Você deve estar estranhando meu post no último dia do ano, mas não posso fingir que nada aconteceu aqui no povoado Salgado ontem, quando fomos surpreendidos pelo horror do feminicídio. Hoje não existirá feliz ano novo para as famílias de quem morreu e de quem matou, tampouco para uma criança privada da presença carinhosa da mãe. A humanidade caminha para o colapso, tendo em vista que somos a única espécie que nos autodestruímos. As famílias precisam mudar o rumo da educação dos filhos, porque deve existir algo de errado, a julgar pela quantidade de homens matando mulheres, unicamente pela sua condição de ser mulher.
Nestas pequenas comunidades, normalmente as pessoas
se conhecem, os filhos são criados juntos, boa parte são parentes. Cresce entre
a gente um instinto de proteção coletiva. Primos se casam com primas, famílias amigas
se tornam a mesma família por conta dos casamentos, do compadrio, enfim todos
constroem laços afetivos. Infelizmente nem isto tem bastado, porque o Brasil se
tornou um país com uma estatística terrível, a cada seis horas uma mulher é
morta por dizer não. É urgente os meninos aprenderem a respeitar o término dos
relacionamentos. Todas estas violências são filhas do patriarcado, que se torna
machismo, migram para a misoginia e findam no feminicídio. É pela condição dela
ser mulher que o crime acontece, pois se fosse com um homem dificilmente agiria
desta forma.
Urge os rapazes acatarem o não, pois ninguém é dono
do corpo delas, que podem rejeitar quem não lhe agrade mais. As meninas devem
se proteger, percebendo os sinais violentos nos “machos” ridículos, para evitar
o relacionamento, onde exista a possibilidade de colocar a sua existência em
risco. Lamento que esta violência dilacerante tenha chegado ao pacato povoado e
tirado precocemente a vida de Joseane Santos de Jesus, mais uma vítima da
covardia masculina. Até quando o corpo das mulheres servirá como objeto de
pancada de homens violentos e desiquilibrados? Que neste novo ano, passemos a
refletir e combater este mal, conversando sobre este assunto no dia a dia, para
revertermos este quadro tenebroso que tira a vida de milhares de mulheres.

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