domingo, 12 de julho de 2026

SEMEANDO CORDEL

 








Quem decide viver de determinada arte, precisa se abrir para apreciar as demais artes para não se fechar apenas em seu mundo, pois o diálogo frequente irriga os rios de sua arte e pode tornar o seu jardim poético mais colorido. Um escritor deve frequentar o teatro, escutar música e ler outros autores para enriquecer seu vocabulário, e ter o que dizer as pessoas que investem em seu trabalho. No caso do cordel não basta apenas rimar, é necessário harmonizar para que se torne um poema cheio de encantamento e poesia. Rimar é a parte mais fácil, porém embelezar as estrofes com poesia, será o trabalho mais ardoroso a ser enfrentado.

Nestes 25 anos atuando como cordelista, percebo que a cada dia estou aprendendo algo sobre a cultura do cordel. A cada texto escrito, vem a seguinte pergunta: isto vai me conectar com as leitoras e leitores? É uma pergunta que nenhum autor tem a resposta, por isso que escrever é uma experimentação constante. Para nos conectarmos com as pessoas, um dos caminhos a seguir é o da emoção, pois ela vive a espreita e é o que realmente nos move, claro que se a emoção estiver desordenada, a razão dará o seu toque de equilíbrio.

Outra coisa que o capital fala muito é sobre a autoridade conquistada a respeito do que faz, mas esta espécie de “privilégio” será dada à medida que seus leitores forem reconhecendo seu trabalho e o tornando relevante. Muitos conquistam isto através de polêmicas, mas não sei quanto isso é bom para uma carreira. Baseado em minha experiência, digo a qualquer pessoa que está dando os passos iniciais em uma arte, que continue em frente, que semeie, mesmo que ninguém dê importância, porque não é pelo comportamento dos outros que você mudará o seu. Quem está convicto de uma coisa, basta a sua convicção, o resto é se lhe ajuda a crescer neste caminho de semeadura. Eu sigo plantando. Tenho colhido, perdido, irrigado, mas continuo semeando. Quem não desiste sairá da escassez para a fartura.

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