Em um mundo cheio de polarizações políticas e ideológicas, é interessante aprendermos a pensar, guiados pelos bons livros, mas sem perder o velho e bom costume de criticar tudo aquilo que é posto como verdade, sobretudo quando estas supostas verdades estão enfeitadas pelos interesses escusos do mercado e do imperialismo. Fomos colonizados pela Europa, e demorou para conseguirmos a liberdade política, como está demorando a conseguirmos a liberdade no pensamento, porque nada pior e mais prejudicial do que um conhecimento colonizado, porém infelizmente é o que temos visto nos últimos tempos.
O império estadunidense está cada vez mais querendo impor
a canga no pescoço de muitos países, e isto acontece por meio do conhecimento,
do idioma imposto, da moeda que dominava o comércio mundial e que felizmente
vem perdendo força. Tomar consciência disso, requer levantar a cabeça e se
colocar contra aquilo que está posto como verdade. Quem foi que disse que temos
que viver subjugado ao desejo de ninguém? Quem foi que disse que a América
Latina é o quintal do império estadunidense? Quem foi que disse que o nosso
petróleo tem que ser roubado e entregue aos estadunidenses? Eles mesmos disseram,
porém não somos obrigados a obedecer.
Ser uma pessoa que pensa a decolonialidade é se colocar
no seu lugar de agente da história e saber que a honra é inegociável, que
ninguém, por mais forte que seja militarmente falando, vai dominar a sua cabeça.
Alimentar essa convicção é algo que precisamos fazer conscientemente. No que
escrevo sempre aponto nesta direção. Mas aí algum entreguista pode me dizer: do
que adianta se uma andorinha sozinha não faz verão? Adianta sim, porque como
dizia o indiano Mahatma Ghandi: “eles podem até me matar, e aí terão o meu
corpo, mas não a minha obediência.”
Por essa razão escrevi este cordel sobre decolonialidade,
precisamos repensar o modelo de sociedade que queremos, se soberana ou
subserviente.


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