo Luciano, Eufra Modesto, Cacá Lopes, Jocélio Amaro, Zé de Zilda, os repentistas Adão Fernandes e João Doutô, Luiz Wilson, uma homenagem singela às pessoas que têm contribuído para a divulgação mais consistente do cordel e o encerramento magistral de Aldy Carvalho. A festa inteira foi permeado pela poesia, pois havia uma feira literária onde os amantes da poesia tiveram maior contato com as obras dos poetas.
O evento ainda foi enriquecido pelo lançamento do Livro APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DO CORDEL BRASILEIRO do Dr. Aderaldo Luciano, editado pela Conhecimento Editora, que será motivo de outra publicação neste espaço.
Por hora, agradecemos aos amigos e amigas, poetas e admiradores que compareceram na festa. Em 2012 teremos mais novidades.