Quem decide viver de determinada arte, precisa se abrir para apreciar as demais artes para não se fechar apenas em seu mundo, pois o diálogo frequente irriga os rios de sua arte e pode tornar o seu jardim poético mais colorido. Um escritor deve frequentar o teatro, escutar música e ler outros autores para enriquecer seu vocabulário, e ter o que dizer as pessoas que investem em seu trabalho. No caso do cordel não basta apenas rimar, é necessário harmonizar para que se torne um poema cheio de encantamento e poesia. Rimar é a parte mais fácil, porém embelezar as estrofes com poesia, será o trabalho mais ardoroso a ser enfrentado.
Nestes 25 anos atuando como
cordelista, percebo que a cada dia estou aprendendo algo sobre a cultura do
cordel. A cada texto escrito, vem a seguinte pergunta: isto vai me conectar com
as leitoras e leitores? É uma pergunta que nenhum autor tem a resposta, por
isso que escrever é uma experimentação constante. Para nos conectarmos com as
pessoas, um dos caminhos a seguir é o da emoção, pois ela vive a espreita e é o
que realmente nos move, claro que se a emoção estiver desordenada, a razão dará
o seu toque de equilíbrio.
Outra coisa que o capital fala
muito é sobre a autoridade conquistada a respeito do que faz, mas esta espécie de
“privilégio” será dada à medida que seus leitores forem reconhecendo seu
trabalho e o tornando relevante. Muitos conquistam isto através de polêmicas,
mas não sei quanto isso é bom para uma carreira. Baseado em minha experiência, digo
a qualquer pessoa que está dando os passos iniciais em uma arte, que continue
em frente, que semeie, mesmo que ninguém dê importância, porque não é pelo
comportamento dos outros que você mudará o seu. Quem está convicto de uma
coisa, basta a sua convicção, o resto é se lhe ajuda a crescer neste caminho de
semeadura. Eu sigo plantando. Tenho colhido, perdido, irrigado, mas continuo
semeando. Quem não desiste sairá da escassez para a fartura.







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